FILOSOFIA UNIVÉRSICA (Huberto Rohden)

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Filosofia Univérsica é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!

terça-feira, 11 de novembro de 2014

A MISSA SOBRE O MUNDO

Comentário(s)



Teilhard de Chardin nasceu na França em 1891. Cientista (paleontólogo e geólogo), filósofo e teólogo e, sobretudo, místico, entrou na Companhia de Jesus em l899. Participou de expedições científicas importantes e abriu o campo de sua pesquisa científica ao debate cosmológico e teológico. Dada sua elevada mística alegro-me em oferecer aos leitores deste blog o texto redigido em 1923, quando se encontrava no deserto de Ordos, no interior da China. Não podendo celebrar a Eucaristia, redigiu assim:


A MISSA SOBRE O MUNDO – OFERTÓRIO

“Sendo que uma vez mais, Senhor, não já nas florestas do Ainse, mas nas estepes da Ásia, encontro-me sem pão, sem vinho e sem altar, elevar-me-ei para além dos símbolos até à pura Majestade Real, e vos ofertarei, eu vosso sacerdote, sobre o altar de toda a Terra, o trabalho e o sofrimento do Mundo.

Lá no fundo, o sol vai iluminando as últimas dobras do primeiro Oriente. Sob o véu trêmulo dos seus fogos, a face viva da Terra desperta, estremece e dá início ao seu portentoso trabalho. Colocarei, Senhor, sobre minha patena a messe esperada desse novo esforço. Derramarei em meu cálice a seiva de todos os frutos que serão hoje triturados.

Meu cálice e minha patena são as profundezas de uma alma largamente aberta a todas aquelas forças que, dentro em breve, irromperão de todos os pontos do Globo, convergirão ao Espírito. Que se unam, pois, a lembrança e a mística presença de todos aqueles que a luz arranca ao sono para um novo dia!

Um a um, Senhor, eu os individualizo e amo a esses que me destes como arrimo e como encantamento natural de minha existência, igualmente enumerando cada um dos membros desta outra e tão querida família, que, pouco a pouco, se foi constituindo ao meu redor, a partir dos mais dessemelhantes elementos, das afinidades do coração, da pesquisa científica e do pensamento. Mais confusamente, mas sem esquecer ninguém, eu evoco todos aqueles que se bando anônimo formam a massa incontável dos vivos: os que me cercam e suportam, embora desconhecidos; os que chegam e os que partem; de modo particular, aqueles que na verdade ou pelo erro, junto à escrivaninha, laboratório ou fábrica, acreditam no progresso das coisas e hoje buscarão apaixonadamente a Luz.

Esta multidão agitada, inquieta ou variada, cujo número nos apavora, este Oceano humano, cujo vaivém lento e monótono faz nascer a dúvida no coração mais crente, quero que, neste instante, meu ser harmonize com seu profundo rumorejar.

Tudo quanto, no Mundo, no decurso deste dia, tudo o que decrescer, o que vai morrer, também aquilo, Senhor, que me esforço por enfeixar em mim, para vô-lo encaminhar: eis a matéria do meu sacrifício, o único que desejais.

Outrora, conduziam ao vosso templo as primícias das colheitas e a flor dos rebanhos. A oferenda que realmente esperais, aquela de que tendes misteriosamente necessidade, cada dia, para saciar a vossa fome, para extinguir vossa sede, é o desenvolvimento do Mundo na sua transformação universal.

Recebei, Senhor, esta Hóstia total, que a Criação emocionada ao vosso encanto, vos apresenta nesta nova aurora. Este pão, fruto de nosso esforço, por si mesmo, bem sei, nada mais é que uma imensa desagregação.

Este vinho, nossa dor, nada mais é, infelizmente, que bebida dissolvente. Mas no fundo dessa massa informe, colocastes – tenho certeza, pois o sinto – um irresistível e santificador desejo que nos leva a gritar, desde o ímpio crente: “Senhor, fazei-nos um”.

