Sobre o Estante Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi

Para os interessados em Filosofia, Religião, Espiritismo e afins, o Estante Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza um excelente acervo de livros, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Áudios, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom estudo!

A coordenação

domingo, 13 de abril de 2014

A fé não é uma renúncia às faculdades de pensar, ela é antes um estado de graça, que vê e conhece por outras vias e conserva em si a sua alegria infinita; é uma doação em que nada se perde, porque àquele amor e àquela confiança responde o Universo, retribuindo com novas doações; não é cegueira senão para os cegos, porque naquela cegueira se abre a visão e se revelam os céus e aparece fulgurante o pensamento de Deus.

Concebo a consciência como unidade radiante, o eu evolvido como noúre (correntes de pensamento) que tende perenemente à difusão, à dilatação de si mesma, que é centro de emanações contínuas. Como, pois, se rompe o círculo fechado da razão e se penetra no céu da intuição e da visão? Como se conquista, com os limitados meios de uma dimensão conceptual inferior, o domínio da dimensão superior? Com a fé. A técnica vibratória nos dá a chave do mistério.

A razão é objetiva. Quer, antes de crer, assegurar-se e, só debaixo de seu controle, confiar. Mas, o método da prudência e da segurança não é o método do vôo. Se não rompermos, por evolução, o círculo em que se fechou a razão, esta jamais sairá dele e dentro dele, impedida de evadir-se, retorna sempre sobre si mesma. E é impossível rompê-lo por evolução, a não ser mediante a introdução na consciência de fatores novos, capazes de lhe dilatarem a potencialidade. Fé é como se designa o ato psicológico com que se introduzem esses fatores novos. 

Para que serve permanecer no campo da positividade e da segurança, se este é tão limitado e não oferece possibilidade de expansão? A verdade universal já está totalmente pronta e presente, escancarada diante de nossos olhos. Criá-la não é o que nos compete fazer, mas sim desenvolver a vista para vê-la. Retoma-se, pois, todo o problema, mediante uma transformação de consciência.   

Não se trata de fé louca, do credo quia absurdum ("Creio porque é absurdo"), desesperada capitulação da razão que pretende ser sempre a única a falar, até fora de seu campo. Que esta se extinga para sempre, dobre-se em suas expressões caricatas e permaneça fechada em seu âmbito.

Podemos compreender que o problema do conhecimento na sua essência e integridade consiste num problema de unificação entre o eu humano e a Divindade, representa um problema de ascese mística, de revelação, porque em nossa consciência aquela Divindade é limitada somente por nossa capacidade de conceber, e se entrega à nossa alma em relação à sua potência de harmonização. Ora, aquele que, em vez de seguir estas vias e pôr-se em estado positivo de confiança que estabelece ressonância, se põe no estado vibratório negativo de dúvida e de desconfiança, que se afasta na dissonância, a si mesmo fechará automaticamente as portas do conhecimento.  

Se nos pusermos em posição de resistência, em estado vibratório fechado, qual se nos recusássemos a subir, então nós mesmos nos deteremos e nos privaremos da recepção amplificadora que desce das correntes vivificantes difusas no todo. A razão é um círculo de forças fechadas, é um egoísmo conceptual que a si mesmo não sabe ultrapassar, não se dá por simpatia e não conhece as vias vibratórias da atração que levam à fusão com o não-eu e, portanto à sua dilatação até ele. Necessário se faz subjugar este equilíbrio e reconstruí-lo em mais alta e completa forma, embora seja mais instável e, não obstante, mais dinâmica. E a fé é o primeiro salto para a frente. A fé é, pois, ato criativo por excelência que acompanha a realidade em formação, que voluntariamente pode e sabe antecipar os futuros estados da evolução. 

No duvidoso tormento, tenho interrogado o mais profundo de mim mesmo, dizendo-me: "como posso eu confiar-me a um imponderável que em mim ainda não existe e ao qual devo eu mesmo criar?" E o profundo me tem respondido: crê, porque só a tua fé, base de impulsos ascensionais, tornará objetivas e tangíveis aquelas realidades mais altas que hoje te escapam".

QUANDO EU SABIA DEMAIS...

Quando eu nada ou pouco sabia do mundo do espírito,
Trabalhava intensamente.
Minha vida era uma vida militante,
Dinamicamente realizadora,
Graças à minha feliz ignorância.
Depois, quando cheguei a saber da verdade,
Quando soube que todas as coisas do mundo são apenas miragens no deserto,
Espelhos e enigmas,
Sonhos e sombras,
Ecos e reflexos irreais
Da ignota Realidade -
Desisti das minhas atividades,
Cruzei os braços,
E fiz-me passivo espectador
Do Teu grandioso drama cósmico,
Senhor do Universo...
Sentia-me qual pequenina formiga
No teu gigantesco Himalaia...
Que diferença havia entre agir e não-agir?
Entre atividade e passividade?
Poderia, acaso, esta vil formiguinha
Modificar os teus imensos Himalaias?...
Para que trabalhar e lutar,
Se tudo corre segundo os teus eternos decretos?
Se leis imutáveis regem os teus mundos?...

Desde então, preferi ser passageiro inerte
Da tua máquina cósmica
Em vez de ser motorista ativo dessa máquina.
Desde então, desisti da minha velha mania
De querer converter alguém...
Converter, por que e para quê?
Se, no fim, todo homem tem de seguir o caminho que segue?
Desisti também de querer aliviar os sofrimentos
Dos sofredores.
Aliviar, por que e para quê?
Se cada devedor tem de saldar o débito do seu Karma?
Que insensatez seria se eu impedisse o devedor
De solver o seu débito!
Não será melhor que cada um pague, de vez, à eterna Justiça,
O que deve?

