FILOSOFIA UNIVÉRSICA (Huberto Rohden)

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Filosofia Univérsica é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

MANTÉM CONTATO COM A NATUREZA

Comentário(s)

É fato histórico que todos os homens realmente espiritualizados e profundamente felizes eram e são dedicados amigos da natureza... Refere o livro do Gênesis que Deus pôs o homem no meio de um jardim maravilhoso, uma espécie de pomar chamado Éden, para que cultivasse e se alimentasse de seus frutos. Só depois que o homem cometeu o primeiro homicídio é que ele abandonou a Natureza de Deus e preferiu a cidade dos homens. O homem espiritualizado, porém, continua amigo do Éden de Deus...

O homem primitivo, meramente sensorial, é escravo da Natureza.

O homem intelectualizado é escravocata e explorador da Natureza.

O homem espiritual é amigo e aliado da Natureza; compreende a Natureza, e a Natureza o compreende.

A nossa civilização moderna fez com que o homem se divorciasse, total ou parcialmente, da Natureza, fazendo o viver num ambiente artificial, desnatural, antinatural, não menos prejudicial ao corpo do que à alma...

O que leva muitos homens a abandonarem os campos e se aglomerarem nas cidades não é só a necessidade de cultura nem mesmo o desejo de lucros fáceis e rápidos,mas sim, e sobretudo, o horror à solidão. A solidão externa aterra o homem que não possui plenitude interna. Esse homem, interiormente vazio, tenta fugit de si mesmo e encher com barulhos externos a sua vacuidade interna...

...O homem moderno nunca voltará aos tempos do homem pré histórico, ou dos silvícolas de nossas florestas. A verdadeira natureza do homem é espiritual, divina. O verdadeiro regresso à Natureza é, pois, um "ingresso", uma entrada do homem para o seu próprio interior, espiritual, eterno, divino...

Só quando o homem atinge a sua verdadeira natureza espiritual é que ele se torna plenamente natural- e só então começa ele a compreender a alma da Natureza ao redor dele. Os nossos poetas e romancistas, não raro, celebram os encantos da natureza; mas a maior parte deles só conhece o corpo da Natureza, ignorando-lhe a alma.

Só o homem que encontrou dentro de si a natureza da alma é que pode compreender a alma da Natureza fora de si mesmo. Para, de fato, compreender a Natureza de Deus deve o homem compreender o Deus da Natureza.

Hoje em dia, milhares de pessoas das grandes cidades passam os domingos e feriados em seus sítios. Infelizmente, muitos desses "sitiantes" são verdadeiros "sitiados", porque vivem em voluntário "estado de sítio". O fato de não terem encontrado a sua natureza interior não os deixa viver na simbiose com a alma da natureza exterior.

Fugiram da poluição material da cidade, mas carregam consigo e transferem para o campo e para o mato a sua poluição mental e espiritual... O verdadeiro sitiante vai dormir cedo e acorda cedo, com o sol ou antes dele. Planta árvores frutíferas para si e sua família e para os passarinhos.

Não mata passarinhos nem os aprisiona em gaiolas. Convive com a alma de todos os seres vivos.

Huberto Rohden
O caminho da felicidade, páginas 99 a 101 - Segunda Edição-2005, Editora Martin Claret

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FERNÃO CAPELO GAIVOTA - O FILME

Comentário(s)

Por Eronildo


Um filme simplesmente fantástico. Aprendizagem, superação e liberdade, é a temática do enredo.

O filme conta a história de Fernão Capelo , uma gaivota fora de série que ama voar, e que não aceita sua condição de mero espectador da vida. Sua luta vai do degredo imposto pelo grupo até a sublimação no amor pelo voo. Vale muito a pena conferir. 

O mais legal de ter encontrado esta relíquia, é que nessa versão, disponibilizada há a legenda na hora da Música "Be" 
00:7:15 e que não tem nessa versão nova do filme (na versão antiga de 1973 tem).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SOFREDORES PROFANOS E INICIADOS

Comentário(s)


O problema não é sofrer ou não sofrer- o problema está em saber sofrer ou não saber sofrer.