Na falta do zelo espiritual e da sublime pureza dos vossos Santos, dotastes-me de uma simpatia irresistível por tudo aquilo que se move na matéria obscura – porque irremediavelmente, descubro em mim, mais do que um filho do céu, um filho da Terra – subirei, por isso, nesta manhã, em pensamento, às alturas, carregando com as esperanças e misérias de minha mãe: e ali – na força de um sacerdócio que eu creio só vós me entregastes – por sobre tudo aquilo que na carne humana está prestes a nascer ou perecer, sob o sol que nasce eu chamarei fogo”.
Teilhard de Chardin

Desespero é sofrimento sem sentido de vida

Comentário(s)

Entrevista com o dr. Viktor Frankl - A descoberta de um sentido no sofrimento (parte 1)




"O Desespero pode ser definido nos termos de uma equação matemática:

D = S - S
(Desespero = Sofrimento menos Sentido)" 

"Desespero é igual a sofrimento sem sentido" Viktor Frankl

CASAMENTO E FAMÍLIA

Comentário(s)

Por Divaldo Pereira Franco.
Da obra: Antologia Espiritual.

Diante das contestações que se avolumam, na atualidade, pregando a reforma dos hábitos e costumes, surgem os demolidores de mitos e de Instituições, assinalando a necessidade de uma nova ordem que parece assentar as suas bases na anarquia.

A onda cresce e o tresvario domina, avassalador, ameaçando os mais nobres patrimônios da cultura, da ética e da civilização, conquistados sob ônus pesados, no largo processo histórico da evolução do homem.

Os aficionados de revolução destruidora afirmam que os valores ora considerados, são falsos, quando não falidos, e que os mesmos vêm comprimindo o indivíduo, a sociedade e as massas, que permanecem jungidos ao servilismo e à hipocrisia, gerando fenômenos alucinatórios e mantendo, na miséria de vários matizes, grande parte da humanidade.

Entre as Instituições que, para eles, se apresentam ultrapassadas, destacam o matrimônio e a família, propondo a promiscuidade sexual, que disfarçam com o nome de "amor livre", e a independência do jovem, imaturo e inconseqüente, sob a justificativa de liberdade pessoal, que não pode nem deve ser asfixiada sob os impositivos da ordem, da disciplina, da educação...

Excedendo-se, na arbitrariedade das propostas ideológicas ainda não confirmadas pela experiência social nem pela convivência na comunidade, afirmam que a criança e o jovem não são dependentes quanto parecem, podendo defender-se e realizar-se, sem a necessidade da estrutura familiar, o que libera os pais negligentes de manterem os vínculos conjugais, separando-se tão logo enfrentam insatisfações e desajustes, sem que se preocupem com a prole.

Não é necessário que analisemos os problemas existenciais destes dias, nem que façamos uma avaliação dos comportamentos alienados, que parecem resultar da insatisfação, da rebeldia e do desequilíbrio, que grassam em larga escala.

A monogamia é conquista de alto valor moral da criatura humana, que se dignifica pelo amor e respeito ao ser elegido, com ele compartindo alegrias e dificuldades, bem-estar e sofrimentos, dando margem às expressões da afeição profunda, que se manifesta sem a dependência dos condimentos sexuais, nem dos impulsos mais primários da posse, do desejo insano.

Utilizando-se da razão, o homem compreende que a vida biológica é uma experiência muito rápida, que ainda não alcançou biótipos de perfeição, graças ao que, é frágil, susceptível de dores, enfermidades, limitações, sendo, os estágios da infância como o da juventude, preparatórios para os períodos do adulto e da velhice.

Assim, o desgaste e o abuso de agora tornam-se carência e infortúnio mais tarde, na maquinaria que deve ser preservada e conduzida com morigeração.

Aprofundando o conceito sobre a vida, se lhe constata a anterioridade ao berço e a continuidade após o túmulo, numa realidade de interação espiritual com objetivos definidos e inamovíveis, que são os mecanismos inalienáveis do progresso, em cujo contexto tudo se encontra sob impositivos divinos expressos nas leis universais.

Desse modo, baratear, pela vulgaridade, a vida e atirá-la a situações vexatórias, destrutivas, constitui crime, mesmo quando não catalogado pelas leis da justiça, exaradas nos transitórios códigos humanos.