Que fique quite com a Constituição Cósmica,
Do que protelar essa quitação
Para tempos vindouros?
Deveras! Eu sabia demais...
E esse “saber demais” me impedia de agir.
Só age quem sabe pouco,
Quem sabe muito deixa de agir...
Agir é sinal de ignorância
E estreita ingenuidade...
Assim pensava eu...
Assim vivia eu...
Só mais tarde, muito mais tarde,
Descobri – que sabia de menos...
E por isso o meu saber me impedia de agir.
Numa estranha incubação espiritual,
De muitos dias e de muitas noites,
Finalmente, amadureceu em mim a suprema Verdade.
Isolei-me, diuturnamente,
Do ambiente físico
E do ambiente mental...
Desterrei de mim pessoas e coisas,
Bani do meu cérebro profanado
Pensamentos, memórias, fantasias,
Converti em silencioso santuário do Infinito
A ruidosa praça pública do meu cérebro,
E dentro deste grande silêncio da matéria e da mente
Focalizei intensamente o meu divino Eu...
Tão grande foi o calor dessa focalização
Que se derreteram em mim todas as matérias-primas...
E, quando tudo estava liquefeito –
O meu tácito pensar,
O meu ativo dinamismo ocidental
E o meu passivo misticismo oriental –
Então, todos os elementos,
Em liquefeita ignição,
Se fundiram numa nova unidade,
Que não era Aquém nem do Além
Não era mera justaposição,
Mas algo novo,
Inédito e inaudito,
Uma unidade orgânica,
Virgem, como a alvorada cósmica de um novo mundo,
Ainda aljofrado do orvalho noturno
De um divino “fiat” creador...
E dessa fusão do meu velho materialismo dinâmico
E do meu novo espiritualismo místico,
Nasceu a estupenda maravilha
Do homem integral,
Da nova creatura em Cristo...
Da fusão da minha horizontal ativa
E da minha vertical passiva,
Surgiu o emblema da universalidade,
O símbolo da redenção...
E eu me senti remido
Do meu esfalfante dinamismo,
E do meu inoperante misticismo.
Entrei na atmosfera de um mundo ignoto,
Na zona do dinamismo passivo,
Da passividade dinâmica...
A minha nova mística sacralizou a minha velha dinâmica,
E a minha dinâmica vigorizou a minha nova mística...
Hoje sou mais dinâmico do que nunca,
Mas o meu agir é diferente daquele,
Não é ruidoso como o martelar de uma fábrica
Dominada por fumegantes chaminés –
Mas é silencioso como a luz solar,
Como o agir do gigantesco astro,
Assaz, poderoso para lançar pelo espaço
Estupendos sistemas planetários,
E assaz carinhoso para beijar as pétala duma flor
Sem as lesar...
O meu agir é misticamente dinâmico,
E dinamicamente místico.
Um agir pelo não-agir
Um agir pelo Ser
Brota duma dimensão ignota –
Da zero dimensão do Infinito –

Anteontem, a ignorância me fizera ativo,
Ontem, a mística me fizera passivo –
Hoje, a experiência cósmica me faz
Ativamente passivo,
E passivamente ativo...

(A Voz do Silêncio - Huberto Rohden)

OS DESAFIOS DOS RELACIONAMENTOS - PARTE 2

Por Aloísio Wagner

 Por onde olhamos, vemos almas esfaceladas e corações amargurados devido o mundo do relacionamento familiar, conjugal e social. Por onde andamos vemos rostos tristes e acabrunhados por causa dos conflitos originados das relações. Por que há tantos atritos e sofrimentos nas relações?

Toda a causa está em nós. A evolução da alma, do espírito, da consciência, inicia-se em estado de ignorância, da não-sabedoria, da não-experiência, o que nos leva a agir tateando no escuro, sem enxergar onde pisamos e sem a noção correta para "onde" vamos; o que conseqüentemente nos leva a tropeçar, cair e nos machucar. Não adianta colocarmos culpa no objeto que estava à nossa frente, na parede, no chão de concreto, na coluna de aço onde batemos a cabeça. É imprescindível que acendamos a luz para corrigir nossas falhas; para que saibamos exatamente "onde" estamos pisando e para "onde" vamos.

Iluminar o ambiente escuro da casa se faz gradativamente, mas também proporcional à procura e o esforço de cada um. À medida que nossa consciência vai despertando sua luz, ela vai se direcionando com maior clareza, sabendo "onde" colocar os pés para lhe dar maior segurança.

A saída do estado de ignorância para a sabedoria requer interesse, dedicação, esforço, disciplina, trabalho, concentração, perseverança, paciência. Vários degraus precisam ser superados, um a um, até atingirmos o patamar superior onde há uma grande sala de recepção para a "ceia" divina, onde colhemos todo o fruto do esforço e trabalho, que nos traz paz, alegria e felicidade. 

O estado de ignorância indica a presença também de defeitos arraigados em nós: o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a inveja, a ambição, etc. Este é um estado doentio, que nos separa do outro. O outro é sempre um obstáculo e inimigo para atingirmos os nossos fins. As relações geralmente são "saudáveis" até onde o interesse de um é admitido porque outro também vê seu interesse sendo realizado. Quando um dos interesses se torna lesado, onde havia amizade ou "amor", passa existir ódio, vingança e mágoas.

O estado de ignorância é um estado germinal da conscientização de si mesmo, dando origem ao amor-próprio, e com a conseqüência da percepção da separatividade de tudo o que existe. Ele não consegue perceber que há uma "malha" oculta e invisível que nos liga um ao outro e a Deus. Tudo que fazemos ao outro estamos fazendo a nós mesmos, porque estamos interligados pelos "fios" divinos da criação, do Uno e da Fonte de onde fluímos juntos. Assim como dois galhos e duas folhas de uma árvore tem suas individualidades, elas se ligam e se alimentam pelo mesmo tronco, e por este mesmo tronco se liga aos outros galhos e às outras folhas.

Combater o outro é combater a si mesmo. Transformar o outro é transformar a si mesmo. Quando uma folha se contamina por uma praga, ela transfere pela multiplicação para toda árvore. Ajudar aquela folha individual é cuidar e ajudar a saúde do todo, do coletivo.