Nenhum homem profano sabe sofrer decentemente- mas todo o iniciado pode sofrer serenamente, e até jubilosamente.

Que se entende por profano e iniciado?

Profano é todo aquele que está pró(diante) do fanum(santuário); é todo o exotérico que contempla o santuário do homem pelo lado de fora, e nunca entrou no seu interior... Iniciado é aquele que realizou o seu inire, o seu ir para dentro, a sua entrada no santuário de si mesmo; esse é um esotérico, um iniciado.

O profano é ignorante- o iniciado um sapiente de sua realidade...

Dificilmente, poderá o sofredor modificar as circunstâncias externas de sua vida que estão além do seu alcance, e por isto não pode abolir ou suavizar a sua dor.

O que o sofredor pode modificar é somente a substância interna de si mesmo, a atitude do seu Eu central, a sua consciência- e com esta nova perspectiva de dentro, o fenômeno externo do sofrimento adquire um aspecto totalmente diferente. Se o sofrimento não pode ser amável, pode ser pelo menos tolerável.

Todo o sofrimento, repetimos, é tolerável, quando o homem pode tolerar a si mesmo.

A amargura máxima do sofrimento não está no fenômeno externo dele, mas na atitude interna do sofredor. E essa correta atitude interna supõe autoconhecimento. Quando o sofredor sabe que não é o seu Eu divino,mas apenas o seu ego humano que sofre, então pode ele sofrer serenamente, e mesmo sabiamente-talvez até jubilosamente, por saber que ele está construindo a "única coisa necessária que nunca lhe será tirada."

A maior acerbidade do sofrimento ,como dizíamos, está na sua absurdidade, no seu aspecto paradoxal, no seu caráter antivital e antiexistencial-mas esse aspecto não vem do sofrimento em si, mas unicamente  da falsa perspectiva do sofredor. O sofrimento do sofredor profano é necessariamente absurdo, paradoxal, antivital, antiexistencial, e é capaz  de levar o sofredor à revolta, à frustração, ao suicídio, ou ao inferno em plena vida.

É pois de suprema  sabedoria que o homem mude de perspectiva e atitude- e isto, não quando vítima de uma tragédia, mas em tempos de paz e bonança. Dificilmente, o sofredor alcançará  essa serenidade durante o sofrimento, se antes dele, não a tiver alcançado... O homem deve vacinar, imunizar todo o seu ser com o soro da verdade sobre si mesmo, para que, na hora da tragédia, não sucumba ao impacto das bactérias mortíferas da revolta e do desespero.

... Quem enxerga o porquê da sua existência terrestre apenas nos gozos, já está  em vésperas de frustração. Quem confunde os objetivos da vida- fortuna, prazeres, divertimentos- com a razão-de-ser da sua existência- autoconhecimento e autorealização- é um profano, um exotérico, e não pode encontrar conforto na hora do sofrimento.

É suprema sabedoria iniciar-se na verdade do ser humano desde o princípio. Todos os objetivos da vida têm de ser integrados totalmente na razão-de-ser da existência.

 Huberto Rohden

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Do Livro: Porque sofremos, páginas 32 a 34, Editora Martin Claret, 2006

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

AUTOCONHECIMENTO. FORMAR-SE, REFORMAR-SE E TRANSFORMAR-SE

Comentário(s)

Por Eronildo

As verdades universais não vêm para
 formar o homem nem para reformá-lo, mas para transformá-lo. Não vem para moldá-lo, mas para transmutá-lo.

Formar-se é adquirir conhecimentos. É ter informações de ordem quantitativa. Reformar-se é mudança de comportamento. É mudar um comportamento vicioso por um outro  virtuoso de verniz social, ambos ainda no campo  do ter, das aparências. Ter informações, vícios ou virtudes. Os ensinos universais vêm para transformar o ser humano.

Transformar-se é modificar-se de um estado de espírito para outro. É mudar de estado enganoso das aparências para estado verdadeiro na essência. É mudar dos atos cerimoniosos para uma firme atitude espiritual interna. Para isso é preciso dar o salto qualitativo da virtude teatral,  sacrificiosa e estética para uma conduta natural,  jubilosa e ética.