O matrimônio é uma experiência emocional que propicia comunhão afetiva, da qual resulta a prole sob a responsabilidade dos cônjuges, que se nutrem de estímulos vitais, intercambiando hormônios preservadores do bem estar físico e psicológico. Não é, nem poderia ser, uma incursão ao país da felicidade, feita de sonhos e de ilusões.

Representa um tentame, na área da educação do sexo, exercitando a fraternidade e o entendimento, que capacitam as criaturas para mais largas incursões na área do relacionamento social. Ao mesmo tempo, a família constitui a célula experimental, na qual se forjam valores elevados e se preparam os indivíduos para uma convivência salutar no organismo universal, onde todos nos encontramos fixados.

A única falência, no momento, é a do homem, que se perturba, e, insubmisso, deseja subverter a ordem estabelecida, a seu talante, em vãs tentativas de mudar a linha do equilíbrio, dando margem às alienações em que mergulha.

Certamente, muitos fatores sociológicos, psicológicos, religiosos e econômicos contribuíram para este fenômeno. Não obstante, são injustificáveis os comportamentos que investem contra as Instituições objetivando demoli-las, ao invés de auxiliar de forma edificante em favor da renovação do que pode ser recuperado, bem como da transformação daquilo que se encontre ultrapassado.

O processo da evolução é inevitável. Todavia, a agressão, pela violência, contra as conquistas que devem ser alteradas, gera danos mais graves do que aqueles que se buscam corrigir. O lar, estruturado no amor e no respeito aos direitos dos seus membros, á a mola propulsionadora do progresso geral e da felicidade de cada um, como de todos em conjunto.

Para esse desiderato, são fixados compromissos de união antes do berço, estabelecendo-se diretrizes para a família, cujos membros se voltam a reunir com finalidades específicas de recuperação espiritual e de crescimento intelecto-moral, no rumo da perfeição relativa que todos alcançarão.

Esta é a finalidade primeira da reencarnação.

A precipitação e desgoverno das emoções respondem pela ruptura da responsabilidade assumida, levando muitos indivíduos ao naufrágio conjugal e á falência familiar por exclusiva responsabilidade deles mesmos.

Enquanto houver o sentimento de amor no coração do homem --- e ele sempre existirá, por ser manifestação de Deus ínsita na vida --- o matrimônio permanecerá, e a família continuará sendo a célula fundamental da sociedade.

Envidar esforços para a preservação dos valores morais, estabelecidos pela necessidade do progresso espiritual, é dever de todos que, unidos, contribuirão para uma vida melhor e uma humanidade mais feliz, na qual o bem será a resposta primeira de todas as aspirações.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Antologia Espiritual.
Ditado pelo Espírito Benedita Fernandes.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

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Comentário(s)



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A CIÊNCIA NOS DEIXA DIANTE DE UM PONTO DE INTERROGAÇÃO

sábado, 30 de agosto de 2014

UM CURSO DE PAZ — IV

Comentário(s)

Hora grande e solene

Não vos iludais. A hora que passa é por demais grave e solene. Os poderosos jugam-se com o direito de brincar com o mundo, como quem brinca com uma bola de bilhar. Pensam que a sociedade humana pode ser dividida em dois grupos: eles e os outros; julgam, é claro, que os importantes são apenas eles, e notai que cada um dos poderosos quer ser mais importante que os outros. Engolem-se todos e pretendem engolir e digerir o mundo. Erguei a cabeça contra esses tartufos, contra esses zombadeiros e sabei que os dias deles estão contados. Não vos regozijeis com isto. Amai-os, porque no futuro vereis que também cumpriam o seu papel. Ficai certos de que o pacifismo os deterá desde que esteja baseado no ahimsa e no satyagraha. Digo a vós o que disse a meus irmãos da Índia, quando estive preso. Enquanto a ahimsa ou a “não violência” for a vossa bandeira, tereis um verdadeiro exército invisível a vosso lado, e acrescento agora — mas se, por um só instante, fizerdes o jogo dos poderosos, então não me posso responsabilizar pelo que aconteça à vossa vida espiritual.

Que nos espera no futuro?

Eu seria mentiroso se vos enchesse de falsas expectativas quanto ao futuro imediato.

