FILOSOFIA UNIVÉRSICA (Huberto Rohden)

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Filosofia Univérsica é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!

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sábado, 13 de fevereiro de 2021

"CONVERSANDO COM O WAGNER", DOMINGO, DAS 16:00H ÀS 17:30H

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Caros, bom dia para todos! 

No nosso "Conversando com o Wagner"¹ do último Domingo (07), estendemos o horário e ficou combinado uma troca de ideias de 1h30mins -  Não mais uma hora (1:00h) somente.  Também resolvemos ajustar o início do bate-papo que mudará das 19:00h para às 16:00h (Horário de Brasília).  Sendo assim, fica mantido 1:30h de bate papo, com início marcado para 16:00h do mesmo dia (Domingo).

Atenciosamente, 

Aloísio Wagner, 
Eronildo Aguiar

_______________
¹Para acessar o Chat de Voz do Grupo Huberto Rohden | Telegram, clique aqui

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Reencarnação e genialidade Por Aloísio Wagner

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Por Aloísio Wagner

Primeiro é preciso lembrar que a genialidade não é uma condição exclusiva de qualquer arte, mas em todas as artes, ciências, filosofia e religião.

É natural que todo gênio de uma determinada área necessite em um dado momento de um primeiro contato com a área em que atuará, que na maioria das vezes são através de sua família essa primeira influência ou nas escolas ou amigos. 

sábado, 15 de abril de 2017

A Lei de causa e efeito no aspecto psíquico, moral e espiritual

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Por Aloísio Wagner 

Conhecemos por meio do ensino escolar as leis da física, e uma delas é a lei de ação e reação (ou de causa e efeito). O que muitos ignoram é que esta lei também tem correspondência em outros campos da existência humana, como no campo psíquico, moral e espiritual. 

As pessoas se sentem livres para pensar e fazer o que bem entender, mas esquecem que o tipo e a qualidade do pensamento e da ação é o que determinará a situação venturosa ou desastrosa de amanhã; podendo ser um "amanhã" próximo ou mais distante no tempo-espaço, migrando para outras existências corporais (para aqueles que conseguem conceber a pluralidades das existências). Jesus disse: "Quem com ferro fere com ferro será ferido". "Cada um há de colher conforme for a semeadura".

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Aproveitar a vida

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Por Aloísio Wagner

Há uma expressão popular que diz: "É preciso aproveitar a vida!" Mas, o que seria este "aproveitar a vida"?

Muitas pessoas entendem o aproveitar com o fazer o que se quer, sem medos, sem culpas, sem receios, sem limites, sem "portas fechadas".  Mas, de onde vem este "querer"?  O que são os nossos desejos? Uma liberdade em ação, sem consciência e equilíbrio com as leis da vida, pode nos conduzir à felicidade? Quando seguimos os impulsos de nossos instintos somos livres ou somos escravos dele?

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sincero. "Sice Cera".

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Por Aloísio Wagner

A palavra sincero é derivada de “sinecera” (sem cera). Em grego, “eilikrinés”, de “eile”, calor ou fulgor solar, e “krinés”, testado. Literalmente “testado pelo sol”. Os antigos gregos e romanos fabricavam vasos de cerâmica e porcelana finíssima; mas alguns vasos rachavam ao calor do forno; mercadores desonestos tapavam as rachas com cera branca, invisível, da cor do vaso. Somente quando expostos ao calor solar, no mercado, o vaso revelava ser remendado com cera. Por isso os mercadores honestos marcavam os seus produtos com a palavra “sine cera”, (sem cera) em grego “eilikrinés” (à prova do sol). Daí, “sincero”: o que não foi falsificado.

sábado, 18 de março de 2017

Meditação. Morrer para viver

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Por Aloísio Wagner

O homem é um ser que perdeu a consciência de si, de sua verdadeira natureza. Esse estado o colocou na ignorância e o conduziu a erros, e estes, conseqüentemente, ao sofrimento. Os que se libertaram do estado de ignorância sempre surgiram na história humana para nos oferecer recursos, ensinamentos e técnicas de desenvolvimento espiritual. Verdadeiras ferramentas despertativas da essência divina dentro do homem.


sábado, 31 de dezembro de 2016

Ano novo, vida vida nova. Um feliz 2017 para todos.

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

123 anos do nascimento de Huberto Rohden

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Hoje, 30 de dezembro, faz  123 anos do nascimento do professor Huberto Rohden. Em homenagem a esse servidor da humanidade,  transcrevemos um texto de um de seus amigos, na obra Por Um ideal. Nele encontramos o que gostaríamos de dizer nessa data tão significativa para todos nós. A Rohden nossa eterna gratidão e felicitações, esteja ele onde estiver. 

Segue o texto:

“Sua matéria-prima era a mensagem do Cristo. Sua permanente inspiração, o ideal de servir à humanidade. Sua arma, a palavra. Sua vocação, educar a consciência do ser humano. Sua grande obra, a Filosofia Univérsica. Huberto Rohden foi um gênio. Viveu entre nós e nós não o ‘descobrimos’. Na verdade, o mundo ainda não descobriu o pensador e educador Huberto Rohden. Talvez nos falte perspectiva histórica – estamos muito próximos de sua vida e obra. Não vimos a montanha como montanha quando ela está muito próxima de nós. Talvez daqui 50 ou 100 anos o mundo irá descobrir a obra genial desse homem univérsico, dessa força crística que, por quase 90 anos do século XX, passou, silenciosamente, por este planeta Terra”. (Martin Claret)

Parabéns professor Rohden, e obrigado por tudo!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Meditação no dia a dia

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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Condutas e níveis evolutivos

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Eis os três biótipos humanos e suas condutas predominantes, que sobem de nível com a evolução.

