Sobre o Estante Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi

Para os interessados em Filosofia, Religião, Espiritismo e afins, o Estante Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza um excelente acervo de livros, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Áudios, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom estudo!

A coordenação

sábado, 30 de agosto de 2014

UM CURSO DE PAZ — IV

Hora grande e solene

Não vos iludais. A hora que passa é por demais grave e solene. Os poderosos jugam-se com o direito de brincar com o mundo, como quem brinca com uma bola de bilhar. Pensam que a sociedade humana pode ser dividida em dois grupos: eles e os outros; julgam, é claro, que os importantes são apenas eles, e notai que cada um dos poderosos quer ser mais importante que os outros. Engolem-se todos e pretendem engolir e digerir o mundo. Erguei a cabeça contra esses tartufos, contra esses zombadeiros e sabei que os dias deles estão contados. Não vos regozijeis com isto. Amai-os, porque no futuro vereis que também cumpriam o seu papel. Ficai certos de que o pacifismo os deterá desde que esteja baseado no ahimsa e no satyagraha. Digo a vós o que disse a meus irmãos da Índia, quando estive preso. Enquanto a ahimsa ou a “não violência” for a vossa bandeira, tereis um verdadeiro exército invisível a vosso lado, e acrescento agora — mas se, por um só instante, fizerdes o jogo dos poderosos, então não me posso responsabilizar pelo que aconteça à vossa vida espiritual.

Que nos espera no futuro?

Eu seria mentiroso se vos enchesse de falsas expectativas quanto ao futuro imediato.

A iniqüidade se multiplica. O armamentismo é uma das pragas do século e o próprio medo pode pôr tudo a perder em poucos minutos. No entanto, se nos ajudardes, ainda é possível deter, ou pelo menos atenuar essa loucura. O Cosmos não está à matroca e breve as Potências Cósmicas interferirão de maneira decisiva para mudar o curso da civilização. Digo-vos mais: Desde o fim da primeira metade do século o Cristo, o maior dos avatares, está dirigindo mais intensamente a História. É claro que isto não pode ser percebido, se nos obstinarmos no apego à superfície, se nos voltarmos para as aparências. Disse-nos o autor bíblico: “O mundo jaz no maligno”; e realmente na superfície é assim.

”O mundo jaz no maligno”. Mas na essência eu vos afirmo: O mundo permanece em Cristo. Sua presença harmonizadora acabará por colocar tudo em seus lugares. Ai dos que se opuserem à renovação que no momento se opera. Ai dos que se atrelarem às carruagens do passado. Cairão com elas em tremendo desastre. Não vos quero enganar. Depende muito de cada um de vós que as coisas mudem mais rapidamente o seu rumo. Uni-vos e lutai pela paz — eu vos repito —, por todos os meios e modos. Oponde-vos à guerra de todas as maneiras. Dizei aos poderosos que eles não têm o direito de brincar com o vosso destino, nem mesmo com o deles. Cada indivíduo é parte de uma unidade cósmica e essa unidade não pode, não deve e não será desarmonizada.

Concluo dizendo-vos que contamos convosco, porque a paz é muito, é realmente, é absolutamente necessária


Delfos


***

Não transcrevi eu para estas páginas nem uma terça parte do que se passou; naqueles dias muitas instruções ainda foram transmitidas a encarnados e desencarnados. Vários grupos, em dias e locais diferentes, foram reunidos para este curso. E breve o mundo conhecerá as conseqüências da palavra do Mahatma aos pacifistas. Por enquanto, ignoto amigo, estejamos juntos, vigilantes e atentos, porque a hora da renovação é chegada.


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Págs. 102 e 103

sábado, 16 de agosto de 2014

UM CURSO DE PAZ — III

O verdadeiro pacifismo

Em primeiro lugar não confundais o pacifismo baseado na verdade com o pacifismo baseado no desespero. Não é pacifista quem ateia fogo às próprias vestes, porque está eliminando com as suas próprias mãos uma vida que seria útil ao seu próximo. Não é pacifista quem apedreja, quem pratica o terrorismo, porque está querendo apagar o fogo com o próprio fogo.

Pacifismo é opção pela paz.

Pacifismo é aceitação da paz.

Pacifismo é luta pela paz.

Uma coisa é vos colocardes na frente de veículos que transportam a morte para evitar que ela atinja os vossos irmãos. Isto é sublime sacrifício em bem da Humanidade. Outra coisa é praticardes, livre e espontaneamente, a violência contra vós mesmos e contra os outros. Isto é suicídio e assassinato.

O pacifismo deve estar baseado na verdade central de que
 vós mesmos sois Paz, apenas ainda não o quisestes descobrir. Oponde-vos de todos os modos e por todas as maneiras pacíficas à guerra. Resisti a qualquer ordem no sentido de violentardes o preceito da paz. Não acrediteis nas bandeiras filosófico-ideológicas com que os poderosos vos procuram atirar uns contra os outros. A guerra só interessa a eles que desejam dominar o mundo. Só interessa aos que vendem armas. Conscientizai-vos disto e vos será mais fácil resistir. Protestai por todos os meios contra a guerra e tudo o que a provoca.

Sobre o jejum

Não vos aconselho o jejum. Pelo menos a vós ocidentais, porque vos faltam as técnicas necessárias para a absorção do prana. Podeis, no entanto, fazer coisa melhor, podeis jejuar no pensamento, na palavra, na ação. Podeis abster-vos de tudo aquilo que prejudique os vossos irmãos, ou que prejudique qualquer ser vivo, por exemplo, o uso da carne para o vosso sustento. Se não vos for, no entanto, possível abolir de todo a alimentação carnívora, abençoai todos os dias os irmãos menores que se sacrificam para que pudésseis existir. Comprometei-vos a guiá-los quando eles atingirem a esfera humana da evolução, porque, ao que tudo indica, e assim o espero, ao chegar essa época estareis muito à frente deles. Fazei isto e breve vos será fácil abdicar de todo da alimentação animal, ainda que tal abdicação se dê na próxima existência.

