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sexta-feira, 25 de julho de 2014

UM CURSO DE PAZ — II

Comentário(s)

O fato de estardes ainda, como vos disse, com os pés fincados nos reinos inferiores, vos fez desconfiar uns dos outros e leva cada um de vós a considerar o próximo como o seu inimigo.

E quanto às vossas relações com Deus? Que é feito delas? Na maioria dos casos as religiões, especialmente as religiões ocidentais, vos ensinaram a portar-vos diante de Deus como quem teme um juiz que deve ser aplacado, bajulado. É esse o vosso Deus? Ensinam-vos também essas religiões que este juiz está num céu distante e isso crea dentro de vós a ilusão de que vossas súplicas, vossas orações, lá não chegam porque ainda estais muito presos às férreas gaiolas de espaço e de tempo. Resultado: porque Deus é por demais transcendente para vós, não o adorais, nem sequer o amais. Na maioria dos casos, apenas o temeis. Isso agrava sobremaneira a luta de vós contra vós mesmos, porque vos sentis culpados diante de Deus e a culpa faz com que a vossa alma se fragmente mais e mais. Compreendeis agora por que tudo vos leva à guerra? Compreendeis agora por que tendes todos os motivos, pelo menos na aparência, para estar constantemente em atrito, para vos lançardes em conflitos intermináveis que, mais e mais, vos dividem e infelicitam? Compreendeis agora que é necessário fazer uma verdadeira reviravolta neste caos?

Que é a paz? Estais contentes com este estado de coisas? Agrada-vos essa trepidação constante em que vive a vossa alma? Será que vos satisfaz essa angústia que ninguém consola?

 É preciso buscar a Paz. Mas, que é a Paz?

Paz é inteireza, e só Deus é inteiro.

A Paz é o Absoluto e só Deus é o Absoluto.

Que dizer então? Que jamais obteremos a Paz? Claro que a obtereis. E a obtereis gradativa e infinita, porque vós sois finitos e o finito há de sempre abrir-se para o Infinito. O Infinito nunca cessa de derramar-se sobre o finito. Mas o finito só pode conter o Infinito na medida em que se infinitiza. A Paz é, portanto, a reunião de todos os fragmentos em que está dividido o vosso pobre ser. E essa reunião só pode ser obtida mediante um mergulho no centro de vós mesmos. Buscai a Paz. Mesmo que não acrediteis num Deus transcendente, despertai para a existência dentro de vossa psique, de um centro de equilíbrio, de coordenação de tudo, um centro em que tudo se unifica, se rearmoniza, se reconcilia.

Mas eu vos convidei a uma luta pela Paz. Em que consiste essa luta? Apenas nisto? Em meditar? Em buscar a presença de Deus ou de centros de equilíbrio dentro de nós? Isto? Só isto, e nada mais que isto, seria rematada loucura.

É preciso abrir duas frente de luta contra a guerra. Uma dentro, outra fora de vós. É preciso que de dentro compreendais o que a guerra simboliza e provoca. Que fizeram as guerras até hoje? É verdade, sim, que houve um progresso a partir delas, porque a harmonia do Cosmos sabe aproveitar as desarmonias do caos e sabe fazê-las redundar em benefício do conjunto. Em outras palavras, o Universo sabe aproveitar as próprias desarmonias para rearmonizar-se consigo mesmo e para avançar, para seguir adiante.

Isto não quer dizer que as guerras sejam indispensáveis ou necessárias. É claro, tivesse, por exemplo, Hitler dominado o mundo e seria bem outra, hoje, a sorte da Humanidade, mas, por outro lado, perguntai a vós mesmos: Hitler foi vencido. Mas foi vencido o totalitarismo?

Não, ele ainda ressurge, aqui e ali, algumas vezes declarado brutal. De outras vezes cinicamente disfarçado. Mas ei-lo de cabeça erguida após cada golpe.

É claro, pois se ainda não foi banido de dentro de vós, como quereis vencê-lo fora?

Hitler foi vencido, mais foi vencido o racismo? Atentai para o que se passa em várias partes do Globo e vós mesmos respondereis silenciosamente a esta pergunta. É preciso que a guerra vos canse e apavore. É preciso que tenhais uma indigestão de tudo aquilo que vos separa dos outros. E é o que está acontecendo. Buscai a meditação e todas estas coisas serão uma realidade dentro de vós. Eu vos falei da frente que deve abrir-se em vossa alma. Agora vos falo, ainda que levemente, do que deve ser feito fora de vós.

Delfos

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