Predomina hoje na Terra o homem do segundo nível, com o método da ASTÚCIA. Basta verificar se enganamos, mentimos e iludimos para ganhar vantagem sobre o outro em qualquer negócio, por exemplo na venda de um carro, supervalorizando-o.

O método da FORÇA ainda vige também em grande número, todavia, vem sendo substituído cada vez mais pela ASTÚCIA, em virtude das legislações que inibem o ser de fazer justiça com as próprias mãos, por exemplo.

O terceiro nível, com a psicologia da HONESTIDADE, existe excepcionalmente, mas é o nível de consciência que todos nós teremos de alcançar nesse novo milênio.

Passemos então nós todos, com a coragem que o momento exige, a encarar verdadeiramente a nós mesmos, revendo nossas condutas perante a vida e modificando-as, para tão logo evoluirmos ao nível da HONESTIDADE, inaugurando verdadeiramente uma Nova Era.

Peço muito que eu e você, ao estudarmos este quadro, não projetemos ao outro a conduta inferior ali demonstrada, mas tão somente a si mesmo.

 Que a paz de Jesus reflita em nós!

Baseado no livro Princípios de uma Nova Ética de Pietro Ubaldi.

Por 
Rafael Van-Erven Ludolf

sábado, 6 de fevereiro de 2016

SINCERO. "SINE CERA"

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A palavra sincero é derivada de “sinecera” (sem cera). Em grego, “eilikrinés”, de “eile”, calor ou fulgor solar, e “krinés”, testado. Literalmente “testado pelo sol”. Os antigos gregos e romanos fabricavam vasos de cerâmica e porcelana finíssima; mas alguns vasos rachavam ao calor do forno; mercadores desonestos tapavam as rachas com cera branca, invisível, da cor do vaso. Somente quando expostos ao calor solar, no mercado, o vaso revelava ser remendado com cera. Por isso os mercadores honestos marcavam os seus produtos com a palavra “sine cera”, (sem cera) em grego “eilikrinés” (à prova do sol). 

Daí, “sincero”: o que não foi falsificado.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A IMPORTÂNCIA DO RELACIONAMENTO

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Por Aloísio Wagner

Relacionarmo-nos é antes de tudo conhecer-nos a nós mesmos. O outro é sempre o espelho por onde nos vemos.

Quando estamos em isolamento geralmente não percebemos as sutilidades de nosso ego que se manifesta por meio de nossas relações expressando desequilíbrios, impaciência, vaidade, orgulho, egoísmo, etc. Tornando então fundamental o contato com o outro. 

Nenhum homem ou ambiente tem a capacidade de nos fazer maus ou bons. 

Quando o somos, apenas deixamos externalizar aquilo que já existia em estado latente. Aquilo que estava implícito se torna explícito.  Daí a importância de um entrelaçamento de ideias, pensamentos, sentimentos, pois o homem solitário tem dificuldade de perceber suas doenças e feridas internas, que somente em relação passa a identificar. Muitos inconscientemente fogem e a Lei o alcança, exigindo profundas transformações num trabalho incessante, pois queremos nos furtar ao invés de vê-la como chance e oportunidade de  transformação.


Quando estamos numa relação, somos exigidos pela Lei divina a conquistar a perfeição espiritual. Sedes perfeito como vosso Pai celestial é perfeito, e o termômetro desta perfeição, para nós mesmos, é  compreender e amar, seja quem for, amigo ou inimigo, esposa ou vizinho, conhecido ou desconhecido, aceitando suas limitações e imperfeições, e ajudando-os a alcançar uma consciência mais lúcida. 

Não devemos esperar nada de ninguém. Nem atenção, carinho, reconhecimento, respeito, amor, etc. Nossos atos não devem ter interesse de satisfação de nossos desejos.  Agir esperando uma recompensa é sinal de egoísmo.

Quem busca recompensa externa  ainda não encontrou a substância interna, que é o verdadeiro alimento, que é vida, que é Deus, dentro de nós.   

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

MEDITAÇÃO. MORRER PARA VIVER

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Por Aloísio Wagner

O homem é um ser que perdeu a consciência de si, de sua verdadeira natureza. Esse estado o colocou na ignorância e o conduziu a erros, e estes, conseqüentemente, ao sofrimento. Os que se libertaram do estado de ignorância sempre surgiram na história humana para nos oferecer recursos, ensinamentos e técnicas de desenvolvimento espiritual. Verdadeiras ferramentas despertativas da essência divina dentro do homem.

Cerrar os olhos por alguns minutos ou horas (dependendo do indivíduo), é perscrutar e conhecer seu mundo interior. É observar o fluxo dos pensamentos e conhecer seus conteúdos, tornando-o consciente do que se passa dentro de si. E só quando vemos mais claramente o que se passa dentro de nós, é que podemos fazer algum movimento em sentido corretivo. Só quando percebemos as nossas falhas morais é que podemos dar o primeiro passo para a superação e a transcendência desta falha.