Quando um ladrão nos rouba, ele tem a sensação de ganho, e se sente mais forte e inteligente na difícil caminhada da vida que é feito de individualismos e interesses próprios. O roubado se sente humilhado e prejudicado, porque também acredita que aquele objeto que estava em suas mãos é de sua propriedade. Esta é uma fragilidade em nossa percepção de uma realidade mais profunda!

sábado, 5 de abril de 2014

O FILHO DO HOMEM

Apareceu um homem, entre esses milhões de habitantes terrestres...
E esse homem veio tornar-se o centro da história da humanidade.
Não fez descobertas nem invenções, não derrotou exércitos nem escreveu livros – esse homem singular.

Não fez nada daquilo que a outros homens garante imortalidade entre os mortais – o que nele havia de maior era ele mesmo...
Pelo ano do seu nascimento datam todos os povos cultos a sua cronologia.
Possuía esse homem exímios dotes de inteligência – e infinita delicadeza de coração.
A sua vida se resume numa epopéia de divino poder – e num poema de humano amor.

Havia na vida desse homem uma pátria e uma família – mas também um exílio e uma solidão.
Havia inocentes com o sorriso nos lábios – e doentes com lágrimas nos olhos.
Havia apóstolos e apóstatas...
Brincava nos caminhos desse homem a mais bela das primaveras – e espreitava-lhe os passos a mais negra das mortes.

Esse homem vivia no mundo – mas não era do mundo...
Quando chegou, “não havia lugar para ele na estalagem” - e quando partiu, só havia lugar numa cruz, entre o céu e a terra.

Esse homem não mendigava amor – mas todas as almas boas o amavam...
Era amigo do silêncio e da solidão – mas não conseguia fugir ao tumulto da sociedade, porque “todos o procuravam”...
Irresistível era o fascínio da sua personalidade – inaudita a potência das suas palavras...

Todos sentiam o envolvente mistério da sua presença – mas ninguém sabia definir esse estranho magnetismo...
Era uma luminosa escuridão – esse homem...

Não bajulava a nenhum poderoso – e não espezinhava nenhum miserável...
Diáfano como um cristal era o seu caráter – e, no entanto, é ele o maior mistério de todos os séculos...
Poeta algum conseguiu atingir-lhe as excelsitudes – filósofo algum valeu exaurir-lhe as profundezas...

Esse homem não repudiava Madalenas nem apedrejava adúlteras – mas lançava às penitentes palavras de perdão e de vida...
Não abandonava ovelhas desgarradas nem filhos pródigos – mas cingia nos braços a estes e levava aos ombros aquelas...

Esse homem não discutia – falava simplesmente...
Não esmiuçava palavras nem contava sílabas e letras, como os rabis do seu tempo – mas rasgava imensas perspectivas de verdade e beatitude...

Por isso diziam os homens, felizes e estupefatos:

“Nunca ninguém falou como esse homem fala!”...
Para ele, não era o esquife o ponto final da existência – mas o berço para a vida verdadeira...

Por isto, vivem por ele e para ele os melhores dentre os filhos dos homens – porque adoram nesse homem o homem ideal, o homem-Deus... 

(De Alma Para Alma - Huberto Rohden)

domingo, 30 de março de 2014

AS COISAS MAIS IMPORTANTES DA VIDA

Um menino pediu ao Irmão X que lhe mandasse um bilhete em que lhe apontassem quais são as coisas mais importantes da vida. Ei-las:

O maior e melhor amigo: "Deus."
Os melhores companheiros: "Os pais".
A melhor casa: "O lar."
A maior felicidade: "A boa consciência."
O mais belo dia: "Hoje."
O melhor tempo: "Agora."
A melhor regra para vencer: "A disciplina."
0 melhor negócio: "O trabalho."
O melhor divertimento: "O estudo."
A coleção mais rica: "A das boas ações."
A estrada mais fácil para ser feliz: "O caminho reto."
A maior alegria: "Dever cumprido."
A maior força: "O bem."
A melhor atitude: "A cortesia."
0 maior heroísmo: "A coragem de ser bom."
A maior falta: "A mentira."
A pior pobreza: "A preguiça."
0 pior fracasso: "O desânimo."
O maior inimigo: "O mal."
O melhor dos esportes: "A prática do
bem."

Leia esta lista de informações, sempre que você puder, e veja por si como vai indo a sua orientação.

E se quer mais um aviso de amigo velho, cada noite acrescente esta pergunta a você mesmo, depois de sua oração para o repouso:

- Que fiz hoje de bom que somente um amigo de Jesus conseguiria fazer?