Pacifismo — Atividade constante

Não vos limiteis, no entanto, à ação coletiva e civil nas ruas, nas fábricas, nos escritórios.

Pacifismo é atividade constante. Deve ser exercido na condução, dentro de casa com os amigos. Sim, com os amigos

Encontrai-vos — insistimos muito neste assunto —, encontrai-vos para orar e encontrai-vos para vos conhecerdes uns aos outros e para conhecerdes a vós mesmos.

Encontrai-vos para trocar impressões.

Encontrai-vos para derramar pensamentos de paz sobre o mundo.

Encontrai-vos para começar a entronizar dentro de vós aquele mundo do futuro que esperais, no qual o cordeiro há de apascentar com o leão e o menino dormirá ao lado da fera.

Fragmentos da Verdade

Quando vos falei das religiões tradicionais, não quis, em absoluto, desrespeitá-las. Todas elas contêm fragmentos da Verdade. E, na medida em que vos aprofundeis em cada uma delas, ultrapassareis os fragmentos e encontrareis a Verdade.

A Verdade é Deus, e Deus não se estoca, não se guarda, não se retém, como quem retém o vapor.

A Verdade é Deus e Deus está em tudo.

É preciso, portanto, que cada grupo religioso ou filosófico se abra aos outros grupos. Que haja diálogo. Há muito que nos esquecemos de conversar. Precisamos reaprender esta arte. Conversar é alternativamente falar e ouvir, mas nós só queremos falar. Falar de nós. Falar de nossas idéias. Expor nossos pontos de vista. Somos como peixes que, concentrados numa poça d`água, julgam que essa poça é o oceano. Somos como alguém que conseguisse concentrar um só raio de luz solar e afirmasse que aquele raio é todo o Sol. É preciso dialogar. É preciso aprender ou reaprender o que cada um tem a ensinar. É preciso que cada um busque as riquezas do seu irmão e se enriqueça com elas.

Amai o vosso semelhante, apesar das diferenças que há entre vós e até mesmo por causa dessas diferenças. Se amardes apenas o que vos ama, que recompensa tendes? — disse-vos o Cristo. Por que rejeitais o vosso irmão? Só porque ele é diferente de vós? Acaso não exiges para vós o direito de serdes vós mesmos? Por que quereis para vós o que recusais ao outro? Não sois ambos água da mesma fonte? Sede vós mesmos, e deixai que vosso irmão seja ele mesmo. Amai-o por causa disso e não apesar disso. Aprendei a ver nele aquilo que vos falta e a dar a ele aquilo que lhe falta.

Compreendeis, agora, que a paz é construção de todo o dia e de toda a hora? Começais a perceber que viver em paz é realmente crescer e enriquecer-se?


Delfos

sexta-feira, 25 de julho de 2014

UM CURSO DE PAZ — II

O fato de estardes ainda, como vos disse, com os pés fincados nos reinos inferiores, vos fez desconfiar uns dos outros e leva cada um de vós a considerar o próximo como o seu inimigo.

E quanto às vossas relações com Deus? Que é feito delas? Na maioria dos casos as religiões, especialmente as religiões ocidentais, vos ensinaram a portar-vos diante de Deus como quem teme um juiz que deve ser aplacado, bajulado. É esse o vosso Deus? Ensinam-vos também essas religiões que este juiz está num céu distante e isso crea dentro de vós a ilusão de que vossas súplicas, vossas orações, lá não chegam porque ainda estais muito presos às férreas gaiolas de espaço e de tempo. Resultado: porque Deus é por demais transcendente para vós, não o adorais, nem sequer o amais. Na maioria dos casos, apenas o temeis. Isso agrava sobremaneira a luta de vós contra vós mesmos, porque vos sentis culpados diante de Deus e a culpa faz com que a vossa alma se fragmente mais e mais. Compreendeis agora por que tudo vos leva à guerra? Compreendeis agora por que tendes todos os motivos, pelo menos na aparência, para estar constantemente em atrito, para vos lançardes em conflitos intermináveis que, mais e mais, vos dividem e infelicitam? Compreendeis agora que é necessário fazer uma verdadeira reviravolta neste caos?

Que é a paz? Estais contentes com este estado de coisas? Agrada-vos essa trepidação constante em que vive a vossa alma? Será que vos satisfaz essa angústia que ninguém consola?

 É preciso buscar a Paz. Mas, que é a Paz?

Paz é inteireza, e só Deus é inteiro.

A Paz é o Absoluto e só Deus é o Absoluto.

Que dizer então? Que jamais obteremos a Paz? Claro que a obtereis. E a obtereis gradativa e infinita, porque vós sois finitos e o finito há de sempre abrir-se para o Infinito. O Infinito nunca cessa de derramar-se sobre o finito. Mas o finito só pode conter o Infinito na medida em que se infinitiza. A Paz é, portanto, a reunião de todos os fragmentos em que está dividido o vosso pobre ser. E essa reunião só pode ser obtida mediante um mergulho no centro de vós mesmos. Buscai a Paz. Mesmo que não acrediteis num Deus transcendente, despertai para a existência dentro de vossa psique, de um centro de equilíbrio, de coordenação de tudo, um centro em que tudo se unifica, se rearmoniza, se reconcilia.

Mas eu vos convidei a uma luta pela Paz. Em que consiste essa luta? Apenas nisto? Em meditar? Em buscar a presença de Deus ou de centros de equilíbrio dentro de nós? Isto? Só isto, e nada mais que isto, seria rematada loucura.

É preciso abrir duas frente de luta contra a guerra. Uma dentro, outra fora de vós. É preciso que de dentro compreendais o que a guerra simboliza e provoca. Que fizeram as guerras até hoje? É verdade, sim, que houve um progresso a partir delas, porque a harmonia do Cosmos sabe aproveitar as desarmonias do caos e sabe fazê-las redundar em benefício do conjunto. Em outras palavras, o Universo sabe aproveitar as próprias desarmonias para rearmonizar-se consigo mesmo e para avançar, para seguir adiante.