Cerrar os olhos é “fechar-se” por tempo indeterminado aos chamados do mundo, com suas idéias, seus gostos, seus desejos, sua moral, seus julgamentos, seus valores... É desejar entender e compreender a mente, os sentimentos, a alma, a vida! É questionar internamente o sentido das coisas, e não só seguir os passos mecânicos de uma humanidade inconsciente e sofredora. É se perguntar internamente: “Quem sou eu?” “O que estou fazendo aqui?” “De onde vim e para onde vou?” “O que devo fazer?” 

Cerrar os olhos é saber silenciar também nossos desejos, medos, anseios, ambições, carências... É serenar nossos pensamentos e objetivos pessoais e materiais. É apaziguar nossas paixões pelo mundo e projetar nossas atenções para o reino do espírito, que vibra dentro de nós oferecendo sua luz, sua força, sua sabedoria, seu amor! Esta luz é a própria presença do Absoluto, do Supremo, do Infinito, que aguarda nossa iniciativa e nosso esforço de encontrá-Lo. Abramo-nos, concentremo-nos e aspiremos perseverantemente esta Fonte Divina, que é o Pai, afirmando mentalmente e com o coração ardente:

“Senhor, que eu O conheça, que eu O sinta, e que eu o viva conforme Tuas leis e Tua vontade!” 

“Pai, eu te amo!”

Se a busca da Verdade exige-nos uma vontade determinante e um esforço disciplinado mental, também esta busca tem sua outra face,em que  o coração se abre numa atitude de receptividade e entrega infinita ao Alto, ao Centro Dinâmico-Doador, que é Deus! Mas a recepção de Tua Verdade e de Tua Graça, em níveis mais elevados, exige que tenhamos um coração puro, vazio de nós, de nossos interesses próprios, e uma entrega por completo a Ele! E esta entrega é uma morte, morte do ego, morte de uma percepção limitada, para nascer em outras esferas, onde nela permeia e prevalece o princípio da unidade e do amor! 

Meditemos!

domingo, 13 de abril de 2014

Os desafios dos relacionamentos - Parte 2

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Por Aloísio Wagner

 Por onde olhamos, vemos almas esfaceladas e corações amargurados devido o mundo do relacionamento familiar, conjugal e social. Por onde andamos vemos rostos tristes e acabrunhados por causa dos conflitos originados das relações. Por que há tantos atritos e sofrimentos nas relações?

Toda a causa está em nós. A evolução da alma, do espírito, da consciência, inicia-se em estado de ignorância, da não-sabedoria, da não-experiência, o que nos leva a agir tateando no escuro, sem enxergar onde pisamos e sem a noção correta para "onde" vamos; o que conseqüentemente nos leva a tropeçar, cair e nos machucar. Não adianta colocarmos culpa no objeto que estava à nossa frente, na parede, no chão de concreto, na coluna de aço onde batemos a cabeça. É imprescindível que acendamos a luz para corrigir nossas falhas; para que saibamos exatamente "onde" estamos pisando e para "onde" vamos.

Iluminar o ambiente escuro da casa se faz gradativamente, mas também proporcional à procura e o esforço de cada um. À medida que nossa consciência vai despertando sua luz, ela vai se direcionando com maior clareza, sabendo "onde" colocar os pés para lhe dar maior segurança.

A saída do estado de ignorância para a sabedoria requer interesse, dedicação, esforço, disciplina, trabalho, concentração, perseverança, paciência. Vários degraus precisam ser superados, um a um, até atingirmos o patamar superior onde há uma grande sala de recepção para a "ceia" divina, onde colhemos todo o fruto do esforço e trabalho, que nos traz paz, alegria e felicidade. 

O estado de ignorância indica a presença também de defeitos arraigados em nós: o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a inveja, a ambição, etc. Este é um estado doentio, que nos separa do outro. O outro é sempre um obstáculo e inimigo para atingirmos os nossos fins. As relações geralmente são "saudáveis" até onde o interesse de um é admitido porque outro também vê seu interesse sendo realizado. Quando um dos interesses se torna lesado, onde havia amizade ou "amor", passa existir ódio, vingança e mágoas.

O estado de ignorância é um estado germinal da conscientização de si mesmo, dando origem ao amor-próprio, e com a conseqüência da percepção da separatividade de tudo o que existe. Ele não consegue perceber que há uma "malha" oculta e invisível que nos liga um ao outro e a Deus. Tudo que fazemos ao outro estamos fazendo a nós mesmos, porque estamos interligados pelos "fios" divinos da criação, do Uno e da Fonte de onde fluímos juntos. Assim como dois galhos e duas folhas de uma árvore tem suas individualidades, elas se ligam e se alimentam pelo mesmo tronco, e por este mesmo tronco se liga aos outros galhos e às outras folhas.

Combater o outro é combater a si mesmo. Transformar o outro é transformar a si mesmo. Quando uma folha se contamina por uma praga, ela transfere pela multiplicação para toda árvore. Ajudar aquela folha individual é cuidar e ajudar a saúde do todo, do coletivo.