IRMÃO X

OS DESAFIOS DOS RELACIONAMENTOS – PARTE 1

Por Aloísio Wagner

Qual a finalidade das relações em nossas vidas, seja familiar, social ou conjugal?
Autoconhecimento.
Autoconhecimento não é somente vermos as mazelas e imperfeições que carregamos na periferia do nosso ser, de nossa personalidade, mas também a conscientização de uma natureza mais profunda dentro de nós, onde há luz, sabedoria e amor! Onde nosso Eu é uno com a Fonte Maior e com tudo o que existe.
Como superar esta barreira ilusória que nos leva a identificação com a nossa personalidade? Com conscientização. Seja pela meditação profunda, como, e principalmente por meio de todas as relações que surgem em nossas vidas.
Podemos buscar várias coisas nas relações. Carências, desejos, prazeres, confortos, segurança, etc., mas a Lei divina busca o nosso autoconhecimento, que redunda na nossa transformação, que tem por fim a nossa felicidade. Felicidade não é algo que conquistamos fora de nós. Não é a profissão destacada; o dinheiro e bens acumulados; não é conforto; não é o bom marido ou esposa, com filhos; não é ter bons amigos e familiares, não é a boa casa e nem a admiração e respeito que podemos ter pelas pessoas; e não é a ausência de problemas, mas a capacidade de lidar com as infinitas adversidades, tendo no coração, compreensão, paz e amor pelos outros.
Felicidade é produto da realização das virtudes que temos em estado potencial. Despertá-la, é "acordar" a luz que está dentro de nós! Esta luz é a essência de Deus, da verdade, da justiça e do amor inerente em nossos espíritos, porque efeito da causa original que é Deus. Felicidade é exclusivamente uma conquista interna, no campo da alma, do espírito. É conhecer de fato nossa realidade espiritual. É ajustarmos às Leis Superiores que nos governam, sob os princípios do amor, da união e da fraternidade.
Finalmente, sejamos gratos por cada pessoa que passa pela nossa vida. Sejam aquelas que nos ensinam por expressar sabedoria e bondade, ou aquelas que expressam ignorância, arrogância e orgulho, e que precisamos também apreender o que nos trazem de bom.  São estes últimos que revelam os piores "monstros" e "demônios" que existem dentro de nós,  exigindo um trabalho hercúleo e concentrado. Se despertou em nós o desequilíbrio, a impaciência, a raiva e o ódio, não foi exatamente esta classe de seres que fez surgir em nós estas mazelas, estes foram apenas ferramentas da Lei divina para nos mostrar as "doenças" ocultas que estão dentro e nos conduzindo para a "morte".  
Não percamos tempo de culpar os outros por aquilo que estamos vivendo ou sentindo. Ao contrário, sejamos sempre gratos à Vida e a Deus por colocar cada pessoa em nosso caminho, porque cada um traz um elemento específico, um alimento particular, ou um medicamento peculiar para a cura de nossas almas.
Quem dirige o destino do mundo, do universo e de nossas vidas? Uma Lei Cósmica, perfeita, expressão Daquele que é a Perfeição, o Pai.  Nada acontece por acaso em nossas vidas. Num universo regido pela Ordem, tudo caminha para ser também ordenado e justificado. Não tenhamos medo da crucificação, porque após a crucificação ocorre a ressurreição, a ressurreição das virtudes que estavam dormentes em nossas almas, e ao acordar e despertar, nos faz tomar conhecimento e dá a sensação da presença do Pai, que nos ilumina com Seu Amor!

***

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A IMPORTÂNCIA DO RELACIONAMENTO

quinta-feira, 27 de março de 2014

O PRÍNCIPE DA PAZ

Pintura feita por Akiane Kramariki de 8 anos de idade. Chama-se "O Príncipe da Paz".


"O Príncipe da Paz"

sábado, 22 de março de 2014

ROUPA SUJA

Terminara, finalmente, o insigne poeta o seu árduo trabalho: grandioso poema sobre as maravilhas de Deus na ordem do cosmos.

E agora, numa roda de amigos e admiradores, declamava o mais belo capítulo da obra-prima do seu engenho.

Foi um assombro!...

De tamanha beleza eram as idéias, tão profundos os conceitos, tão cintilante as frases, tão suaves as cadências dos períodos, que os ouvintes se quedaram como que extáticos de enlevo...

E quando o poeta, no auge do entusiasmo, perorava a mais grandiosa página do estupendo poema – ouviu-se bater à porta da sala...

Mais se avolumou a voz do inspirado bardo, mais vibrante se tornou o seu estro, para abafar o ruído do inoportuno visitante.

Persistem, porém, na porta, os golpes indiscretos.

Interrompe então o cantor das grandezas de Deus a faiscante cadeia de idéias e, contrariado, com um arranco violento, abre a porta.

“Por obséquio, senhor doutor, a sua roupa suja” – diz uma vozinha tímida, coando dos lábios pálidos de uma menina magríssima.

É a filha da pobre lavadeira.

“Agora não posso, menina! Venha amanhã!...” 

“Mas...a mamãe fica sem serviço...e sem pão...Somos tão pobres...Por favor, senhor doutor, a sua roupa suja...”

“Não posso, já disse!”

Com estrondo infernal se fecha a porta na cara da menina pálida.

E, tornando a subir ao estrado, retoma o trovador o fio do poema.

Por entre tempestades de aplausos termina a declamação da grande apoteose que elaborou pela maior glória de Deus.

Felicitações, abraços, sorrisos, elogios, luminosas perspectivas...

Altas horas da noite...

Surge do seio das trevas o rosto pálido duma menina paupérrima...

Corre pelo quarto olhares sonâmbulos...Apanha da mesa os originais do poema – folha por folha, e rasga-as em mil pedaços...

E jogando-as ao cesto de papéis, murmura: “Roupa suja”. E desaparece...

O poeta acorda...Os originais lá estão, intactos...

E põe-se a pensar , a pensar, a pensar....

É verdade que escrevi este poema pela maior glória de Deus?...

Se é verdade, porque não cantei, ontem à noite, o mais belo de todos os poemas do mundo – o poema da caridade?...

Por que não entreguei à pobrezinha a minha roupa suja?...

Por que preferi à caridade a minha vaidade?...

Levantou-se e resolveu, logo de manhã, entregar à filha da lavadeira a roupa suja que ela pedira – e lavou com as lágrimas do arrependimento a “roupa suja” que tinha dentro da alma...

E o seu coração cantou em silêncio o mais lindo poema de humanidade...

O poema divino do Nazareno...


Huberto Rohden

quinta-feira, 20 de março de 2014

A IMPORTÂNCIA DO RELACIONAMENTO

Por Aloísio Wagner

Relacionarmo-nos é antes de tudo conhecer-nos a nós mesmos. O outro é sempre o espelho por onde nos vemos.

Quando estamos em isolamento geralmente não percebemos as sutilidades de nosso ego que se manifesta por meio de nossas relações expressando desequilíbrios, impaciência, vaidade, orgulho, egoísmo, etc. Tornando então fundamental o contato com o outro. 

Nenhum homem ou ambiente tem a capacidade de nos fazer maus ou bons. 