Isto não quer dizer que as guerras sejam indispensáveis ou necessárias. É claro, tivesse, por exemplo, Hitler dominado o mundo e seria bem outra, hoje, a sorte da Humanidade, mas, por outro lado, perguntai a vós mesmos: Hitler foi vencido. Mas foi vencido o totalitarismo?

Não, ele ainda ressurge, aqui e ali, algumas vezes declarado brutal. De outras vezes cinicamente disfarçado. Mas ei-lo de cabeça erguida após cada golpe.

É claro, pois se ainda não foi banido de dentro de vós, como quereis vencê-lo fora?

Hitler foi vencido, mais foi vencido o racismo? Atentai para o que se passa em várias partes do Globo e vós mesmos respondereis silenciosamente a esta pergunta. É preciso que a guerra vos canse e apavore. É preciso que tenhais uma indigestão de tudo aquilo que vos separa dos outros. E é o que está acontecendo. Buscai a meditação e todas estas coisas serão uma realidade dentro de vós. Eu vos falei da frente que deve abrir-se em vossa alma. Agora vos falo, ainda que levemente, do que deve ser feito fora de vós.

Delfos


quinta-feira, 3 de julho de 2014

ONDE E QUANDO COMEÇAM AS GUERRAS (UM CURSO DE PAZ I)

Um dia fostes expulsos do paraíso de vossa ignorância. Foi a hora em que raiou em vós o intelecto. Vossa consciência, então, se fragmentou. Vosso Eu, até ali quase indiferenciado, se transformou em vários “eus”; cada um de vós é uma cidade povoada de muita gente heterogênea. Vosso ser se transformou, então, no campo de batalha a que se refere o Bhagavad Gita, “A Canção do Senhor”. Arjuna teve que lutar contra o usurpador e essa luta continua até hoje. Inúmeras potências se digladiam dentro de vós, buscando apoderar-se de vosso ser. É aí, e não em outra parte, que começam as guerras. Qual é a conseqüência dessa conflagração interior? Qual é a conseqüência desse esfacelamento em que vos encontrais? Se não estais bem convosco, não estareis bem com o mundo. Ainda sois o animal de ontem que disputa a caça ou o sexo oposto. Ainda estais com o pé fincado no reino do bruto, que busca sobreviver a qualquer preço, que ataca e se defende para auto afirmar-se.

Hoje essa luta de todos contra todos dá-se em várias frentes; dá-se através da luta armada, dá-se através da competição econômica e dá-se através das disputas religiosas. Tudo é motivo para que vos atireis uns contra os outros. Até o esporte, que devia unir-vos, separa-vos, às vezes de maneira irreversível.

Compreendeis, agora, por que só viveis em guerra?

E mais: vossa obstinação em permanecer no reino animal obriga-vos a usardes o corpo de vossos irmãos menores para vossa alimentação. Não podeis compreender ainda o que isto significa em termos de sofrimento e desespero para as vossa vítimas. Não podeis compreender ainda o quanto a matança a um só ser inocente agrava os vossos débitos perante a Lei Universal. Não vos quero conclamar a um vegetarianismo forçado, com estas palavras. Aprendi que todas as grandes realizações se dão espontaneamente, de dentro para fora, não falo apenas a orientais, mas a ocidentais milenarmente acostumados a esse tipo de alimentação, do qual não poderão libertar-se de um momento para outro. Voltarei a este assunto mais adiante.


Delfos  (Livro: Reflexões no Meu Além de Fora)

Págs. 93 a 95

domingo, 29 de junho de 2014

ESPÍRITO DO ORIENTE E DO OCIDENTE

“O Oriente trilha, por via de regra, o caminho “individual” do saber, isto é, da experiência religiosa pessoal; mas isto é privilégio de uma pequena elite; as massas são incapazes de realizar esse encontro pessoal com Deus, contentando-se com os invólucros vazios de yoga, que para elas são meras fórmulas sem conteúdo.

O Ocidente desenvolveu o caminho “coletivo” do amor, inteligível às massas, a qualquer creatura, por mais destituída de inteligência e preparo – crianças e analfabetos, doentes no fundo do leito ou operários nas fábricas – para todos eles é inteligível a linguagem do amor, e, de fato, só aceitam o cristianismo quando lhes vem na forma internacional e interconfessional do amor.

Infelizmente, o Ocidente, em geral, não deu importância ao encontro pessoal com Deus, sem o qual todo amor social e coletivo é superficial, meramente emocional, acabando naquilo que temos visto e estamos vendo: guerras, ódio de classes, extermínio de raças, conflitos religiosos.

O Oriente não pode aceitar o cristianismo teológico do Ocidente, mas abraçará com entusiasmo o cristianismo do Evangelho, porque vê no Cristo o divino Lógos, o eterno Super-Eu, a alma do homem e do universo.

Assim, a Índia jamais aceitará um Deus vingativo, como aparece na teologia ocidental; nem a idéia de castigos eternos e a absoluta impossibilidade da conversão; nem tampouco a doutrina do pecado original, de um pecado cometido por outra pessoa e pelo qual eu seria responsável; nem a teologia horripilante da redenção pelo sangue de um homem inocente injustamente trucidado pelos pecadores”. 

(Huberto Rohden - Ídolos ou Ideal?)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

MATA O SEPARATISMO

É verdade que és uno com todos os seres. É verdade que não caminhas isolado das criaturas de Deus, mas também é certo que tua evolução é só tua. Quando caminhas, impeles outros a caminharem contigo e, por sua vez, outros, quando caminham, te impelem a caminhar com eles; no entanto, se é verdade que vos impelis uns aos outros a caminhar, também é certo que jamais podereis compelir uns aos outros a fazê-lo. Impelir é estimular, compelir é arrastar. As experiências, que vives, podem fazer-te produzir frutos sazonados que alimentarão os outros, todavia é impossível comunicar aos outros a tua própria experiência.

Não dependas deles para crescer, não te apegues ao exterior, coisas ou pessoas para ser feliz. Sê feliz com a felicidade que possa ser construída por ti.