Quando um ladrão nos rouba, ele tem a sensação de ganho, e se sente mais forte e inteligente na difícil caminhada da vida que é feito de individualismos e interesses próprios. O roubado se sente humilhado e prejudicado, porque também acredita que aquele objeto que estava em suas mãos é de sua propriedade. Esta é uma fragilidade em nossa percepção de uma realidade mais profunda!

domingo, 30 de março de 2014

Os desafios dos relacionamentos - Parte 1

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Por Aloísio Wagner

Qual a finalidade das relações em nossas vidas, seja familiar, social ou conjugal?

Autoconhecimento..

Autoconhecimento não é somente vermos as mazelas e imperfeições que carregamos na periferia do nosso ser, de nossa personalidade, mas também a conscientização de uma natureza mais profunda dentro de nós, onde há luz, sabedoria e amor! Onde nosso Eu é uno com a Fonte Maior e com tudo o que existe.

Como superar esta barreira ilusória que nos leva a identificação com a nossa personalidade? Com conscientização. Seja pela meditação profunda, como, e principalmente por meio de todas as relações que surgem em nossas vidas.

Podemos buscar várias coisas nas relações. Carências, desejos, prazeres, confortos, segurança, etc., mas a Lei divina busca o nosso autoconhecimento, que redunda na nossa transformação, que tem por fim a nossa felicidade. Felicidade não é algo que conquistamos fora de nós. Não é a profissão destacada; o dinheiro e bens acumulados; não é conforto; não é o bom marido ou esposa, com filhos; não é ter bons amigos e familiares, não é a boa casa e nem a admiração e respeito que podemos ter pelas pessoas; e não é a ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com as infinitas adversidades, tendo no coração, compreensão, paz e amor pelos outros.

Felicidade é produto da realização das virtudes que temos em estado potencial. Despertá-la, é "acordar" a luz que está dentro de nós! Esta luz é a essência de Deus, da verdade, da justiça e do amor inerente em nossos espíritos, porque efeito da causa original que é Deus. Felicidade é exclusivamente uma conquista interna, no campo da alma, do espírito. É conhecer de fato nossa realidade espiritual. É ajustarmos às Leis Superiores que nos governam, sob os princípios do amor, da união e da fraternidade.

Finalmente, sejamos gratos por cada pessoa que passa pela nossa vida. Sejam aquelas que nos ensinam por expressar sabedoria e bondade, ou aquelas que expressam ignorância, arrogância e orgulho, e que precisamos também apreender o que nos trazem de bom.  São estes últimos que revelam os piores "monstros" e "demônios" que existem dentro de nós,  exigindo um trabalho hercúleo e concentrado. Se despertou em nós o desequilíbrio, a impaciência, a raiva e o ódio, não foi exatamente esta classe de seres que fez surgir em nós estas mazelas, estes foram apenas ferramentas da Lei divina para nos mostrar as "doenças" ocultas que estão dentro e nos conduzindo para a "morte".  

Não percamos tempo de culpar os outros por aquilo que estamos vivendo ou sentindo. Ao contrário, sejamos sempre gratos à Vida e a Deus por colocar cada pessoa em nosso caminho, porque cada um traz um elemento específico, um alimento particular, ou um medicamento peculiar para a cura de nossas almas.

Quem dirige o destino do mundo, do universo e de nossas vidas? Uma Lei Cósmica, perfeita, expressão Daquele que é a Perfeição, o Pai.  Nada acontece por acaso em nossas vidas. Num universo regido pela Ordem, tudo caminha para ser também ordenado e justificado. Não tenhamos medo da crucificação, porque após a crucificação ocorre a ressurreição, a ressurreição das virtudes que estavam dormentes em nossas almas, e ao acordar e despertar, nos faz tomar conhecimento e dá a sensação da presença do Pai, que nos ilumina com Seu Amor!

***

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domingo, 9 de março de 2014

Amar faz sofrer?

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner

Poderia alguém que ama, sofrer? Amar gera sofrimento?

Esta é uma confusão sutil que ocorre com muitas pessoas. É uma deturpação inconsciente de uma realidade maior onde a mente nos engana.

Para entendermos melhor esta questão, temos que compreender qual o verdadeiro sentido do amor. O que é amor? Segundo os mestres, a definição mais simples e objetiva é: Deus! Deus é Amor! Onde há amor, há integração com a Consciência Cósmica! Onde há amor, há felicidade permanente. Onde há amor, há gozo, alegria, paz, coesão, união, doação, humildade, etc. O amor real é a soma de todas as qualidades e virtudes do espírito, ou melhor, é a essência do próprio espírito, porque essência de Deus. É o desabrochar da substância divina que há em cada um.

Mas, por que então o ser humano acredita que amar faz sofrer?

Porque nestes casos ele acredita que seu amor é puro, o que na verdade não o é; ele está fortemente manchado com a presença do egoísmo e do orgulho, e é esta presença do egoísmo e do orgulho que faz o homem sofrer. Este sofrimento é o reflexo e a consequência necessária para retirar o homem de suas limitações, de sua cegueira, de sua ignorância, e impulsioná-lo para a verdade da perfeição em direção à Lei, ao Único, ao Absoluto, ao Perfeito. 