A iniqüidade se multiplica. O armamentismo é uma das pragas do século e o próprio medo pode pôr tudo a perder em poucos minutos. No entanto, se nos ajudardes, ainda é possível deter, ou pelo menos atenuar essa loucura. O Cosmos não está à matroca e breve as Potências Cósmicas interferirão de maneira decisiva para mudar o curso da civilização. Digo-vos mais: Desde o fim da primeira metade do século o Cristo, o maior dos avatares, está dirigindo mais intensamente a História. É claro que isto não pode ser percebido, se nos obstinarmos no apego à superfície, se nos voltarmos para as aparências. Disse-nos o autor bíblico: “O mundo jaz no maligno”; e realmente na superfície é assim.

”O mundo jaz no maligno”. Mas na essência eu vos afirmo: O mundo permanece em Cristo. Sua presença harmonizadora acabará por colocar tudo em seus lugares. Ai dos que se opuserem à renovação que no momento se opera. Ai dos que se atrelarem às carruagens do passado. Cairão com elas em tremendo desastre. Não vos quero enganar. Depende muito de cada um de vós que as coisas mudem mais rapidamente o seu rumo. Uni-vos e lutai pela paz — eu vos repito —, por todos os meios e modos. Oponde-vos à guerra de todas as maneiras. Dizei aos poderosos que eles não têm o direito de brincar com o vosso destino, nem mesmo com o deles. Cada indivíduo é parte de uma unidade cósmica e essa unidade não pode, não deve e não será desarmonizada.

Concluo dizendo-vos que contamos convosco, porque a paz é muito, é realmente, é absolutamente necessária


Delfos


***

Não transcrevi eu para estas páginas nem uma terça parte do que se passou; naqueles dias muitas instruções ainda foram transmitidas a encarnados e desencarnados. Vários grupos, em dias e locais diferentes, foram reunidos para este curso. E breve o mundo conhecerá as conseqüências da palavra do Mahatma aos pacifistas. Por enquanto, ignoto amigo, estejamos juntos, vigilantes e atentos, porque a hora da renovação é chegada.


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Págs. 102 e 103

sábado, 16 de agosto de 2014

UM CURSO DE PAZ — III

Comentário(s)

O verdadeiro pacifismo

Em primeiro lugar não confundais o pacifismo baseado na verdade com o pacifismo baseado no desespero. Não é pacifista quem ateia fogo às próprias vestes, porque está eliminando com as suas próprias mãos uma vida que seria útil ao seu próximo. Não é pacifista quem apedreja, quem pratica o terrorismo, porque está querendo apagar o fogo com o próprio fogo.

Pacifismo é opção pela paz.

Pacifismo é aceitação da paz.

Pacifismo é luta pela paz.

Uma coisa é vos colocardes na frente de veículos que transportam a morte para evitar que ela atinja os vossos irmãos. Isto é sublime sacrifício em bem da Humanidade. Outra coisa é praticardes, livre e espontaneamente, a violência contra vós mesmos e contra os outros. Isto é suicídio e assassinato.

O pacifismo deve estar baseado na verdade central de que
 vós mesmos sois Paz, apenas ainda não o quisestes descobrir. Oponde-vos de todos os modos e por todas as maneiras pacíficas à guerra. Resisti a qualquer ordem no sentido de violentardes o preceito da paz. Não acrediteis nas bandeiras filosófico-ideológicas com que os poderosos vos procuram atirar uns contra os outros. A guerra só interessa a eles que desejam dominar o mundo. Só interessa aos que vendem armas. Conscientizai-vos disto e vos será mais fácil resistir. Protestai por todos os meios contra a guerra e tudo o que a provoca.

Sobre o jejum

Não vos aconselho o jejum. Pelo menos a vós ocidentais, porque vos faltam as técnicas necessárias para a absorção do prana. Podeis, no entanto, fazer coisa melhor, podeis jejuar no pensamento, na palavra, na ação. Podeis abster-vos de tudo aquilo que prejudique os vossos irmãos, ou que prejudique qualquer ser vivo, por exemplo, o uso da carne para o vosso sustento. Se não vos for, no entanto, possível abolir de todo a alimentação carnívora, abençoai todos os dias os irmãos menores que se sacrificam para que pudésseis existir. Comprometei-vos a guiá-los quando eles atingirem a esfera humana da evolução, porque, ao que tudo indica, e assim o espero, ao chegar essa época estareis muito à frente deles. Fazei isto e breve vos será fácil abdicar de todo da alimentação animal, ainda que tal abdicação se dê na próxima existência.