Delfos

sexta-feira, 30 de maio de 2014

O CONHECIMENTO

Existem dois tipos de heróis: o herói do medo e o herói da fé. O herói do medo lança-se ao perigo por nada mais ter a perder; o herói da fé busca a aventura por saber que tem tudo a ganhar.

O herói do medo é compelido à luta pelo desespero, o herói da fé é impelido à luta pela própria fé.

O herói do medo atira-se isento de qualquer raciocínio ao perigo, e não sabe se dele sairá vivo ou morto; o herói da fé para além do raciocínio obedece a sua intuição, e lança-se à aventura do Infinito, na certeza absoluta de que nela encontrará a vida.

Não se pode, porém, ignorar o perigo dos últimos passos da atual jornada evolutiva dos ser humano. É verdade que a esta altura estás próximo de Deus ou de uma concepção maior ou mais plena de Deus, mais ainda não estás plenamente realizado, ainda te é possível estacionar, marcar passo, se não fores suficientemente corajoso e fiel a ti mesmo; ainda te é possível confiar mais nos teus artificialismos do que na tua divindade interior. Se assim procederes, não verás a Canaã de teus sonhos, tua auto-realização será indefinidamente adiada, e sua conquista exigirá de ti mais esforços, mais trabalho, mais sofrimento.

Nesse instante supremo de nosso trânsito, de nossa jornada rumo ao super-homem, mais do que nunca é necessário que confiemos e ousemos.

Só os que confiam, ousam, só os que ousam, vencem.

Delfos 
(Livro: O Canto da Vida)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

OLHOS DE VER

De que maneira vês tu o mundo? De que maneira vês tu a vida? Para alguns, a vida é um devaneio e o mundo um parque de diversões; para outros, a vida é um tormento e o mundo um vale de lágrimas; para outros, ainda, a vida é um curso cósmico e o mundo uma escola.

Em que grupo te situas? Estarás dentre aqueles que se divertem, entre aqueles que matam o tempo, entre aqueles que se alienam voluntariamente, para não enlouquecerem compulsoriamente, ou te situarás entre aqueles cuja vida é um contínuo e eterno aprendizado, entre aqueles que buscam fazer do transitório o eterno ser? Se estiveres entre os que se divertem, sabe que, um dia, serás compelido a entrar em ti mesmo, serás como o filho pródigo ao menos pelo salário devido aos diaristas de teu pai; passarás, então, das diversões para a conversão. O homem que se diverte alheio a si mesmo, não consciente de sua unidade com o Cosmos, é como folha solta ao vento; o homem que se converte sabe que é uno com toda a vida e que a vida é parte dele; as diversões são as caricaturas da felicidade, a conversão é a felicidade sem caricaturas e sem ilusões.

Como funciona a acústica de tua alma? Como te situas entre os viajores do mundo? Como quem nada percebe, como quem tudo percebe à luz dos seus caprichos pessoais, ou como quem tem sede de Infinito e sabe aquietar-se para Lhe adivinhar os lampejos entre todas as coisas ? Se nada percebes, és como alguém que caminha às tontas, olhos e ouvidos vedados, todos os sentidos paralisados. Esse alguém pensa que vive mas, na realidade, apenas existe; se percebes de acordo com os teus caprichos pessoais, então, é necessário que estabeleças uma diferença nítida entre conceber e perceber. Quem apenas concebe é alheio à realidade, porque a realidade para ele há de amoldar-se aos seus interesses; quem, sobretudo, percebe está enquadrado na realidade, porque para ele a realidade está acima do seu ego físico, mental e emocional. 

É evidente que tuas percepções não estarão de todo libertas de tuas concepções ENQUANTO FORES APENAS UM HOMEM; no entanto, quanto mais nitidamente perceberes, mais verdadeiramente conceberás, quer dizer, quanto mais a realidade te surgir tal qual é, e quanto mais se abrirem os teus canais de percepção, tanto mais as tuas concepções individuais serão, gradativamente, substituídas pelas concepções universais.

A palavra é um dos mais preciosos e perigosos dons; com a palavra podes ferir ou curar, com a palavra podes perturbar a evolução ou acelerá-la. De que maneira falas: como quem pontifica ou como quem edifica? Se falas como quem pontifica, prepara-te para as mais angustiosas decepções, porque todos os “pontífices”, com suas verdades definitivas, serão reduzidos a zero, mas, se falas como quem edifica, ajudas a ti mesmo e ao próximo, porque desenvolves a tua Natureza Divina e estimulas a Natureza Divina em quem te ouve.

Para onde te levam os pés, para as alturas ou para os abismos? Onde caminhas: na montanha ou na planície? Se teus pés te conduzem às alturas, bem aventurado és; se te levam aos abismos, quão difícil te será mais tarde reconquistar as alturas...

Os pés são como material de escoamento de todas as tuas impurezas astrais; teus pés te fazem ficar ereto e também te ajudam a libertar-te das sujidades psíquicas que o caminho evolutivo ou os atritos com o mundo acumulam em tua aura. Lavar os pés no sangue do coração para poderes permanecer ereto na presença dos Mestres ou na presença do Mestre dos Mestres, que está em ti, é aceitar os desafios do dia-a-dia, é crescer a cada evento, a cada problema, ou a cada acontecimento alegre ou triste. Aprende a lavar os pés no sangue do coração e todo o teu ser ficará limpo.