Sem as desilusões que surgem no caminho de cada um de nós, não há como superar o estado anterior da ilusão. E não superando este estado, continuamos na ignorância de que alguém ou objetos externos podem nos fazer feliz. Como nos libertar desta ilusão? Desiludindo-nos! Enxergando com clareza esta deturpação da mente. Discernindo melhor aquilo que é verdadeiro daquilo que parece verdadeiro.

Este sofrimento é um reflexo e consequência natural de nosso apego àquilo que nós doamos, seja material ou sentimentalmente, e que esperávamos retorno desta doação, onde não tivemos. Sentimo-nos então, fracos, descompensados (porque não compensados), traídos, etc.

Quanto que, amar, é doar-se integralmente e desinteressadamente em benefício do outro. É nos sentirmos felizes com esta doação, porque desejando realmente o benefício do outro, e não o nosso, nesta doação. E Deus, que é o próprio Amor, estará presente nesta doação preenchendo a alma de quem doa, fazendo-o mais forte, e mais feliz!

Amar é estar unido ao Criador, fonte de sabedoria, luz, harmonia, paz, consciência, vida! E onde há estes predicados não pode haver sofrimento.


Amemos, porque amar é crescer em direção à felicidade e não do sofrimento!

sexta-feira, 7 de março de 2014

APROVEITAR A VIDA

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner

Há uma expressão popular que diz: "É preciso aproveitar a vida!" Mas, o que seria este "aproveitar a vida"?

Muitas pessoas entendem o aproveitar com o fazer o que se quer, sem medos, sem culpas, sem receios, sem limites, sem "portas fechadas".  Mas, de onde vem este "querer"?  O que são os nossos desejos? Uma liberdade em ação, sem consciência e equilíbrio com as leis da vida, pode nos conduzir à felicidade? Quando seguimos os impulsos de nossos instintos somos livres ou somos escravos dele?

Nossos desejos geralmente têm suas raízes em nossos instintos, que nos conduz cegamente para a realização dos mesmos, atendendo uma necessidade de sobrevivência material, mas que os homens em geral se escravizam no ato do prazer. Mas qual é a finalidade da existência material? Comer, beber, conforto, sexo, viajar, status, distrações, brincadeiras, trabalho, conquistas? Não há como negar estas necessidades, mas enquanto elas exercem um poder sobre nós somos escravos delas, e não senhores de nosso destino. Somos como uma carroça com cavalos sem condutor, entregue aos instintos, dirigido para um abismo qualquer, de dor e de sofrimento.

Instinto é uma realidade profunda, mas que atende a uma necessidade básica da vida: Existência física! Mas somos somente "entes" físicos? Nossas emoções e pensamentos estão também atreladas a esta força telúrica que nos "impõe" certas reações, que nos comanda, que nos limita. Contudo, além dos pensamentos e das emoções há um campo da consciência a ser conhecido e revelado, e que é uma parte do nosso inconsciente, e que alguns mestres chamam de super-consciente. Nele há uma força especial, porque dotado de uma sabedoria mais ampla e completa em relação à existência. Nele há uma luz e sabedoria que nos mostra uma nova percepção e finalidade da vida. Nele há uma doçura e leveza que faz de nossas mais amargas experiências e provações uma aceitação ativa que transpõe os limites do concebível, entregando-se nos braços do Amor.

Amigo(a), não se contente com aquilo que você faz; busque sempre entender e intuir pra onde tudo encaminha. A vida não pode parar ali, onde termina as nossas sensações de prazer, seja ela qual for.  Estas sensações passam, e a vida deixará num fundo do copo o "nada", o "vazio" da não-realização de nossa consciência. Nosso Eu mais profundo, o espírito que somos, essa essência divina, segue outros objetivos e anseios, e quer se revelar, quer ser perceptivo, diferentes dos instintos que se limitam à vida física; é preciso conhecê-lo! É preciso desbravar a floresta escura da mente e dos pensamentos e transpor para outras regiões internas de luz e de paz que jazem no fundo de nós! É preciso diariamente auscultar e investigar nosso interior! É preciso silenciar nossos pensamentos e emoções para "ouvir" a Voz que nos fala, quando nos colocamos aptos para escutá-la!

Seguir esta luz interior nos faz assumir outra postura perante a existência, onde se pode trabalhar e participar de todos os embates da vida, mas com um olhar renovado, com os braços e pernas sabendo "o quê fazer" e "como fazer"; com o coração revigorado e alimentado, pela presença do Pai, que nos faz uno com Ele, e com todas as suas criaturas!

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

ORAR, PRA QUÊ?

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner

Na história de todos os sábios, profetas, mestres e iniciados, sempre existiu a presença ativa da Oração e suas recomendações. Assim como nós necessitamos do alimento material para sobrevivermos fisicamente, da mesma forma necessitamos do alimento espiritual para nos tornarmos vivos espiritualmente! 