Quando o somos, apenas deixamos externalizar aquilo que já existia em estado latente. Aquilo que estava implícito se torna explícito.  Daí a importância de um entrelaçamento de ideias, pensamentos, sentimentos, pois o homem solitário tem dificuldade de perceber suas doenças e feridas internas, que somente em relação passa a identificar. Muitos inconscientemente fogem e a Lei o alcança, exigindo profundas transformações num trabalho incessante, pois queremos nos furtar ao invés de vê-la como chance e oportunidade de  transformação.

Quando estamos numa relação, somos exigidos pela Lei divina a conquistar a perfeição espiritual. Sedes perfeito como vosso Pai celestial é perfeito, e o termômetro desta perfeição, para nós mesmos, é  compreender e amar, seja quem for, amigo ou inimigo, esposa ou vizinho, conhecido ou desconhecido, aceitando suas limitações e imperfeições, e ajudando-os a alcançar uma consciência mais lúcida. 

Não devemos esperar nada de ninguém. Nem atenção, carinho, reconhecimento, respeito, amor, etc. Nossos atos não devem ter interesse de satisfação de nossos desejos.  Agir esperando uma recompensa é sinal de egoísmo.

Quem busca recompensa externa  ainda não encontrou a substância interna, que é o verdadeiro alimento, que é vida, que é Deus, dentro de nós.   

domingo, 16 de março de 2014

LIBERTE-SE DO PASSADO

Na vida que em geral levamos há muito pouca solidão. Mesmo quando estamos sós, nossa vida está tão repleta de influências, de conhecimentos, de memórias e experiências, de ansiedade, aflição e conflito, que nossa mente se torna cada vez mais embotada e insensível, funcionando numa monótona rotina. Estamos sós, alguma vez? Ou estamos transportando conosco todas as cargas de ontem?

Conta-se uma história interessante de dois monges que, caminhando de uma aldeia para outra, encontraram uma jovem sentada à margem de um rio, a chorar. Um dos monges dirigiu-se a ela, dizendo: "Irmã, por que choras?" E ela respondeu: "Estás vendo aquela casa do outro lado do rio? Eu vim para este lado hoje de manhã cedo e não tive dificuldade em vadear o rio; mas, agora ele engrossou e não posso voltar; não há nenhum barco". "Oh!" diz o monge, "isto não é problema" - e levantou nos braços a jovem e atravessou o rio, deixando-a na outra margem. E os dois monges prosseguem juntos a jornada. Passadas algumas horas, diz o outro monge: "Irmão, nós fizemos o voto de nunca tocar numa mulher. O que fizeste é um horrível pecado. Não sentiste prazer, uma sensação extraordinária, ao tocar uma mulher?" - E o outro monge responde: "Eu a deixei para trás há duas horas. Tu ainda a estás carregando, não é verdade?"

É isso o que fazemos. Carregamos nossos fardos a todas as horas; nunca morremos para eles, nunca os deixamos para trás. É só quando dispensamos a um problema toda a nossa atenção e o resolvemos imediatamente, sem o transportarmos para o dia seguinte, o minuto seguinte - é só então que há solidão. Então, ainda que estejamos numa casa cheia de gente, ou viajando num ônibus, temos solidão. E essa solidão denota uma mente nova, uma mente inocente.

Ter silêncio e espaço interiores é muito importante, porque implica liberdade para existir, mover-se, atuar, voar. Afinal de contas, a bondade só pode florescer onde há espaço, assim como a virtude só pode medrar quando há liberdade. Podemos ter liberdade política, mas, interiormente, não somos livres e, por conseguinte, não há espaço. Nenhuma virtude, nenhuma qualidade valiosa, pode funcionar ou medrar sem esse vasto espaço interior. E o espaço e o silêncio são necessários, pois apenas a mente que está só, livre de influências, de disciplinas, do controle de uma infinita variedade de experiências, é capaz de encontrar-se com algo totalmente novo.

Cada um de nós pode verificar diretamente que só há possibilidade de clareza quando a mente se encontra em silêncio. No Oriente, a finalidade da meditação é produzir um estado mental capaz de controlar o pensamento, o que é a mesma coisa que recitar constantemente uma oração para quietar a mente, esperando-se que, nesse estado, se compreenderão os problemas do indivíduo. Mas, a menos que sejam lançadas as bases, ou seja que se esteja livre do medo, livre do sofrimento, da ansiedade e de todas as armadilhas que armamos para nós mesmos, não vejo possibilidade de a mente ficar realmente quieta. Esta é uma das coisas mais difíceis de transmitir. A comunicação entre nós requer, não só que compreendais as palavras que estou empregando, mas também que ambas as partes, vós e eu, estejam tensas ao mesmo tempo, nem um momento mais cedo ou mais tarde, e sejam capazes de encontrar-se no mesmo nível. Essa comunicação não é possível quando estais interpretando o que estais lendo de acordo com vossos próprios conhecimentos, vosso prazer ou vossas opiniões, ou quando estais fazendo um tremendo esforço para compreender.

Um dos piores tropeços na vida - parece-me - é essa luta constante para alcançar, conseguir, adquirir. Desde a infância somos educados para adquirir e realizar; as próprias células cerebrais criam e exigem esse padrão de realização, a fim de terem segurança física, mas a segurança psicológica não se encontra no campo da realização. Exigimos segurança em todas as nossas relações, atitudes e atividades, mas, como já vimos, não existe realmente essa coisa chamada segurança. Se descobris, por vós mesmo, que não há nenhuma forma de segurança em qualquer espécie de relação - se percebeis que, psicologicamente, nada existe de permanente, esse percebimento vos proporciona uma maneira totalmente diferente de considerar a vida. É essencial, naturalmente, a segurança exterior - teto, roupa, comida - mas essa segurança exterior é destruída pela exigência de segurança psicológica.