Delfos

quarta-feira, 21 de maio de 2014

TENTANDO ROMPER O VÉU DO INVISÍVEL

Há entre mim e o Infinito um véu,
Tenuíssimo como teia de aranha.
Para além desse véu adivinho e entrevejo
Estupenda Realidade,
Anônima,
Amorfa,
Incolor,
Tese e Síntese de tudo quanto é,
Foi e será...
É o infinito “Aqui”,
O eterno “Agora”,
O absoluto “Todo”,
O “Ser” universal...
Há entre mim e o Infinito um véu...
E eu, impaciente, sacudo esse véu,
Procuro corrê-lo,
Rompê-lo,
Para contemplar a Realidade além...
Desvendar o mistério do Cosmos...
Mas ai! que essa teia de aranha
É rija muralha de granito,
Erguida entre mim e Ti,
Senhor!...
Entre mim, esse insatisfeito bandeirante,
E Ti, o eterno Incognoscível...
Qual cão faminto anda minha alma rondando,
Rondando, dia e noite,
O inexpugnável castelo
Da tua opulência...
Ansiosa por apanhar uma migalha
Do lauto festim da tua plenitude...
Mas ai! Que as migalhas
Que caem da tua mesa,
Depois de saboreadas por minha alma,
Acendem em mim uma fome voraz,
Uma ânsia imensa de migalhas sem fim,
E sem medida,
Dos teus divinos banquetes...
E eu vitupero minha alma,
Porque saboreou tão avidamente
Um átomo da tua infinita opulência,
Porque sorveu uma gota
Do Oceano sem praias
Da tua Divindade...
Por que, minha alma, saboreias aquilo que,
Depois de saboreado,
Te ateia no íntimo novos incêndios
De fome?
Veementes tempestades de amor?...

Por que é, Senhor, que a posse de Ti
Me torna mais consciente a falta que tenho
De ti?...
Por que é, Senhor, que,
Quanto mais te possuo
Mais te procuro?...
Quanto mais te saboreio
Mais fome tenho de Ti?...
Quanto mais te gozo
Mais sofrido me sinto de Ti?...
Quanto mais saúde tenho em Ti
Mais doente agonizo longe de Ti?...
E, no entanto, não consigo
Divorciar-me de Ti,
Meu dulcíssima Amargura...
Meu Inimigo querido...

Que seria de minha vida
Sem esse inferno celeste,
Sem esse céu infernal?...


Não, não quero romper esse véu
Dessa mística tanscendência,
Dessa fascinante longinquidade,
Que me separa de Ti,
Senhor!...
Quero viver para sempre nessa transcendência
Do mistério,
Contanto que a imanência do Amor
Mantenha aceso em mim
O fogo sagrado que arde sem cessar
Em mim...

(Escalando o Himalaia - Huberto Rohden)

sábado, 19 de abril de 2014

CRISTO – ESTE DESCONHECIDO

Há quase dois mil anos
Que os homens falam de ti, ó Cristo!
E antes que no cenário histórico aparecesses,
Por dois milênios haviam os videntes
Vislumbrado o teu advento.
Todos falam de ti, ó Cristo
E ninguém te conhece, ó enigma dos enigmas!
Supremo Desconhecido do Universo!
Todos julgam conhecer-te
E todos ignoram a sua própria ignorância...
Muitos sabem o que disseste e fizeste
Ninguém sabe o que és...
Os eruditos analisam as tuas humanas horizontalidades
Mas não valem intuir a tua divina verticalidade.
De tanto falarem de ti,
Não têm tempo para calarem de ti...
O ruído estéril do intelecto
Asfixia o silêncio fecundo do espírito.
A prostituição mental e verbal
Profana a virgindade da alma espiritual,
Dessa alma que só pode conceber o Verbo
Na sacralidade de um vasto silêncio.
E por isto querem os homens substituir o teu Evangelho
Por numerosas legiões de “ismos”,
Eruditamente engendrados,
Deslumbrantemente elaborados,
Ruidosamente proclamados.

Eu, porém, meu eterno Cristo,
Anseio por descobrir a tua alma divina
Dentro do corpo humano do Evangelho.
Procuro romper esse invólucro verbal
E fundir-me em ti na experiência vital do que és.
Quero conhecer o que disseste e fizeste
Por aquilo que tu és...
Dentro do átomo do teu Evangelho
Dormita a energia nuclear do divino Logos,
Esse grande Desconhecido de que todos falam
E que todos ignoram...
Não! Não quero saber de ti
Novos “ismos” periféricos
Quero viver dinamicamente
A tua realidade central!...
E da imensa cadeia de elos
Das minhas personas,
Das minhas máscaras transitórias,
Se tece a epopéia eterna
Da minha existência humana,
Lançando uma ponte
Em demanda da essência divina.
Das pedrinhas brancas e pretas
Do meu sucessivo nascer e morrer se formara o mosaico
Do meu eterno VIVER
Do VIVER sem nascer nem morrer.
Realmente, há “muitas moradas em casa do Pai celeste”...
Muitos planos de vivência há
No Universo de Deus...
E eu me sinto feliz viajor
Nessa jornada cósmica,
Jubiloso peregrino do Infinito,
Através de muitos finitos,
Demandando a luz da vida eterna
Através de inúmeras mortes efêmeras...

(Escalando o Himalaia – Huberto Rohden)

domingo, 13 de abril de 2014

A fé não é uma renúncia às faculdades de pensar, ela é antes um estado de graça, que vê e conhece por outras vias e conserva em si a sua alegria infinita; é uma doação em que nada se perde, porque àquele amor e àquela confiança responde o Universo, retribuindo com novas doações; não é cegueira senão para os cegos, porque naquela cegueira se abre a visão e se revelam os céus e aparece fulgurante o pensamento de Deus.

Concebo a consciência como unidade radiante, o eu evolvido como noúre (correntes de pensamento) que tende perenemente à difusão, à dilatação de si mesma, que é centro de emanações contínuas. Como, pois, se rompe o círculo fechado da razão e se penetra no céu da intuição e da visão? Como se conquista, com os limitados meios de uma dimensão conceptual inferior, o domínio da dimensão superior? Com a fé. A técnica vibratória nos dá a chave do mistério.

A razão é objetiva. Quer, antes de crer, assegurar-se e, só debaixo de seu controle, confiar. Mas, o método da prudência e da segurança não é o método do vôo. Se não rompermos, por evolução, o círculo em que se fechou a razão, esta jamais sairá dele e dentro dele, impedida de evadir-se, retorna sempre sobre si mesma. E é impossível rompê-lo por evolução, a não ser mediante a introdução na consciência de fatores novos, capazes de lhe dilatarem a potencialidade. Fé é como se designa o ato psicológico com que se introduzem esses fatores novos. 