A Oração tem como papel inicial a harmonização e o fortalecimento de nosso ser na senda espiritual, em nossa caminhada evolutiva. E em segundo plano, o serviço a humanidade. De que forma? Orando por ela. Desejando para ela aquilo que desejamos para nós: a cura de nossas chagas morais e a transformação de nossas consciências. E pensando e mentalizando numa humanidade feliz, solidária, fraterna, humilde, consciente, alegre, sincera, honesta, amiga, justa, amorosa, em paz. Buscando que este ideal seja uno com nossa mente, com nossas emoções e com nossa vontade. Fazendo com que, aquilo que estamos pensando esteja vibrando também no centro de nossos corações, para que o amor verdadeiro desabroche em nós neste momento especial. 

O recolhimento deve ser feito diariamente; se possível em um local adequado, silencioso, limpo; sem a presença de incômodos e intrusos. Procurando realizar, se possível, no mesmo horário. E se possível também, realizar este trabalho de oração em grupo. A força de um grupo com o mesmo propósito gera milagres. O resultado destas forças em conjunto, em união, tem efeitos inimagináveis para nossas mentes.

Estimulem-se e prontifiquem-se a este trabalho, a humanidade precisa e nós precisamos muito mais. 

Mas, o que é orar? 

Orar é comunicar-se com a Divindade, com a Fonte, com o Uno, com a Consciência Cósmica, com a Lei, com Deus! 

É concentrar todas as energias do coração, da mente, da alma, para unirmo-nos a Ele! 

É buscar compreender a Sua vontade num esforço para colocarmo-nos em prática no dia-a-dia! 

É buscar a luz da Sabedoria d'Ele, que há em nós, mas com vontade determinante!

É buscar o calor do Amor d'Ele, que também há em nós, mas para distribuí-lo aos homens e a toda a natureza em derredor, com discernimento e sabedoria! 

É abrir as nossas almas, desnudando-nos perante Ele, conscientizando-nos de nossas deficiências e pedindo-O a Sua Força e Sua Luz, para curar nossas doenças, fraquezas e ignorância!

É desejar sinceramente e com afinco a nossa transformação!

É se esforçar nesta comunhão, de ser o que somos na essência, em nosso centro mais profundo: “a imagem e semelhança de Deus!”

É buscar sentir todas as criaturas de Deus, abraçando-as em nosso íntimo, aceitando-as, admitindo-as, em nossos corações!

É agradecer profundamente ao Pai, pela nossa existência e por tudo que nos assiste, por tudo que somos, e por tudo que temos! 

É agradecer e reverenciar toda a infinita Hierarquia Espiritual, que são os instrumentos de Deus, colocando-nos disponíveis para ser também um elo consciente do Amor e Sabedoria de Deus que se expressa através de todos os seres!

É adorar, com todas as nossas forças, com todo o nosso coração, com toda a nossa mente, com toda a nossa alma, Ele, o Único, o Absoluto, o Alfa e o Ômega, o Princípio de todas as coisas, a Mente Cósmica, o Incriado, a Vida Maior, o Amor, a Justiça, a Verdade - Deus!

Que Este nome se torne um gozo e uma alegria ao pronunciarmos, ao pensarmos, ao intuirmos!

Silenciemos sempre, para ouvirmos e auscultarmos a Tua voz!

Doce Eterno, Te amamos!

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

QUEM É NOSSO INIMIGO?

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner


O “inimigo” que aparece em nossas relações assumindo diversas facetas como o antipático, o arrogante, o mentiroso, ou até mesmo aquele que nos quer prejudicar fisicamente ou moralmente, quem é este misterioso personagem? Por que ele foi cruzar logo nosso destino? (Poderíamos perguntar).

Quando penetramos um pouco mais nos mistérios da alma, percebemos cada vez mais a presença de Leis que nos governam e que nos impulsionam para objetivos maiores que a superfície do intelecto não concebe de imediato, vamos então assumindo uma postura cada vez mais de aprendizes e alunos do Cosmos; vendo em cada coisa e situação as "Mãos" de Deus trabalhando em nossas almas e nos dirigindo para propósitos nunca dantes imaginados; e um destes propósitos é a evolução, a transformação de nossas consciências, porque só ela nos aproxima d'Ele, e só esta aproximação preenche nossas vacuidades nos plenificando com a substância de Si, e nos tornando íntegros, sábios, bons e felizes!

Quando o nosso inimigo nos ataca, ele pode nos humilhar ou inferiorizar, mas não tem a autoridade de fazer com que nos sintamos humilhados e inferiorizados; esta é uma atitude nossa e de nossa responsabilidade e autonomia; nossos inimigos não têm as chaves secretas de nossas almas que só é liberado o acesso interno com a "senha" disponibilizado por nós!

Quando o nosso inimigo nos agride, isso demonstra que ele está espiritualmente doente, necessitando de nós uma atenção e compreensão especial; se reagimos com raiva ou se guardamos mágoas, deixamos que as sombras dentro dele desperte dentro de nós nossas sombras também. Passa a haver uma ressonância e correspondência energética de mesma vibração; em outras palavras, denuncia dois doentes que precisam se curar. Aquele que busca ver além das aparências o ser doente e necessitado de auxílios pode vislumbrar no âmago do seu opositor um ser sadio e luminoso que apenas aguarda no tempo-espaço a oportunidade para viver, aprender e se transformar! 