Pacifismo — Atividade constante

Não vos limiteis, no entanto, à ação coletiva e civil nas ruas, nas fábricas, nos escritórios.

Pacifismo é atividade constante. Deve ser exercido na condução, dentro de casa com os amigos. Sim, com os amigos

Encontrai-vos — insistimos muito neste assunto —, encontrai-vos para orar e encontrai-vos para vos conhecerdes uns aos outros e para conhecerdes a vós mesmos.

Encontrai-vos para trocar impressões.

Encontrai-vos para derramar pensamentos de paz sobre o mundo.

Encontrai-vos para começar a entronizar dentro de vós aquele mundo do futuro que esperais, no qual o cordeiro há de apascentar com o leão e o menino dormirá ao lado da fera.

Fragmentos da Verdade

Quando vos falei das religiões tradicionais, não quis, em absoluto, desrespeitá-las. Todas elas contêm fragmentos da Verdade. E, na medida em que vos aprofundeis em cada uma delas, ultrapassareis os fragmentos e encontrareis a Verdade.

A Verdade é Deus, e Deus não se estoca, não se guarda, não se retém, como quem retém o vapor.

A Verdade é Deus e Deus está em tudo.

É preciso, portanto, que cada grupo religioso ou filosófico se abra aos outros grupos. Que haja diálogo. Há muito que nos esquecemos de conversar. Precisamos reaprender esta arte. Conversar é alternativamente falar e ouvir, mas nós só queremos falar. Falar de nós. Falar de nossas idéias. Expor nossos pontos de vista. Somos como peixes que, concentrados numa poça d`água, julgam que essa poça é o oceano. Somos como alguém que conseguisse concentrar um só raio de luz solar e afirmasse que aquele raio é todo o Sol. É preciso dialogar. É preciso aprender ou reaprender o que cada um tem a ensinar. É preciso que cada um busque as riquezas do seu irmão e se enriqueça com elas.

Amai o vosso semelhante, apesar das diferenças que há entre vós e até mesmo por causa dessas diferenças. Se amardes apenas o que vos ama, que recompensa tendes? — disse-vos o Cristo. Por que rejeitais o vosso irmão? Só porque ele é diferente de vós? Acaso não exiges para vós o direito de serdes vós mesmos? Por que quereis para vós o que recusais ao outro? Não sois ambos água da mesma fonte? Sede vós mesmos, e deixai que vosso irmão seja ele mesmo. Amai-o por causa disso e não apesar disso. Aprendei a ver nele aquilo que vos falta e a dar a ele aquilo que lhe falta.

Compreendeis, agora, que a paz é construção de todo o dia e de toda a hora? Começais a perceber que viver em paz é realmente crescer e enriquecer-se?


Delfos

Matéria relacionada:

UM CURSO DE PAZ IV

sexta-feira, 25 de julho de 2014

UM CURSO DE PAZ — II

Comentário(s)

O fato de estardes ainda, como vos disse, com os pés fincados nos reinos inferiores, vos fez desconfiar uns dos outros e leva cada um de vós a considerar o próximo como o seu inimigo.

E quanto às vossas relações com Deus? Que é feito delas? Na maioria dos casos as religiões, especialmente as religiões ocidentais, vos ensinaram a portar-vos diante de Deus como quem teme um juiz que deve ser aplacado, bajulado. É esse o vosso Deus? Ensinam-vos também essas religiões que este juiz está num céu distante e isso crea dentro de vós a ilusão de que vossas súplicas, vossas orações, lá não chegam porque ainda estais muito presos às férreas gaiolas de espaço e de tempo. Resultado: porque Deus é por demais transcendente para vós, não o adorais, nem sequer o amais. Na maioria dos casos, apenas o temeis. Isso agrava sobremaneira a luta de vós contra vós mesmos, porque vos sentis culpados diante de Deus e a culpa faz com que a vossa alma se fragmente mais e mais. Compreendeis agora por que tudo vos leva à guerra? Compreendeis agora por que tendes todos os motivos, pelo menos na aparência, para estar constantemente em atrito, para vos lançardes em conflitos intermináveis que, mais e mais, vos dividem e infelicitam? Compreendeis agora que é necessário fazer uma verdadeira reviravolta neste caos?