O espaço e o silêncio são necessários para ultrapassarmos as limitações da consciência, mas, como pode ficar quieta uma mente que está perenemente ativa em seu próprio interesse? Podemos discipliná-la, controlá-la, moldá-la, mas essa tortura não torna a mente quieta; só a torna embotada. Evidentemente, o mero cultivo do ideal de ter uma mente quieta é sem valor, porque, quanto mais a forçamos, mais estreita e estagnada ela se torna. Qualquer forma de controle, tal como a repressão, só produz mais conflito. Assim, o controle e a disciplina exterior não constituem o caminho certo, e tampouco tem algum valor uma vida não disciplinada.

A vida de quase todos nós é exteriormente disciplinada pelas exigências da sociedade, pela família, por nosso próprio sofrimento, nossa própria experiência, pelo ajustamento a certos padrões ideológicos ou factuais, e essa forma de disciplina é a coisa mais maléfica que existe. A disciplina deve ser sem controle, sem repressão, sem nenhuma forma de medo. Como pode nascer essa disciplina? Não é - primeiro disciplina, depois liberdade; a liberdade está bem no começo, e não no fim. Compreender essa liberdade, que significa estar livre do ajustamento que a disciplina impõe, é disciplina. O próprio ato de aprender é disciplina (aliás, a própria raiz da palavra disciplina significa aprender), o próprio aprendizado transforma-se em clareza. A compreensão de toda a natureza e estrutura do controle, da repressão e da complacência, requer atenção. Não é necessário impor disciplina para estudar, pois já o ato de estudar cria sua própria disciplina, sem repressão de espécie alguma.

Para rejeitarmos a autoridade (referimo-nos à autoridade psicológica e não à autoridade da lei), rejeitarmos a autoridade de todas as organizações religiosas, de todas as tradições e da experiência, temos de ver por que, normalmente, obedecemos; temos, com efeito, de estudar isso. Esse estado exige que nos achemos livres da condenação, da justificação, da opinião, da aceitação. Ora, não podemos aceitar a autoridade, e estudá-la; isso é impossível. Para se estudar toda a estrutura psicológica da autoridade, cumpre exista liberdade dentro de nós mesmos. E quando a estamos estudando, estamos rejeitando toda a sua estrutura, e quando rejeitamos, essa própria rejeição é a luz da mente livre da autoridade. A negação de tudo o que tem sido considerado valioso - como a disciplina externa, a liderança, o idealismo - é estudá-lo; então, esse próprio ato de estudar não só é disciplina, mas a negação dela, e a própria negação é um ato positivo. Assim, estamos negando todas as coisas consideradas importantes para promover a quietação da mente.

Como vemos, não é o controle que leva à quietação. Tampouco está quieta a mente ao ter um objeto que de tal maneira a absorve que ela se perde nesse objeto. Isso é como dar a uma criança um brinquedo interessante; a criança se torna quieta, mas, tire-se-lhe o brinquedo e ela volta a fazer travessuras. Todos nós temos os nossos brinquedos que nos absorvem, e, por isso, pensamos que estamos muito quietos; mas, se um homem se dedica a uma certa forma de atividade, científica, literária ou qualquer outra, o brinquedo apenas o absorve e ele não está, em absoluto, totalmente quieto.

O único silêncio que conhecemos é o silêncio que vem quando cessa o barulho, o silêncio que vem quando o pensamento cessa; mas isso não é silêncio. O silêncio é coisa toda diferente, como a beleza, como o amor. Esse silêncio não é o, produto de uma mente quieta, não é o produto de células cerebrais que, tendo compreendido toda a estrutura, dizem: "Pelo amor de Deus, fica quieto!"; são, então, as próprias células cerebrais que produzem o silêncio, e isso não é silêncio. Tampouco é o silêncio produto da atenção em que o observador é o objeto observado; não há então atrito, mas isso não é silêncio.

Estais esperando que eu vos descreva o que é esse silêncio, a fim de poderdes compará-lo, interpretá-lo, levá-lo e enterrá-lo. Ele é indescritível. O que pode ser descrito é o conhecido, e o estado livre do conhecido só pode tornar-se existente quando há um morrer todos os dias para o conhecido, para os insultos, as lisonjas, para todas as imagens que tendes formado, para todas as vossas experiências: morrer todos os dias, para que as células cerebrais se tornem novas, juvenis, inocentes. Mas, essa inocência, esse frescor, essa "qualidade" de ternura e delicadeza não produz o amor; não é a "qualidade" da beleza ou do silêncio.

Aquele silêncio, que não é o silêncio do fim do barulho, é só um modesto começo. É como passar por um túnel estreito para se chegar a um oceano imenso, vasto, extenso - a um estado imensurável, atemporal. Mas isso não se pode compreender verbalmente, a menos que se tenha compreendido toda a estrutura da consciência e o significado do prazer, do sofrimento e do desespero, e as próprias células cerebrais se tenham tornado quietas. Então, talvez alcanceis aquele mistério que ninguém pode revelar-vos e nada pode destruir. Uma mente viva é uma mente quieta, uma mente viva é uma mente que não tem centro algum e, por conseguinte, não tem espaço nem tempo. Essa mente é ilimitada, e esta é a única verdade, a única realidade.

Por J
iddu Krishnamurti

sábado, 15 de março de 2014

DAQUI CEM ANOS


"Quem serás tu, leitor, que daqui a cem anos hás de ler os meus versos? Não posso mandar-te uma única flor desta coroa de primavera, nem um único raio de ouro desta nuvem longínqua. Abre a tua porta e olha ao longe! No teu jardim em flor, colhe a lembrança perfumada das flores murchas há cem anos. Possas tu sentir, na alegria do teu coração, a alegria viva que, certa manhã de primavera, cantou, atirando a sua voz alegre a uma distância de cem anos!" 

(Rabindranath Tagore)

sexta-feira, 14 de março de 2014

AS DUAS FACES DA NUVEM

Não creias, amigo ignoto, em nuvens totalmente escuras.
Por mais sinistras que pareçam, cá de baixo, não deixam de ser luminosas, vistas lá de cima. 