E isso é possível, dizem os mestres, com o autoconhecimento. Estou na busca. Como Paulo de Tarso, "não tenho a pretensão de ter atingido o alvo, mas vou à conquista pra ver se o atinjo".

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

MEDITAÇÃO. MORRER PARA VIVER

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner

O homem é um ser que perdeu a consciência de si, de sua verdadeira natureza. Esse estado o colocou na ignorância e o conduziu a erros, e estes, conseqüentemente, ao sofrimento. Os que se libertaram do estado de ignorância sempre surgiram na história humana para nos oferecer recursos, ensinamentos e técnicas de desenvolvimento espiritual. Verdadeiras ferramentas despertativas da essência divina dentro do homem.

Cerrar os olhos por alguns minutos ou horas (dependendo do indivíduo), é perscrutar e conhecer seu mundo interior. É observar o fluxo dos pensamentos e conhecer seus conteúdos, tornando-o consciente do que se passa dentro de si. E só quando vemos mais claramente o que se passa dentro de nós, é que podemos fazer algum movimento em sentido corretivo. Só quando percebemos as nossas falhas morais é que podemos dar o primeiro passo para a superação e a transcendência desta falha.

Cerrar os olhos é “fechar-se” por tempo indeterminado aos chamados do mundo, com suas idéias, seus gostos, seus desejos, sua moral, seus julgamentos, seus valores... É desejar entender e compreender a mente, os sentimentos, a alma, a vida! É questionar internamente o sentido das coisas, e não só seguir os passos mecânicos de uma humanidade inconsciente e sofredora. É se perguntar internamente: “Quem sou eu?” “O que estou fazendo aqui?” “De onde vim e para onde vou?” “O que devo fazer?” 

Cerrar os olhos é saber silenciar também nossos desejos, medos, anseios, ambições, carências... É serenar nossos pensamentos e objetivos pessoais e materiais. É apaziguar nossas paixões pelo mundo e projetar nossas atenções para o reino do espírito, que vibra dentro de nós oferecendo sua luz, sua força, sua sabedoria, seu amor! Esta luz é a própria presença do Absoluto, do Supremo, do Infinito, que aguarda nossa iniciativa e nosso esforço de encontrá-Lo. Abramo-nos, concentremo-nos e aspiremos perseverantemente esta Fonte Divina, que é o Pai, afirmando mentalmente e com o coração ardente:

“Senhor, que eu O conheça, que eu O sinta, e que eu o viva conforme Tuas leis e Tua vontade!” 

“Pai, eu te amo!”

Se a busca da Verdade exige-nos uma vontade determinante e um esforço disciplinado mental, também esta busca tem sua outra face,em que  o coração se abre numa atitude de receptividade e entrega infinita ao Alto, ao Centro Dinâmico-Doador, que é Deus! Mas a recepção de Tua Verdade e de Tua Graça, em níveis mais elevados, exige que tenhamos um coração puro, vazio de nós, de nossos interesses próprios, e uma entrega por completo a Ele! E esta entrega é uma morte, morte do ego, morte de uma percepção limitada, para nascer em outras esferas, onde nela permeia e prevalece o princípio da unidade e do amor! 

Meditemos!

domingo, 30 de novembro de 2014

NUMA CASINHA HUMILDE À BEIRA DO MAR

Comentário(s)

Encontro-me em plena solidão, numa praia deserta. O mundo, as suas imagens e as suas coisas, tudo está longínquo. Nem o eco dos seus rumores, problemas e paixões atinge este imenso silêncio. Como o céu, a planície e o mar são infinitos, também aqui os pensamentos se tornam sem limites. Neste lugar tudo é tão simples e grandioso que parece ter acabado de sair das mãos de Deus. A laboriosa cisão do dualismo, a luta entre contrários, de que é feita a vida, procuram aqui pacificar-se para se desvanecerem na unificação suprema de todas as coisas em Deus. 