Que é a paz? Estais contentes com este estado de coisas? Agrada-vos essa trepidação constante em que vive a vossa alma? Será que vos satisfaz essa angústia que ninguém consola?

 É preciso buscar a Paz. Mas, que é a Paz?

Paz é inteireza, e só Deus é inteiro.

A Paz é o Absoluto e só Deus é o Absoluto.

Que dizer então? Que jamais obteremos a Paz? Claro que a obtereis. E a obtereis gradativa e infinita, porque vós sois finitos e o finito há de sempre abrir-se para o Infinito. O Infinito nunca cessa de derramar-se sobre o finito. Mas o finito só pode conter o Infinito na medida em que se infinitiza. A Paz é, portanto, a reunião de todos os fragmentos em que está dividido o vosso pobre ser. E essa reunião só pode ser obtida mediante um mergulho no centro de vós mesmos. Buscai a Paz. Mesmo que não acrediteis num Deus transcendente, despertai para a existência dentro de vossa psique, de um centro de equilíbrio, de coordenação de tudo, um centro em que tudo se unifica, se rearmoniza, se reconcilia.

Mas eu vos convidei a uma luta pela Paz. Em que consiste essa luta? Apenas nisto? Em meditar? Em buscar a presença de Deus ou de centros de equilíbrio dentro de nós? Isto? Só isto, e nada mais que isto, seria rematada loucura.

É preciso abrir duas frente de luta contra a guerra. Uma dentro, outra fora de vós. É preciso que de dentro compreendais o que a guerra simboliza e provoca. Que fizeram as guerras até hoje? É verdade, sim, que houve um progresso a partir delas, porque a harmonia do Cosmos sabe aproveitar as desarmonias do caos e sabe fazê-las redundar em benefício do conjunto. Em outras palavras, o Universo sabe aproveitar as próprias desarmonias para rearmonizar-se consigo mesmo e para avançar, para seguir adiante.

Isto não quer dizer que as guerras sejam indispensáveis ou necessárias. É claro, tivesse, por exemplo, Hitler dominado o mundo e seria bem outra, hoje, a sorte da Humanidade, mas, por outro lado, perguntai a vós mesmos: Hitler foi vencido. Mas foi vencido o totalitarismo?

Não, ele ainda ressurge, aqui e ali, algumas vezes declarado brutal. De outras vezes cinicamente disfarçado. Mas ei-lo de cabeça erguida após cada golpe.

É claro, pois se ainda não foi banido de dentro de vós, como quereis vencê-lo fora?

Hitler foi vencido, mais foi vencido o racismo? Atentai para o que se passa em várias partes do Globo e vós mesmos respondereis silenciosamente a esta pergunta. É preciso que a guerra vos canse e apavore. É preciso que tenhais uma indigestão de tudo aquilo que vos separa dos outros. E é o que está acontecendo. Buscai a meditação e todas estas coisas serão uma realidade dentro de vós. Eu vos falei da frente que deve abrir-se em vossa alma. Agora vos falo, ainda que levemente, do que deve ser feito fora de vós.

Delfos

Matéria relacionada:

UM CURSO DE PAZ III


quinta-feira, 3 de julho de 2014

UM CURSO DE PAZ I

Comentário(s)

(Onde e quando começam as guerras)

Um dia fostes expulsos do paraíso de vossa ignorância. Foi a hora em que raiou em vós o intelecto. Vossa consciência, então, se fragmentou. Vosso Eu, até ali quase indiferenciado, se transformou em vários “eus”; cada um de vós é uma cidade povoada de muita gente heterogênea. Vosso ser se transformou, então, no campo de batalha a que se refere o Bhagavad Gita, “A Canção do Senhor”. Arjuna teve que lutar contra o usurpador e essa luta continua até hoje. Inúmeras potências se digladiam dentro de vós, buscando apoderar-se de vosso ser. É aí, e não em outra parte, que começam as guerras. Qual é a conseqüência dessa conflagração interior? Qual é a conseqüência desse esfacelamento em que vos encontrais? Se não estais bem convosco, não estareis bem com o mundo. Ainda sois o animal de ontem que disputa a caça ou o sexo oposto. Ainda estais com o pé fincado no reino do bruto, que busca sobreviver a qualquer preço, que ataca e se defende para auto afirmar-se.

