SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom estudo!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A AUTO-INICIAÇÃO

Comentário(s)

Hoje em dia, muitas pessoas falam em iniciação. Todos querem ser iniciados. Mas entendem por iniciação uma alo-iniciação, uma iniciação por outra pessoa, por um mestre, um guru. Esta alo-iniciação é uma utopia, uma ilusão, uma fraude espiritual. 

Só existe auto-iniciação. O homem só pode ser iniciado por si mesmo. 

O que o mestre, o guru, pode fazer é mostrar o caminho por onde alguém se pode auto-iniciar; pode colocar setas ao longo do caminho setas ao longo da encruzilhada, setas que indiquem a direção certa que o discípulo deve seguir para chegar ao conhecimento da verdade sobre Si mesmo. Isto pode e deve o mestre fazer - suposto que ele mesmo seja um auto-iniciado. 

Não se iniciou na verdade sobre si mesmo, não possui autoconhecimento, e por isso não pode entrar na auto- realização. 

Somente o conhecimento da verdade sobre si mesmo é libertador; toda e qualquer ilusão sobre si mesmo é escravizante. 

O homem deve, periodicamente, fazer o seu ingresso dentro de si mesmo, na solidão da meditação e depois fazer o egresso para o mundo externo, a fim de testar a força e autenticidade do seu ingresso. 

A verdade que os libertou da velha ilusão de se identificarem com o seu corpo, com a sua mente, com as suas emoções, saíram das trevas da ilusão escravizante, e ingressaram na luz da verdade libertadora. 

E quem descobre a verdade sobre si mesmo, liberta-se de todas as inverdades e ilusões. Liberta-se do egoísmo, da ganância, da luxúria, da vontade de explorar, de defraudar os outros. Liberta-se de toda injustiça, de toda desonestidade, de todos os ódios e malevolências - de todo o mundo caótico do velho ego. O iniciado morre para o seu ego ilusório e nasce para o seu EU verdadeiro. O iniciado dá o início, o primeiro passo, para dentro do "Reino dos Céus". Começa a vida eterna em plena vida terrestre.Não espera um céu para depois da morte, vive no céu da verdade, aqui e agora - e para sempre. Isto é auto-iniciação. Isto é autoconhecimento.

Huberto Rohden

SINCERO. "SINE CERA"

Comentário(s)

A palavra sincero é derivada de “sinecera” (sem cera). Em grego, “eilikrinés”, de “eile”, calor ou fulgor solar, e “krinés”, testado. Literalmente “testado pelo sol”. Os antigos gregos e romanos fabricavam vasos de cerâmica e porcelana finíssima; mas alguns vasos rachavam ao calor do forno; mercadores desonestos tapavam as rachas com cera branca, invisível, da cor do vaso. Somente quando expostos ao calor solar, no mercado, o vaso revelava ser remendado com cera. Por isso os mercadores honestos marcavam os seus produtos com a palavra “sine cera”, (sem cera) em grego “eilikrinés” (à prova do sol). 

Daí, “sincero”: o que não foi falsificado.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

BANDEIRANTES DA INTUIÇÃO

Comentário(s)



"Nossa tentativa não se destina a impor ideia alguma ou a fazer prosélitos. É apenas uma oferta livre, que não obriga ninguém a aceitá-la. Quem estiver convencido de possuir outra verdade melhor e estiver satisfeito com ela, que não a abandone. Quem não gostar de pesquisas no terreno de tantos mistérios que nos cercam de todos os lados, quem não quiser incomodar-se com o trabalho de aprofundar o seu conhecimento, enriquecendo-o com novos aspectos da verdade, fique tranqüilo na sua posição. Não desejamos perturbar ninguém; não andamos em busca de seguidores a fim de conquistar domínio na Terra; não somos rival de ninguém neste campo. O nosso único interesse é a pesquisa para atingir o saber. Este, e só este, é o nosso objetivo, e não o de conquistar poder algum neste mundo. Permanecemos, por isso, com o maior respeito por todas as verdades que o homem possui e pelos grupos que as representam. Respeitamos os campos já conhecidos, embora sigamos por nossa conta explorando novos continentes. Respeitamos as verdades já conquistadas, embora procuremos ver mais longe. Respeitamos todas as religiões e doutrinas, e de maneira nenhuma pretendemos destruí-las ou superá-las, a fim de as substituir por outras. Ensinaremos sempre o maior respeito pela fé e filosofia alheia." 
(P. Ubaldi - Lei de Deus - Cap. 1)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

QUIS ENTRAR NO CÉU DE CONTRABANDO

Comentário(s)

Ó mundo ingrato e falaz!
Ó mundo cruel e avaro!
Por que me negaste tudo
O que eu de ti esperava?...
Adorei-te intensamente,
Idolatrei-te perdidamente...
Da manhã até à noite,
Sem cessar,
Andei em busca dos teus tesouros...
Da manhã até à noite,
Da noite até à manhã,
Engendrando planos e projetos
Para captar a matéria-morta
E a carne-viva que prometes
A teus servidores.
Mas tu me davas precariamente
O que eu desejava em abundância.
Por isto, enojado de ti,
Ó mundo ingrato e falaz,
Abandonei-te, amargurado,
E fui em demanda de Deus.
Voltei-te as costas,
Em mudo protesto.
Falei mal de ti,
Ó mundo cruel e avaro,
A todos os meus amigos
E sócios de decepção.