Aqui existo fora dos confins do espaço e do tempo, porque, no céu, na planície, no mar, não há pontos de referência, e os dias correm iguais, sem medida. Sinto-me fora das dimensões terrestres. Não adianta caminhar, porque o deserto é sempre igual, sob o mesmo céu, em frente do mesmo mar. O movimento tem relação com o limite. No espaço e tempo infinitos, a velocidade nada modifica, anulando-se no vazio. Por falta de um ponto de referência, não havendo ponto de partida ou de chegada, toda velocidade é inútil. Mesmo o correr do tempo nada muda, porque espaço e tempo não faltam. Acima de todos esses infinitos — do céu, do deserto, do mar, do tempo — o de Deus o contempla, imóvel, ao se fundirem Nele. 

Esta é uma atmosfera diferente que respiro, outro ambiente em que penetro, outra dimensão em que existo. Superei os limites do plano físico, a barreira da forma, das ilusões, das aparências. Sou apenas um pensamento que observa aquele que se encontra em tudo o que existe. Uma força me arrastou para fora das dimensões terrestres, na vibrante imutabilidade do absoluto. 

Vivo em uma casinha humilde onde a vida, tormentosamente complicada pela civilização das metrópoles, se tornou simples e calma. Assim, o espírito se liberta de tantas necessidades materiais artificiosas e pode viver a sua vida maior em contato com as coisas eternas. Surpreende sentir o pouco de que necessitamos. E que particular sabor tudo adquire quando representa o produto da bondade, da sinceridade e do amor! Então, a pobreza se torna riqueza, enquanto a avareza e o egoísmo transformam a riqueza em pobreza. No meio da pobreza dessa riqueza o espírito se atrofia, se envenena e morre. É no meio da riqueza daquela pobreza que o espírito se expande, vive e triunfa. Pela lei da compensação, para alcançar e possuir o que se encontra mais no alto, é necessário libertar-se do que está em baixo. É no meio da riqueza espiritual dessa pobreza material que agora vivo como um grande senhor. 

É neste vazio das coisas terrenas que atinjo a plenitude das coisas do céu.

Quanto mais me afasto do que é humano, tanto mais me avizinho das coisas divinas. Delas se enche esta imensidade deserta, para que se abram as portas do céu e apareçam as grandes visões. Elas constituem já uma aproximação, um antecipar-se da libertação, tentativa e ensaio de uma vida maior que me espera. Nesta paz infinita se vai formando pouco a pouco a grande corrente que se agiganta e se torna poderosa; toma-me, absorve-me em seu seio, depois me envolve como num turbilhão e me arrasta consigo para longe. Para onde? Não sei. Leva-me para outro plano de existência, onde já não sou eu que penso, mas o universo. E a sua vida que pensa dentro de mim, porque não existo mais como eu separado, que vive e pensa isoladamente, mas sou um eu unido ao todo, um elemento que vive e pensa como um momento da vida e do pensamento do existir universal. Encontramo-nos, então, verdadeiramente fora do mundo, para além dos seus limites e das suas dimensões. 

É uma imersão, fora do espaço e do tempo, no infinito. Não tenho mais consciência do que deixei para trás. Sinto apenas o que me espera na frente, uma vertigem de vida nova e imensa para a qual me precipito. Eis-me ressuscitado mais no alto, transformado em outro ser, perdido numa dilatação sem limites, na vibrante imobilidade do absoluto.

Eis que a solidão deste deserto, do céu e do mar se enchem de vida. Na noite profunda vejo uma luz imensa e a ela me entrego. Leva-me para fora do mundo, onde a visão se torna real, clara, perceptível com novos sentidos. Contemplo-a extasiado. Observo-me para controlar tudo com a razão. Olho e registro em pensamento, transporto tudo o que vejo para o meu cérebro, para as dimensões terrestres, traduzo-o na linguagem humana e por fim o fixo com palavras nos escritos. 

Assim vivo nesta casinha humilde à beira do mar, num deserto povoado de pensamentos, no meio do vento e das ondas, hospedado graças à bondade e amor de um amigo sincero. Assim vivo aqui, livre e despreocupado, longe do inferno humano. Passo as noites escrevendo, ocupando-me de Cristo, como O sinto a meu lado. Ele me está olhando, e eu leio nos Seus olhos o pensamento de Deus. 