Inimigos são aqueles que acabam denunciando nossas falhas internas, caso algo negativo se aflore em nossas mentes, emoções e ações. Contudo, são instrumentos inconscientes da Lei divina que nos quer transformar, quer nos fazer mais conscientes, puros, bons, perfeitos. A Lei divina precisa nos mostrar claramente nossas falhas e doenças para que curemos, já que voluntariamente não buscamos com afinco, ou mesmo que buscamos, nossos esforços geralmente são insuficientes para enxergar todos os pontos falhos, o que necessita uma intervenção divina a nosso favor.

Sejamos gratos à Vida e aos chamados “inimigos”; amanhã, quando nossos olhos da alma se abrirem e formos purificados pela graça do amor, veremos quanto devemos aos nossos supostos inimigos. Inimigos do ego, mas amigo de nossa conquista espiritual, de nossa auto-realização, em Deus!

"Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem". (Cristo)

sábado, 25 de janeiro de 2014

TESTEMUNHO DE GRATIDÃO

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner

Gostaria de compartilhar com vocês o testemunho de uma jornalista, publicado no jornal Vanguarda em Julho / Agosto de 2001, e que por sua vez, acho muito bonito e emocionante:

"Testemunho de Gratidão

Há 34 anos atrás, jovem e atravessando um período de imbecilidade e pretensão, julgava-me o centro do mundo. Criada em colégio de freiras e numa família católica, perdera a fé e julgava essa perda definitiva, o que me angustiava um pouco. Não. Eu não acreditava nem mesmo em Deus. Pouco antes numa coluna que mantinha na revista “O Cruzeiro”, escrevera uma crônica: “À procura de Deus”, e recebera cartas do Brasil inteiro, de quase todas as religiões existentes, tentando ajudar-me. Procurei quase todas. Nenhuma me convenceu. Por simples curiosidade fui visitar Chico Xavier, e, sem me identificar e nem dizer-lhe uma só palavra, ao atravessar a multidão e aproximar-me dele, vi-o estender-me a mão e sorrir-me com as seguintes palavras: “Não se torture procurando Deus nos templos, nas igrejas ou nos centros espíritas, minha filha. Procure-O dentro de você.” O ato pareceu-me estranho, mas não lhe dei maior importância. Não compreendera.

Nesse ano de 1955, vi num jornal notícia sobre a chegada ao Rio de um famoso escritor italiano – Pietro Ubaldi. Como jornalista, resolvi entrevistá-lo. Não lera seus livros, nem sequer conhecia suas idéias. Era apenas um escritor famoso e, portanto, notícia.

Encontrei no hotel um homem tranquilo e simples, do qual gostei gratuitamente. Magro, ar ascético, olhos de criança boa. Fiz a entrevista, algo chocada com o que ele falou da “Sua Voz” e de seus livros. Classifiquei-o como um sonhador visionário de grande cultura e inteligência, lamentando-o. A entrevista foi publicada na revista “A Cigarra”, de fevereiro de 1956. Despedi-me e ia sair, quando ele me chamou.

- Espere, por favor. Tenho aqui uma mensagem para a senhora.

Senti que devia ser honesta com ele e confessei: “Não se ofenda, por favor, mas não acredito em mensagens do Além, nem mesmo acredito em Deus.”

Pietro Ubaldi sorriu mansamente.Não faz mal. Não precisa ler agora. Um dia a senhora vai ler. Guarde-a. Ela será muito importante para a senhora.

Estendeu-me um papel sobre o qual escrevera algumas linhas. Sem olhar, tomei o papel, colocando-o dentro de um livro, que trazia comigo e despedi-me. Esse papel, utilizei-o como marcador de leitura desse livro. E, esqueci-o. Nem por um instante, senti vontade de ler o que ali estava.

A vida me poupou nos anos seguintes. Um casamento desfeito de forma mesquinha e revoltante, uma mudança de cidade e de caminhos; tive de trabalhar para sobreviver. Recebi convite para um emprego em São Paulo, como redatora numa agência de publicidade. Ambiente frio, hostil e entre tantos desconhecidos.

Na noite de 31 de Dezembro de 1962, encontrava-me sozinha em meu apartamento. Recusara todos os convites para “reveillons”, e preferia fazer um retrospecto de minha vida, à sós. Chovia muito. Eu ouvia as gargalhadas, o estourar das champanhes, a música, os cantos que vinham de outros apartamentos. E senti a solidão em sua plenitude. Que era eu? Uma escritora insatisfeita consigo mesma e com seus livros. Nenhum filho vivo. Que valor possuía a vida? Porque persistir na farsa de sorrir, viver levianamente, fingindo encontrar prazer em coisas fúteis como ganhar dinheiro, vestir-me bem, namorar, dançar, suportar os olhares sempre iguais da cobiça masculina? Estava farta.

Decidi que não enfrentaria 1963. Andei pelo apartamento povoado apenas de meus fracassos idealistas e ingênuos. Era hora de parar. Cheguei à janela. Morava no 13° andar, na avenida Paulista. Lá fora, o vazio de sempre. Homens e mulheres se embriagando para afogar suas próprias decepções. E, lá embaixo, o pátio de cimento a atrair-me. Tão fácil! Um passo para subir no sofá, o segundo no peitoril e o terceiro...a paz. O esquecimento. O Nada como solução salvadora.