É questão de perspectiva...
Quando um dia subires à estratosfera, verás que até o mais espesso negror se dilui em luminosa alvura.

Não creias em vida perdida.
Não fales em derrota completa.
A vida é tão vasta, sublime e profunda que nenhuma desgraça a pode inutilizar por completo.
Se a ignorância ou a perversidade dos homens te fecharem uma porta, abre outra.

Se a perfídia dos inimigos ou a traição dos “amigos” demolirem os palácios da tua opulência, levanta modesta choupana à beira da estrada.
Ninguém te pode fazer infeliz – a não ser tu mesmo.
Tu é que tens nas mãos as chaves do céu e do inferno.

“O reino de Deus está dentro de ti”...

A felicidade não está na periferia da tua vida – está no centro do teu ser.
Não é nos nervos, na carne, no sangue, no acaso ou no destino que reside a verdadeira beatitude – mas, sim, no íntimo recesso da tua consciência.


Melhor uma choupana arraiada de sorrisos do que um palácio afogado em lágrimas...

Deus te creou para a felicidade – e quem pode frustar os planos do Onipotente?
Se a tua vida não é um dia cheio de sol – por que não poderia ser uma noite iluminada de estrelas? 


Por que não poderia a tua felicidade ganhar em profundidade o que talvez tenha perdido em extensão?
Por que não poderia a luz suave de miríades de astros infundir-te na alma uma felicidade que nunca te deram os fulgores solares?

Se não percebes o chilrear dos passarinhos e o chiar das cigarras da zona diurna da vida – por que não te habituas a escutar as vozes discretas com que o silêncio noturno enche a tua solidão?

Há tanto misticismo nas fosforescências da Via-Láctea...
Há tanta sabedoria na reticência da luz sideral...
Há tanta eloquência no mutismo das nebulosas longínquas...
Há tantas preces no sussurro das brisas noturnas...
Há tanta alma na argêntea placidez do luar...
Há tanta filosofia na vastidão pressaga do cosmos...
Há tanta beatitude na acerbidade da dor, quando iluminada por um grande ideal...
Há tão profunda paz em pleno campo de batalha, quando o homem compreendeu o porquê da luta e o sentido do sofrimento... 


Por mais negra que seja a face humana das nuvens da tua vida – crê, meu amigo, que é luminosa a face voltada para as alturas da Divindade.

Huberto Rohden

O ATUAL MOMENTO HISTÓRICO

Olhemos em derredor de nós. No atual momento histórico existem dois estados: um aparente, superficial, transitório, que todos vêem e que constitui a base de julgamento da maioria; outro real, profundo, dado pelo eterno desenvolvimento das coisas.

Hoje é exatamente a hora do mal, cuja característica é a negação e a subversão. Assim os melhores se tornaram perseguidos, quase que obrigados a esconder-se, enquanto os piores conquistaram tudo. Mas é natural que os revolvimentos necessários para passar de um estado de equilíbrio a outro, evolutivamente superior, sejam também convulsivos.

Mas é uma posição falsa, porque não lhe corresponde um valor intrínseco e, por conseguinte, ela não pode durar. Toda a verdade, pela lei do dualismo universal, não está completa se não foi vista em seus dois temas antitéticos e contraditórios, dos quais ela se compõe na totalidade. No extremo do fenômeno histórico atual, como aparece na superfície, temos um estado oposto, de preparação subterrânea, de espera e maturação. Assim como se diz que sob a neve está o pão, também é sob a tempestade que estão amadurecendo os germes de uma nova civilização. Para compreender isto, seria necessário conhecer não só as leis históricas, mas também as leis biológicas, das quais a história humana não é mais do que uma parte.

Eis que no fundo das coisas há algo de bem diferente; estão aí o pensamento e a vontade diretora de Deus, que não são apenas transcendentes nos céus, mas também imanentes em nós e em nossas coisas, presentes com a sua incessante obra criadora. Na direção da história há, portanto, uma obra outra do que a pobre e ignorante sapiência humana. Há a sabedoria de Deus. Que isto seja de grande conforto aos melhores, mais evoluídos, hoje expulsos e esmagados.

Quem está habituado a olhar com humildade e amor, pedindo e entregando-se a esse pensamento divino que tudo rege, constata experimentalmente a existência de uma lei de ordem e de amor que está no centro das coisas, que as alimenta e as mantém em vida, ainda que deixando que na periferia, na forma e na matéria, dominem a desordem e o mal. Assim como nas grandes tempestades oceânicas, a poucos metros abaixo da superfície das águas se observa a calma, assim também na história. Sob o grande rumor das revoluções, a queda das classes sociais e dos tronos, o desmoronamento de enormes construções políticas, se verifica a calma das grandes Leis da vida que, lentas mas seguras, vão preparando o futuro. Futuro garantido, como garantida é a primavera que deve trazer consigo a germinação das novas massas.

Não podemos, de fato, presumir que a continuação da vida seja confiada aos homens e aos seus expedientes. E, se ela triunfa, e sempre triunfou, como o demonstra o fato de que durou até aqui, isto é porque ela é protegida justamente por essa sabedoria divina que a guia, a nutre e a mantém.

(Pietro Ubaldi - Livro: Ascensões Humanas)

quarta-feira, 12 de março de 2014

DO ÁTOMO AO ARCANJO. CONGRESSO DEBATE OS CAMINHOS DA EVOLUÇÃO HUMANA


Com o tema “Do átomo ao arcanjo, os caminhos da evolução humana”, o XIX Congresso Nacional Pietro Ubaldi será realizado em Fortaleza, entre os dias 22 e 23 de agosto de 2014, no Hotel Blue Tree - Praia de Iracema. Essa será a primeira edição realizada no Nordeste.