Hoje essa luta de todos contra todos dá-se em várias frentes; dá-se através da luta armada, dá-se através da competição econômica e dá-se através das disputas religiosas. Tudo é motivo para que vos atireis uns contra os outros. Até o esporte, que devia unir-vos, separa-vos, às vezes de maneira irreversível.

Compreendeis, agora, por que só viveis em guerra?

E mais: vossa obstinação em permanecer no reino animal obriga-vos a usardes o corpo de vossos irmãos menores para vossa alimentação. Não podeis compreender ainda o que isto significa em termos de sofrimento e desespero para as vossa vítimas. Não podeis compreender ainda o quanto a matança a um só ser inocente agrava os vossos débitos perante a Lei Universal. Não vos quero conclamar a um vegetarianismo forçado, com estas palavras. Aprendi que todas as grandes realizações se dão espontaneamente, de dentro para fora, não falo apenas a orientais, mas a ocidentais milenarmente acostumados a esse tipo de alimentação, do qual não poderão libertar-se de um momento para outro. Voltarei a este assunto mais adiante.


Delfos  (Livro: Reflexões no Meu Além de Fora - P
ágs. 93 a 95)

Matéria relacionada:
UM CURSO DE PAZ II

domingo, 29 de junho de 2014

ESPÍRITO DO ORIENTE E DO OCIDENTE

Comentário(s)

“O Oriente trilha, por via de regra, o caminho “individual” do saber, isto é, da experiência religiosa pessoal; mas isto é privilégio de uma pequena elite; as massas são incapazes de realizar esse encontro pessoal com Deus, contentando-se com os invólucros vazios de yoga, que para elas são meras fórmulas sem conteúdo.

O Ocidente desenvolveu o caminho “coletivo” do amor, inteligível às massas, a qualquer creatura, por mais destituída de inteligência e preparo – crianças e analfabetos, doentes no fundo do leito ou operários nas fábricas – para todos eles é inteligível a linguagem do amor, e, de fato, só aceitam o cristianismo quando lhes vem na forma internacional e interconfessional do amor.

Infelizmente, o Ocidente, em geral, não deu importância ao encontro pessoal com Deus, sem o qual todo amor social e coletivo é superficial, meramente emocional, acabando naquilo que temos visto e estamos vendo: guerras, ódio de classes, extermínio de raças, conflitos religiosos.

O Oriente não pode aceitar o cristianismo teológico do Ocidente, mas abraçará com entusiasmo o cristianismo do Evangelho, porque vê no Cristo o divino Lógos, o eterno Super-Eu, a alma do homem e do universo.

Assim, a Índia jamais aceitará um Deus vingativo, como aparece na teologia ocidental; nem a idéia de castigos eternos e a absoluta impossibilidade da conversão; nem tampouco a doutrina do pecado original, de um pecado cometido por outra pessoa e pelo qual eu seria responsável; nem a teologia horripilante da redenção pelo sangue de um homem inocente injustamente trucidado pelos pecadores”. 

(Huberto Rohden - Ídolos ou Ideal?)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

MATA O SEPARATISMO

Comentário(s)

É verdade que és uno com todos os seres. É verdade que não caminhas isolado das criaturas de Deus, mas também é certo que tua evolução é só tua. Quando caminhas, impeles outros a caminharem contigo e, por sua vez, outros, quando caminham, te impelem a caminhar com eles; no entanto, se é verdade que vos impelis uns aos outros a caminhar, também é certo que jamais podereis compelir uns aos outros a fazê-lo. Impelir é estimular, compelir é arrastar. As experiências, que vives, podem fazer-te produzir frutos sazonados que alimentarão os outros, todavia é impossível comunicar aos outros a tua própria experiência.

Não dependas deles para crescer, não te apegues ao exterior, coisas ou pessoas para ser feliz. Sê feliz com a felicidade que possa ser construída por ti.

Delfos


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