Quando não me é mais possível encontrar palavras para dizer o que sinto, dominado pela emoção e pela alegria, deixo cair a pena e choro. Para o meu trabalho, e, sob o olhar de Cristo, o livro continua a escrever-se, sem palavras, na minha alma e no meu destino.

(Capítulo do livro “Um Destino Seguindo a Cristo”)

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

JESUS E VIDA. O SERMÃO DA MONTANHA

Comentário(s)

Por Eronildo

Uma das melhores palestras de Divaldo  que já vi. Está em duas partes (mais de uma hora cada); o tema é: JESUS E VIDA. ESTUDO DO SERMÃO DA MONTANHA.

Nos primeiros minutos da segunda parte me emocionei quando o vi  falando (01:11:29H) do 'admirável professor Huberto Rohden, o grande místico brasileiro'! (sic). Penso que nesta, o Divaldo estava com o livro O Sermão da Montanha, de Rohden, e toda a palestra foi pautada a partir dele, com toda a gama de conhecimentos do Divaldo, evidentemente. Logo na primeira parte, Divaldo Franco fala da  "situação conflitiva de Ter e Ser". Na medica que transcorria
 a explanação pensava, antes de ouvir toda a palestra : O Divaldo está com o livro do Rohden nas mãos, não é possível! E realmente indica que estava, a palestra segue a sequência do índice do livro do professor Rohden. Vale muito a pena conferir!!!

"O Ser e o Ter continuam em situações conflitivas. É mais importante Ser que Ter. Ser bom. Ser nobre. Do que Ter coisas. Ser paz, não apenas Ter, Ser! Porque quando se É, nada modifica.  E quando se tem normalmente se perde, já que no mundo físico tudo é transitório, inclusive o mundo físico." (Divaldo Franco - 00:7:14H )

sábado, 15 de novembro de 2014

A CARIDADE DA PUREZA

Comentário(s)

Locução: Eronildo Aguiar
Livro: De Alma Para Alma


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

ROHDEN, OS TEÓLOGOS E O ESPIRITISMO

Comentário(s)

(O fenômeno humano e a educação, principais focos das reflexões de Huberto Rohden)

Por Dalmo Duque dos Santos 


O professor Huberto Rohden é conhecido de longa data dos espíritas e espiritualistas por seus textos lúcidos e admiráveis sobre a filosofia cristã. Reflexo das suas experiências no clero – Rohden era padre jesuíta – e também das inúmeras incursões nas escolas iniciáticas orientais, seu pensamento naturalmente se desdobra para a educação, campo que foi para ele o mais significativo, já que seu objetivo maior era a transposição dessas idéias para a práxis. “Ninguém educa ninguém, pois a educação é intransitiva e o ser humano é imprevisível”, repete Rohden em diversos ensaios.

Comentando a Parábola do Semeador - espelho espiritual dos educadores e pedra angular do Livre Arbítrio - Rohden diz que Jesus conseguiu educar todos os seguidores que se abriram para as novas experiências, transformando discípulos em apóstolos. Sobre essse fenômeno pedagógico, ou melhor, andragógico, ele explica que Judas, o mais intelectual dos discípulos mais próximos, foi o único que não conseguiu ser educado. Mais interessado na política judaica nacionalista, não permitiu que isso ocorresse. Jesus logo percebeu essa sua “esterilidade espiritual” ou egocêntrica, deixando que o tempo mudasse sua natureza. Paulo de Tarso teve o mesmo problema. Ambos seriam "salvos" por suas mediunidades. Cada um no seu ritmo, cada um no seu tempo.