Para que serve permanecer no campo da positividade e da segurança, se este é tão limitado e não oferece possibilidade de expansão? A verdade universal já está totalmente pronta e presente, escancarada diante de nossos olhos. Criá-la não é o que nos compete fazer, mas sim desenvolver a vista para vê-la. Retoma-se, pois, todo o problema, mediante uma transformação de consciência.   

Não se trata de fé louca, do credo quia absurdum ("Creio porque é absurdo"), desesperada capitulação da razão que pretende ser sempre a única a falar, até fora de seu campo. Que esta se extinga para sempre, dobre-se em suas expressões caricatas e permaneça fechada em seu âmbito.

Podemos compreender que o problema do conhecimento na sua essência e integridade consiste num problema de unificação entre o eu humano e a Divindade, representa um problema de ascese mística, de revelação, porque em nossa consciência aquela Divindade é limitada somente por nossa capacidade de conceber, e se entrega à nossa alma em relação à sua potência de harmonização. Ora, aquele que, em vez de seguir estas vias e pôr-se em estado positivo de confiança que estabelece ressonância, se põe no estado vibratório negativo de dúvida e de desconfiança, que se afasta na dissonância, a si mesmo fechará automaticamente as portas do conhecimento.  

Se nos pusermos em posição de resistência, em estado vibratório fechado, qual se nos recusássemos a subir, então nós mesmos nos deteremos e nos privaremos da recepção amplificadora que desce das correntes vivificantes difusas no todo. A razão é um círculo de forças fechadas, é um egoísmo conceptual que a si mesmo não sabe ultrapassar, não se dá por simpatia e não conhece as vias vibratórias da atração que levam à fusão com o não-eu e, portanto à sua dilatação até ele. Necessário se faz subjugar este equilíbrio e reconstruí-lo em mais alta e completa forma, embora seja mais instável e, não obstante, mais dinâmica. E a fé é o primeiro salto para a frente. A fé é, pois, ato criativo por excelência que acompanha a realidade em formação, que voluntariamente pode e sabe antecipar os futuros estados da evolução. 

No duvidoso tormento, tenho interrogado o mais profundo de mim mesmo, dizendo-me: "como posso eu confiar-me a um imponderável que em mim ainda não existe e ao qual devo eu mesmo criar?" E o profundo me tem respondido: crê, porque só a tua fé, base de impulsos ascensionais, tornará objetivas e tangíveis aquelas realidades mais altas que hoje te escapam".

QUANDO EU SABIA DEMAIS...

Quando eu nada ou pouco sabia do mundo do espírito,
Trabalhava intensamente.
Minha vida era uma vida militante,
Dinamicamente realizadora,
Graças à minha feliz ignorância.
Depois, quando cheguei a saber da verdade,
Quando soube que todas as coisas do mundo são apenas miragens no deserto,
Espelhos e enigmas,
Sonhos e sombras,
Ecos e reflexos irreais
Da ignota Realidade -
Desisti das minhas atividades,
Cruzei os braços,
E fiz-me passivo espectador
Do Teu grandioso drama cósmico,
Senhor do Universo...
Sentia-me qual pequenina formiga
No teu gigantesco Himalaia...
Que diferença havia entre agir e não-agir?
Entre atividade e passividade?
Poderia, acaso, esta vil formiguinha
Modificar os teus imensos Himalaias?...
Para que trabalhar e lutar,
Se tudo corre segundo os teus eternos decretos?
Se leis imutáveis regem os teus mundos?...

Desde então, preferi ser passageiro inerte
Da tua máquina cósmica
Em vez de ser motorista ativo dessa máquina.
Desde então, desisti da minha velha mania
De querer converter alguém...
Converter, por que e para quê?
Se, no fim, todo homem tem de seguir o caminho que segue?
Desisti também de querer aliviar os sofrimentos
Dos sofredores.
Aliviar, por que e para quê?
Se cada devedor tem de saldar o débito do seu Karma?
Que insensatez seria se eu impedisse o devedor
De solver o seu débito!
Não será melhor que cada um pague, de vez, à eterna Justiça,
O que deve?

Que fique quite com a Constituição Cósmica,
Do que protelar essa quitação
Para tempos vindouros?
Deveras! Eu sabia demais...
E esse “saber demais” me impedia de agir.
Só age quem sabe pouco,
Quem sabe muito deixa de agir...
Agir é sinal de ignorância
E estreita ingenuidade...
Assim pensava eu...
Assim vivia eu...
Só mais tarde, muito mais tarde,
Descobri – que sabia de menos...
E por isso o meu saber me impedia de agir.
Numa estranha incubação espiritual,
De muitos dias e de muitas noites,
Finalmente, amadureceu em mim a suprema Verdade.
Isolei-me, diuturnamente,
Do ambiente físico
E do ambiente mental...
Desterrei de mim pessoas e coisas,
Bani do meu cérebro profanado
Pensamentos, memórias, fantasias,
Converti em silencioso santuário do Infinito
A ruidosa praça pública do meu cérebro,
E dentro deste grande silêncio da matéria e da mente
Focalizei intensamente o meu divino Eu...
Tão grande foi o calor dessa focalização
Que se derreteram em mim todas as matérias-primas...
E, quando tudo estava liquefeito –
O meu tácito pensar,
O meu ativo dinamismo ocidental
E o meu passivo misticismo oriental –
Então, todos os elementos,
Em liquefeita ignição,
Se fundiram numa nova unidade,
Que não era Aquém nem do Além
Não era mera justaposição,
Mas algo novo,
Inédito e inaudito,
Uma unidade orgânica,
Virgem, como a alvorada cósmica de um novo mundo,
Ainda aljofrado do orvalho noturno
De um divino “fiat” creador...
E dessa fusão do meu velho materialismo dinâmico
E do meu novo espiritualismo místico,
Nasceu a estupenda maravilha
Do homem integral,
Da nova creatura em Cristo...
Da fusão da minha horizontal ativa
E da minha vertical passiva,
Surgiu o emblema da universalidade,
O símbolo da redenção...
E eu me senti remido
Do meu esfalfante dinamismo,
E do meu inoperante misticismo.
Entrei na atmosfera de um mundo ignoto,
Na zona do dinamismo passivo,
Da passividade dinâmica...
A minha nova mística sacralizou a minha velha dinâmica,
E a minha dinâmica vigorizou a minha nova mística...
Hoje sou mais dinâmico do que nunca,
Mas o meu agir é diferente daquele,
Não é ruidoso como o martelar de uma fábrica
Dominada por fumegantes chaminés –
Mas é silencioso como a luz solar,
Como o agir do gigantesco astro,
Assaz, poderoso para lançar pelo espaço
Estupendos sistemas planetários,
E assaz carinhoso para beijar as pétala duma flor
Sem as lesar...
O meu agir é misticamente dinâmico,
E dinamicamente místico.
Um agir pelo não-agir
Um agir pelo Ser
Brota duma dimensão ignota –
Da zero dimensão do Infinito –