Algo, porém, me retinha. O instinto de conservação. Lembrei-me de uma garrafa de conhaque, que comprara para fazer remédio para tosse, e que nem utilizara. Sempre tive a verdadeira ojerisa por bebidas alcoólicas. Fui até à cozinha, abri a garrafa e enchi um copo. Tomei-o de uma só vez, a garganta queimando, engasgando com aquele gosto horrível. Voltei à janela. Dei o primeiro passo planejado, subindo ao sofá encostado à janela. Recuei. Ainda era insuficiente a coragem. Voltei à cozinha, enchi o segundo copo até a borda e virei-o de um trago. Já bêbada, o copo escorregou-me das mãos e espatifou-se no chão. Cambaleando, mas com a mente lúcida, repeti o primeiro passo e, ao dar o segundo, escorreguei no peitoril molhado pela chuva e caí. Não para o pátio, mas sobre o sofá. Perdi os sentidos.

Acordei de madrugada. O mundo inteiro era um silêncio só. A chuva molhara todo o meu corpo. Cambaleando, a cabeça parecendo estourar, levantei-me. Que fracasso! Nem a morte me aceitava! Mas eu estava decidida. Troquei a roupa. Àquela hora, os ônibus e carros trafegavam por ali em alta velocidade. Na madrugada chuvosa, os motoristas não veriam o vulto vestido de negro, que se colocaria à sua frente.

Ao tocar na chave para abrir a porta do apartamento e sair, algo estranho como que me puxou para a estante de livros que cobria toda a parede da saleta de entrada. Estendi a mão maquinalmente e peguei um livro qualquer. De dentro dele caiu um papel aos meus pés. Peguei-o. E lí, sem compreender da primeira vez:

“NESTE MOMENTO EM QUE VOCÊ SE JULGA TÃO DESESPERADA, FILHA MINHA, SINTA O AMIGO QUE ESTÁ AO SEU LADO, COM AS MÃOS SOBRE SEUS CABELOS, OFERECENDO-LHE SEU AMOR, QUE É O MAIOR DE TODOS. DEIXA QUE ESTE AMIGO LHE FALE E CONSOLE. VOCÊ PRECISA VIVER PORQUE ELE O QUER. ACALME-SE E ENTREGUE-SE A ESSE AMOR, FILHA QUERIDA. O NOME DESSE AMIGO É JESUS.”

Reli o papel duas, três, muitas vezes. E então veio-me um pranto convulso. Realmente, eu “sentia”. Sentia mãos suaves que me acariciavam a cabeça. Sentia o calor de um amor imenso aquecendo-me. Sentia o Amigo, no qual “sabia” poder confiar e socorrer-me. Todo o desespero, a angústia, a solidão, o horror pela vida e por meus semelhantes, como que se desfazia naquele pranto.

O papel molhado com minhas lágrimas continuava apertado em minhas mãos. E lembrei-me. A visita àquele homem no Rio. Aquele homem de olhos doces e voz tranquila, estendendo-me a mensagem, que eu desprezara. Fui apanhar o livro, de onde ele caíra. Lá estava: novembro de 1955. Aquele homem sabia. E me dissera: “um dia a senhora vai ler”. Por que? Como? Minha cabeça confusa e fervendo de indagações era um contraste com a paz que descera sobre mim. Somente adormeci quando o dia 1° de Janeiro de 1963, já ia em meio.

Daí para frente, já não mais à procura de Deus, pois Jesus, através de Pietro Ubaldi, O trouxera do mais profundo do meu íntimo, comecei a estudar para compreender melhor o que ocorrera. Comprei “A Grande Síntese”, lendo-o muitas vezes até penetrar nas verdades ali contidas. Li Kardec. Passava horas pensando, analisando, compreendendo os contrastes que dantes me revoltavam.

Nunca mais vi Pietro Ubaldi. Sentia um certo pudor de procurá-lo para lhe contar a verdade. Ao ler a notícia da sua morte nos jornais achei que o fato nunca mais seria narrado, até há quase um ano atrás quando fiquei sabendo da existência da Fundação Pietro Ubaldi, em Campos. Então, cheguei à conclusão de que deveria entregar-lhes este testemunho de gratidão.

Hoje, aposentada e sabendo que aquele pudor era ainda um resto de orgulho humano, escrevo-lhes. No limiar da velhice, sinto-me gratificada por estar viva. Escrevo livros para adolescentes, com meu verdadeiro nome: Lourdes Gonçalves – e mantenho contatos maravilhosos com essa gente miúda que me alimenta a fé e o amor a tudo que é vida vinda de Deus. O dia em que partir, não será mais para fugir e refugiar-me no nada, para abandonar um plano inferior por outro maior. Encontrei Deus em mim mesmo como em tudo à minha volta, tal como predisse Chico Xavier. E com Deus não há solidão. Não há desespero. Não há fracassos. Há apenas a certeza de que a passagem por este planeta Terra é apenas um momento rápido de aprendizado para aperfeiçoamento e volta ao UNO.

E isto devo a Pietro Ubaldi, que me entregou em mãos o recado de Jesus.

Nova Friburgo, Dezembro de 1989.

FLORENCE BERNARD (Pseudônimo da Sra. Lourdes Gonçalves, publicado no ano de 1995, com sua autorização)."


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