Numa determinada época da sua militância, Rohden teve que desligar-se da Igreja e, ainda sob a proteção de amigos jesuitas, estudou em diversos países europeus e ensinou em universidades americanas. Também viajou muito pelos cenários místicos da Ásia, que sabia ser a principal raíz histórica das concepções religiosas que hoje predominam no Ocidente. Se orgulhava muito de ter convivido com Albert Einstein durante sua estadia na Universidade de Princenton, não como motivo de vaidade, mas de espanto ao constatar no dia-a-dia a genialidade e o modo de vida simples e tranquilo do grande revolucionário da Física. Todas essas experiências seriam registradas em ensaios publicados inicialmente pela Editora Vozes, de orientação católica, e depois pela sua própria organização educacional, fundada em São Paulo na década de 1950. Além dessas publicações, a Fundação Alvorada oferecia regularmente cursos aos leitores interessados no aprofundamento das idéias e práticas “univérsicas”, um interessante conjunto de conhecimentos unindo a tradição espiritual e a modernidade científica contemporânea.

Sabe-se que o célebre filósofo catarinense teve grande influência do também padre jesuíta Pierre Teilhard Chardin que – como ele – extrapolou os limites da clericalidade conservadora para mergulhar nas novidades antropológicas da paleontologia. Chardin buscava Adão e Eva fora da teoria mitológica da Bíblia e também da simplificação zoológica evolucionista. Ambos naturalmente caíram na heresia e isso de certa forma os assemelhou aos pensadores espíritas. O mesmo ocorreu com Pietro Ubaldi, médium de sintonia fina raríssima e crítico da teologia das igrejas cristãs . Como todo bom jesuíta, Rohden queria entender o fenômeno humano e compreender, ou pelo menos se aproximar, da natureza que ele denominou “misteriosa”, tal qual a natureza do Criador. “O mistério, do grego mystés, é tudo que transcende a zona empírica dos sentidos e o mundo do intelecto”, afirma ele, ao comentar um dos versículo do apócrifo “Evangelho de Tomé”, encontrado no Egito em 1941.

Nos textos de Rohden não encontramos nada que se refere aberta e objetivamente à existência do espírito, como fenômeno científico observável, ser individual pensante e sobrevivente da morte, com propôs Kardec. Rohden também não fala em reencarnação, assunto que ele admitia não aceitar, por limitação ideológica. Sobre a pluralidade de mundos, afirmava que este era um assunto óbvio, pela própria natureza do universo. No entanto, quando discorre sobre os temas clássicos da mística filosófica judaico-cristã (que ele distingue do misticismo pagão) explica com habilidade impressionante os fenômenos psicológicos resultantes da revolução existencial humana durante as peripécias do Espírito na carne. 

Ná década de 1950, o professor foi um dos convidados históricos de Edgard Armond como conferencista de outras agremiações religiosas e filosóficas que se apresentaram na FEESP. Não via o Espiritismo como escola filosófica bem delineada e por isso não vislumbrava sua expressão como práxis social. Quando refletiu sobre isso, demonstrou uma grave preocupação com o futuro da doutrina, se referindo ao risco de sectarismo que já contaminava a juventude do nosso movimento. Para ele o Espiritismo cairia num gravíssimo erro se fosse transformado numa teologia, pois iria certamente se distanciar da verdadeira mensagem do Cristo. Seria o mesmo erro histórico dos católicos e protestantes ao elegerem a crença nos dogmas como ponto máximo da realização espiritual, abandonando o esforço individual. Trocaram os fins pelos meios. Numa conferência gravada em 1978, Rodhen diz em tom irônico: "Crer na caridade e na reencarnação não é condição essencial ou finalidade da nossa existência. Crer nos Santos , na Missa e no poder do Sangue de Jesus também não são finalidades e sim meios de realização espiritual".

Em “Novos Rumos para a Educação”, ele aponta o trabalho de Kardec como o mais aceitável elo histórico entre a modernidade e a antiguidade cristã, desde que não se enveredasse pelo fanatismo teológico-religioso e também pelo sectarismo partidário filosófico. Certa vez citamos uma interpretação sua de algumas parábolas de Jesus durante uma palestra num centro espírita. Alguém da platéia (e também do stablishment ) se sentiu ofendido e nos “lembrou” que as interpretações “espíritas” de Cairbar Schutel eram “muito melhores”, pois ele era um “verdadeiro espírita”. Naquela momento ficamos divididos entre a decepção e a tristeza e pudemos compreender exatamente o que Rohden quis dizer sobre os perigos do sectarismo. Sentimos vergonha do rótulo “espírita”. Se tivéssemos falado de Spinoza, Hegel, Heideger ou Kant, provavelmente ninguém teria coragem de reagir. Mas como falamos de algo simples e que repercutiu imediatamente na ferida emocional da platéia, logo veio o troco.