Mas...oh, ingrata surpresa!
Não encontrei sossego em Deus...
Algo insatisfeito me distanciava
E me mantinha longínquo
Do Deus propínquo.
Algo como imaturidade,
Mais adivinhado que sabido,
Me enchia de nostálgica saudade,
E evocava em mim imagens profanas,
De mundos idos, semi-delidos,
De uma vida não vivida...
E eu voltei as costas a Deus
E, impetuoso, me lancei a teus braços,
Ó mundo querido e idolatrado!...
E tu me deste tudo, tudo
Que desejar pudesse,
No vasto âmbito das minhas ambições.
Cumulaste-me de riquezas,
De honras e glórias sem par.
E eu me banhava, voluptuosamente,
Em tuas tépidas ondas,
Longe, bem longe, das praias de antanho,
Intensamente satisfeito comigo
E contigo, ó mundo fagueiro

Mas, eis que a grande fome
Que eu tinha de ti,
A fome que tão prodigamente
Me saciaste,
Se converteu em fastio,
Num fastio imenso de ti
E num fastio de mim mesmo,
Teu devotado adorador...
E novamente me afastei de ti,
Não por me teres negado o que te pedira,
Mas por me teres dado tudo, tudo,
Mais do que te pedira,
Mais do que desejar pudesse...
Saciastes todas as minhas fomes,
E essas fomes todas,
Tão exuberantemente saciadas,
Criaram em mim um fastio tão grande
Que não mais te tolero,
Ó mundo profano,
Não mais te tolero,
Porque não mais me tolero,
Por ti profanado
E profanizado...

E agora, sem ódios nem desejos,
Sem protesto nem amargura,
Sem saudades nem nostalgias,
Em plena paz Contigo
E quite comigo mesmo,
Entrei no mundo grandioso
Que teus devotos ignoram
Um mundo de gozo sem fastio,
Que amanhece para além de todas as fomes
E de todos os fastios que tu conheces,
Para além de todos os teus ocasos
Na grande Alvorada de Deus...
A grande LIBERTAÇÃO...

(Escalando o Himalaia - Huberto Rohden)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O SIGNIFICADO E O MÉTODO DA VIDA

Comentário(s)

A ciência e a razão têm prometido vários paraísos na terra, mas eles não foram realizados. Dizemos isto, não para combater ou subestimar o imenso passado e o esforço atual, heróico e justo, do mundo, para se colocar numa nova ordem, mas para acrescentar-vos que a nova civilização, que não pode ser senão a do espírito, não poderá efetivar-se antes, cada qual, individualmente, não modificar a sério a sua concepção e o seu sistema de vida. Se o mundo não se transformar, de fato, através de cada um dos seus componentes; se, não somente em palavras, mas também na realidade da vida, não se inaugurar, em vasta escala, uma nova tábua de valores, uma nova civilização não se formará. Assim como hoje se ri do senso de honra da Idade Média, que consistia em passar a fio de espada os inimigos, assim os séculos futuros haverão de rir de alguns dos nossos conceitos de respeitabilidade e de honra, baseados na riqueza, nos títulos e nas posições sociais, filhos da egoísta luta individual. O problema da felicidade, - logo se deverá compreender -, não se resolve com o bem-estar material, mas somente atingindo, além daquele, um elevado grau de consciência, de que aquele não é mais do que meio. Enquanto fizermos da riqueza um fim em si mesmo, ela continuará envenenada e envenenará quem a possuir. A felicidade não é uma forma de abastança, mas uma íntima satisfação do espírito, um equilíbrio moral, "uma harmonia individual na harmonia cósmica". O homem possui também, indiscutivelmente, um espírito que não pode iludir-se e satisfazer-se somente com vantagens e gozos materiais. Além destas aquisições há todo um outro mundo, com mais vastos horizontes. O espírito sente por instinto, a necessidade de orientação conceptual, de finalidade das ações, de coordenação dos seus próprios esforços para a meta de si mesmo no todo. Sente a necessidade de realizar qualquer coisa de sério e imperecível, para quando tiver chegado ao fim da vida. Se o homem não possui também estas coisas imponderáveis, sente-se freqüentemente, sem saber como explicar, insatisfeito, infeliz.

Enquanto o mundo se ocupar das construções materiais, antes das construções espirituais, e não se ocupar destas como coisas principais, a vida será desperdiçada, as leis biológicas serão traídas, e será insensato, nesse regime de insensatez, pretender colher felicidade ao invés de desesperação. Pode-se sorrir com ceticismo e expulsar o enfadonho pregador dessa verdade, mas o dilema é hoje tremendo: ou criar uma nova civilização ou retornar à barbárie. As leis da vida exigem e fazem pressão para resolver dois milênios de preparação e de espera, e não há lugar para a inconsciência dos que dormem ou gozam. Se não houver o esforço para se criar uma nova civilização, a barbárie de substância, não importa se envernizada de civilização mecânica, será uma punição para todos.

(Pietro Ubaldi – Trechos do livro “História de um Homem”)