Anteontem, a ignorância me fizera ativo,
Ontem, a mística me fizera passivo –
Hoje, a experiência cósmica me faz
Ativamente passivo,
E passivamente ativo...

(A Voz do Silêncio - Huberto Rohden)

OS DESAFIOS DOS RELACIONAMENTOS - PARTE 2

Por Aloísio Wagner

 Por onde olhamos, vemos almas esfaceladas e corações amargurados devido o mundo do relacionamento familiar, conjugal e social. Por onde andamos vemos rostos tristes e acabrunhados por causa dos conflitos originados das relações. Por que há tantos atritos e sofrimentos nas relações?

Toda a causa está em nós. A evolução da alma, do espírito, da consciência, inicia-se em estado de ignorância, da não-sabedoria, da não-experiência, o que nos leva a agir tateando no escuro, sem enxergar onde pisamos e sem a noção correta para "onde" vamos; o que conseqüentemente nos leva a tropeçar, cair e nos machucar. Não adianta colocarmos culpa no objeto que estava à nossa frente, na parede, no chão de concreto, na coluna de aço onde batemos a cabeça. É imprescindível que acendamos a luz para corrigir nossas falhas; para que saibamos exatamente "onde" estamos pisando e para "onde" vamos.

Iluminar o ambiente escuro da casa se faz gradativamente, mas também proporcional à procura e o esforço de cada um. À medida que nossa consciência vai despertando sua luz, ela vai se direcionando com maior clareza, sabendo "onde" colocar os pés para lhe dar maior segurança.

A saída do estado de ignorância para a sabedoria requer interesse, dedicação, esforço, disciplina, trabalho, concentração, perseverança, paciência. Vários degraus precisam ser superados, um a um, até atingirmos o patamar superior onde há uma grande sala de recepção para a "ceia" divina, onde colhemos todo o fruto do esforço e trabalho, que nos traz paz, alegria e felicidade. 

O estado de ignorância indica a presença também de defeitos arraigados em nós: o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a inveja, a ambição, etc. Este é um estado doentio, que nos separa do outro. O outro é sempre um obstáculo e inimigo para atingirmos os nossos fins. As relações geralmente são "saudáveis" até onde o interesse de um é admitido porque outro também vê seu interesse sendo realizado. Quando um dos interesses se torna lesado, onde havia amizade ou "amor", passa existir ódio, vingança e mágoas.

O estado de ignorância é um estado germinal da conscientização de si mesmo, dando origem ao amor-próprio, e com a conseqüência da percepção da separatividade de tudo o que existe. Ele não consegue perceber que há uma "malha" oculta e invisível que nos liga um ao outro e a Deus. Tudo que fazemos ao outro estamos fazendo a nós mesmos, porque estamos interligados pelos "fios" divinos da criação, do Uno e da Fonte de onde fluímos juntos. Assim como dois galhos e duas folhas de uma árvore tem suas individualidades, elas se ligam e se alimentam pelo mesmo tronco, e por este mesmo tronco se liga aos outros galhos e às outras folhas.

Combater o outro é combater a si mesmo. Transformar o outro é transformar a si mesmo. Quando uma folha se contamina por uma praga, ela transfere pela multiplicação para toda árvore. Ajudar aquela folha individual é cuidar e ajudar a saúde do todo, do coletivo.

Quando um ladrão nos rouba, ele tem a sensação de ganho, e se sente mais forte e inteligente na difícil caminhada da vida que é feito de individualismos e interesses próprios. O roubado se sente humilhado e prejudicado, porque também acredita que aquele objeto que estava em suas mãos é de sua propriedade. Esta é uma fragilidade em nossa percepção de uma realidade mais profunda!

sábado, 5 de abril de 2014

O FILHO DO HOMEM

Apareceu um homem, entre esses milhões de habitantes terrestres...
E esse homem veio tornar-se o centro da história da humanidade.
Não fez descobertas nem invenções, não derrotou exércitos nem escreveu livros – esse homem singular.

Não fez nada daquilo que a outros homens garante imortalidade entre os mortais – o que nele havia de maior era ele mesmo...
Pelo ano do seu nascimento datam todos os povos cultos a sua cronologia.
Possuía esse homem exímios dotes de inteligência – e infinita delicadeza de coração.
A sua vida se resume numa epopéia de divino poder – e num poema de humano amor.

Havia na vida desse homem uma pátria e uma família – mas também um exílio e uma solidão.
Havia inocentes com o sorriso nos lábios – e doentes com lágrimas nos olhos.
Havia apóstolos e apóstatas...
Brincava nos caminhos desse homem a mais bela das primaveras – e espreitava-lhe os passos a mais negra das mortes.

Esse homem vivia no mundo – mas não era do mundo...
Quando chegou, “não havia lugar para ele na estalagem” - e quando partiu, só havia lugar numa cruz, entre o céu e a terra.

Esse homem não mendigava amor – mas todas as almas boas o amavam...
Era amigo do silêncio e da solidão – mas não conseguia fugir ao tumulto da sociedade, porque “todos o procuravam”...
Irresistível era o fascínio da sua personalidade – inaudita a potência das suas palavras...