Aliás, é incrível como fazemos um tremendo esforço para inserir filósofos e educadores clássicos no universo espírita, como se isso fosse melhorar a aceitação do Espiritismo entre os intelectuais e principalmente entre os orgulhosos. Perda de tempo. O Espiritismo veio para confundir esse tipo de gente, segundo o Espírito Verdade. As religiões e partidos dogmáticos são fundados e perpetuados dessa forma. Seria mais útil se mostrássemos como essas filosofias são limitadas e pobres, pois não conseguem ultrapassar as barreiras enganosas do pensamento e da vaidade. É por isso que os teimosos nunca mudam de opinião. Somos escravos do pensamento e nos apegamos demasiadamente às idéias, bloqueando as possibilidades ilimitadas das emoções e dos sentimentos. Nessa questão os adultos deveriam agir como crianças e os homens se comportarem como as mulheres. É por isso também que parecemos tolos diante dos verdadeiros sábios, que olham para nós penalizados com tanta ingenuidade. Essa é a sensação que sempre temos ao ler os textos de Huberto Rohden.


Ps. Ainda hoje nos perguntamos: será que Rohden, após sua desencarnação, mudou de ponto de vista sobre a pluralidade das existências?

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

ANSEIO DO SILÊNCIO

Comentário(s)

Estou cansado de falar,
De falar com os homens,
De falar comigo mesmo
Estou cansado até de falar com Deus...
Todas as minhas perguntas,
Ruidosas,
Insistentes,
Sangrentas,
Esbarram sempre com muralhas de granito,
Resvalam sempre de paredes marmóreas,
Agonizam sempre, exaustas, sem resposta...
Por que todo esse falar?
Esse intérmino interrogar?
Esse estéril pesquisar?
Resolvi substituir o ruidoso falar
Pelo silencioso calar.
O ruído é dos homens,
O silêncio é de Deus.
Voltei as costas aos dias ensolarados
Da minha inteligência consciente,
E abismei-me na noite estrelada
De minha alma intuitiva,
Essa alma que não é minha,
Mas do universo de Deus.
E pus-me a escutar a melodia
Do magno silêncio
Que envolve a luminosa escuridão
Do grande Anônimo de mil nomes.
E, quando desci ao ínfimo nadir
Do meu silente Nirvana,
Atingi o supremo zênite
Do teu solene Himalaia,
Ó taciturna Divindade...

Fundiram-se então, em místico amplexo,
O meu silêncio do Aquém
E o teu silêncio do Além...
E eu compreendi o Incompreensível...
Conheci o Incognoscível...
Dei nome ao Inominável...
Disse o Indizível...
E do fundo dessa vacuidade do silêncio
Brotou a plenitude da sapiência...
Que me veio das grandes profundidades
E das excelsas altitudes...

Ai! como o velho ruído me falsificou!
Como me roubou a felicidade
Que devo a mim mesmo!...
Ah! como esse novo silêncio me purifica!
Como me restitui a fidelidade
A mim mesmo!...
Como me re-virgina
De todas as minhas prostituições!
Como me restitui a castidade
Do meu divino Eu!
Como me envolve e penetra
Com a sacralidade das fontes eternas!

Refugiei-me, dentro de mim mesmo,
À solene solidão das matas,
À vastidão dos desertos,
À pureza das montanhas
E cessou a tormentosa tensão dos nervos,
Adormeceu a insensatez da vida profana
E sinto sossego de mim mesmo...
Convalesci da enfermidade dos ruídos
Para a grande sanidade do silêncio...
Calei-me
E Deus me fala...

(Escalando o Himalaia - Huberto Rohden)


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