Todos sentiam o envolvente mistério da sua presença – mas ninguém sabia definir esse estranho magnetismo...
Era uma luminosa escuridão – esse homem...

Não bajulava a nenhum poderoso – e não espezinhava nenhum miserável...
Diáfano como um cristal era o seu caráter – e, no entanto, é ele o maior mistério de todos os séculos...
Poeta algum conseguiu atingir-lhe as excelsitudes – filósofo algum valeu exaurir-lhe as profundezas...

Esse homem não repudiava Madalenas nem apedrejava adúlteras – mas lançava às penitentes palavras de perdão e de vida...
Não abandonava ovelhas desgarradas nem filhos pródigos – mas cingia nos braços a estes e levava aos ombros aquelas...

Esse homem não discutia – falava simplesmente...
Não esmiuçava palavras nem contava sílabas e letras, como os rabis do seu tempo – mas rasgava imensas perspectivas de verdade e beatitude...

Por isso diziam os homens, felizes e estupefatos:

“Nunca ninguém falou como esse homem fala!”...
Para ele, não era o esquife o ponto final da existência – mas o berço para a vida verdadeira...

Por isto, vivem por ele e para ele os melhores dentre os filhos dos homens – porque adoram nesse homem o homem ideal, o homem-Deus... 

(De Alma Para Alma - Huberto Rohden)

domingo, 30 de março de 2014

AS COISAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA

Um menino pediu ao Irmão X que lhe mandasse um bilhete em que lhe apontassem quais são as coisas mais importantes da vida. Ei-las:

O maior e melhor amigo: "Deus."
Os melhores companheiros: "Os pais".
A melhor casa: "O lar."
A maior felicidade: "A boa consciência."
O mais belo dia: "Hoje."
O melhor tempo: "Agora."
A melhor regra para vencer: "A disciplina."
0 melhor negócio: "O trabalho."
O melhor divertimento: "O estudo."
A coleção mais rica: "A das boas ações."
A estrada mais fácil para ser feliz: "O caminho reto."
A maior alegria: "Dever cumprido."
A maior força: "O bem."
A melhor atitude: "A cortesia."
0 maior heroísmo: "A coragem de ser bom."
A maior falta: "A mentira."
A pior pobreza: "A preguiça."
0 pior fracasso: "O desânimo."
O maior inimigo: "O mal."
O melhor dos esportes: "A prática do
bem."

Leia esta lista de informações, sempre que você puder, e veja por si como vai indo a sua orientação.

E se quer mais um aviso de amigo velho, cada noite acrescente esta pergunta a você mesmo, depois de sua oração para o repouso:

- Que fiz hoje de bom que somente um amigo de Jesus conseguiria fazer?

IRMÃO X

OS DESAFIOS DOS RELACIONAMENTOS – PARTE 1

Por Aloísio Wagner

Qual a finalidade das relações em nossas vidas, seja familiar, social ou conjugal?
Autoconhecimento.
Autoconhecimento não é somente vermos as mazelas e imperfeições que carregamos na periferia do nosso ser, de nossa personalidade, mas também a conscientização de uma natureza mais profunda dentro de nós, onde há luz, sabedoria e amor! Onde nosso Eu é uno com a Fonte Maior e com tudo o que existe.
Como superar esta barreira ilusória que nos leva a identificação com a nossa personalidade? Com conscientização. Seja pela meditação profunda, como, e principalmente por meio de todas as relações que surgem em nossas vidas.
Podemos buscar várias coisas nas relações. Carências, desejos, prazeres, confortos, segurança, etc., mas a Lei divina busca o nosso autoconhecimento, que redunda na nossa transformação, que tem por fim a nossa felicidade. Felicidade não é algo que conquistamos fora de nós. Não é a profissão destacada; o dinheiro e bens acumulados; não é conforto; não é o bom marido ou esposa, com filhos; não é ter bons amigos e familiares, não é a boa casa e nem a admiração e respeito que podemos ter pelas pessoas; e não é a ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com as infinitas adversidades, tendo no coração, compreensão, paz e amor pelos outros.
Felicidade é produto da realização das virtudes que temos em estado potencial. Despertá-la, é "acordar" a luz que está dentro de nós! Esta luz é a essência de Deus, da verdade, da justiça e do amor inerente em nossos espíritos, porque efeito da causa original que é Deus. Felicidade é exclusivamente uma conquista interna, no campo da alma, do espírito. É conhecer de fato nossa realidade espiritual. É ajustarmos às Leis Superiores que nos governam, sob os princípios do amor, da união e da fraternidade.
Finalmente, sejamos gratos por cada pessoa que passa pela nossa vida. Sejam aquelas que nos ensinam por expressar sabedoria e bondade, ou aquelas que expressam ignorância, arrogância e orgulho, e que precisamos também apreender o que nos trazem de bom.  São estes últimos que revelam os piores "monstros" e "demônios" que existem dentro de nós,  exigindo um trabalho hercúleo e concentrado. Se despertou em nós o desequilíbrio, a impaciência, a raiva e o ódio, não foi exatamente esta classe de seres que fez surgir em nós estas mazelas, estes foram apenas ferramentas da Lei divina para nos mostrar as "doenças" ocultas que estão dentro e nos conduzindo para a "morte".  
Não percamos tempo de culpar os outros por aquilo que estamos vivendo ou sentindo. Ao contrário, sejamos sempre gratos à Vida e a Deus por colocar cada pessoa em nosso caminho, porque cada um traz um elemento específico, um alimento particular, ou um medicamento peculiar para a cura de nossas almas.
Quem dirige o destino do mundo, do universo e de nossas vidas? Uma Lei Cósmica, perfeita, expressão Daquele que é a Perfeição, o Pai.  Nada acontece por acaso em nossas vidas. Num universo regido pela Ordem, tudo caminha para ser também ordenado e justificado. Não tenhamos medo da crucificação, porque após a crucificação ocorre a ressurreição, a ressurreição das virtudes que estavam dormentes em nossas almas, e ao acordar e despertar, nos faz tomar conhecimento e dá a sensação da presença do Pai, que nos ilumina com Seu Amor!

***

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