Segundo Sheila Franco, uma das organizadoras do Congresso, o evento é voltado para estudiosos, cientistas, religiosos em geral, escritores e simpatizantes da obra de Ubaldi. “Atingimos assim um público nacional e internacional, universalista, imparcial, sem qualquer bandeira religiosa”, resume Sheila.

O autor Pietro Ubaldi, explica Sheila, escreveu uma obra espiritualista, com 24 volumes, na qual procurou demonstrar a existência de uma Lei Universal que tudo dirige. “Ele une filosofia, religião e ciência. Metade dessa obra foi escrita na Itália e a outra metade no Brasil”, relata. Já o livro “A Grande Síntese”, escrito entre 1932 e 1935, é tido como uma de suas principais obras, versando sobre uma proposta de compreensão unificada entre todas as formas de conhecimento humano.

Inscrições
As inscrições serão através do site do Instituto Pietro Ubaldi. O site, porém, ainda não incluiu o programa de inscrições. Conforme a organização do evento, após manutenção técnica, o espaço será liberado. Acesse: www.ubaldi.org

Saiba mais
Anualmente, realizam-se Congressos Brasileiros Pietro Ubaldi sempre no meio do mês de agosto, na data mais próxima do aniversário de nascimento do missionário (ele nasceu no dia 18 de agosto de 1886). Em 2014, a edição do evento acontecerá em Fortaleza.

Pietro Ubaldi foi um filósofo espiritualista e reencarnacionista. Nasceu na Itália em 1886 e faleceu no Brasil em 1972, a sua segunda pátria, onde viveu por 20 anos. Sob a inspiração do que chamou a "Sua Voz", escreveu 24 livros de natureza espiritual, sendo “A Grande Síntese” o primeiro. Esse livro, com cem capítulos, foi traduzido para vários idiomas. Somente no Brasil já alcançou vinte edições.


FONTE:
http://www.boanoticia.org.br/noticias_detalhes.php?cod_noticia=5843&cod_secao=1

terça-feira, 11 de março de 2014

O CREDO DA CIÊNCIA

Meu caro amigo. Recebi tuas felicitações - muito obrigado.
Atingi o "vértice da pirâmide" – dizes.
Enchi de mil conhecimentos o espírito - é verdade.
Cinge-me a fronte o laurel de doutor - sou acadêmico.
Entretanto - não me iludo...

Quase todo o humano saber - é crer...
Nossa ciência - é fé.
Creio nos testemunhos dos historiadores - porque não presenciei o que referem.
Creio na palavra dos químicos e físicos - porque admito que não se tenham enganado nem me queiram enganar.

Creio na autoridade dos matemáticos e astrônomos - porque não sei medir uma só das distâncias e trajetórias siderais.
Tenho de crer em quase todas as teses e hipóteses da ciência - porque ultrapassam os horizontes da minha capacidade de compreensão.
Creio até nas coisas mais cotidianas - na matéria e na força que me circundam...
Creio em moléculas e átomos, em elétrons e prótons - que nunca vi...

Creio nas emanações do rádium e nas partículas do hélium - enigmas ultramicroscópicos.
Creio no magnetismo e na eletricidade - esses mistérios de cada dia.
Creio na gravitação dos corpos sidéreos - cuja natureza ignoro.
Creio no princípio vital da planta e do animal - que ninguém sabe definir.
Creio na própria alma - esse mistério dentro do Eu.

Não te admires, meu amigo, de que eu, formado em ciências naturais, creia piamente em tudo isto...

Admira-te antes de que haja quem afirme só admitir o que compreende - depois de tantos atos de fé quotidiana.

O que me espanta é que homens que vivem de atos de crença descreiam de Deus - "por motivos científicos".

Homem! tu, que não compreendes o artefato - pretendes compreender o Artífice?

Que Deus seria esse que em tua inteligência coubesse?

Um mar que coubesse numa concha de molusco - ainda seria mar?

Um universo encerrado num dedal - que nome mereceria?

O Infinito circunscrito pelo finito - seria Infinito?

Convence-te, ó homem, desta verdade: só há duas categorias de seres que estão dispensados de crer: - os da meia-noite - e os do meio-dia...

As trevas noturnas do irracional - e a luz meridiana da Divindade...

O insciente - e o onisciente...

Aquele por incapacidade absoluta - este por absoluta perfeição...

O que oscila entre a treva total do insciente e a luz integral do onisciente - deve crer...

Deve crer, porque a fé se move nesse mundo crepuscular, equidistante do vácuo e da plenitude, da meia-noite e do meio-dia...


Huberto Rohden, do Livro: De Alma Para Alma

domingo, 9 de março de 2014

A DOR NA LÓGICA DO DESTINO

Todos os organismos, seja no plano físico ou no espiritual, isto é, tanto o nosso corpo como a nossa alma, têm um ponto de menor resistência ( locus minoris resistentiae ). Ora, parece que a natureza escolhe justamente este ponto de maior fraqueza, de maior vulnerabilidade, para convergir sobre ele os seus mais veementes golpes. Este ponto, de preferência, ela fere nas doenças físicas como nas imperfeições morais.

A natureza não gosta de pontos fracos, lança-se contra eles, seja para provar-lhes a resistência, e, se esta é pouca, abrir-lhes prontamente uma brecha e resolver o caso, matando o indivíduo, seja para estimular as suas reações e com isso impulsioná-lo a se reforçar, a reativar as suas defesas, e ensinar-lhe a salvação, obrigando-o a vencer, a aprender a ser forte, para sempre saber vencer. A resposta depende do indivíduo, e será vida ou morte, libertação ou dor. Assim, cada pena é uma doença e cada doença uma prova. Em cada caso a dor tem um significado, um escopo útil, e nos atinge para o nosso bem. É uma tentativa salutar de correção de algum erro, para restabelecer o equilíbrio, a ordem divina das coisas, na qual só existe felicidade. A natureza, ao infligir-nos as provas, parece desapiedada. Mas com elas se completa a grande escola da vida, na qual se aprende, cada um por si mesmo, a corrigir os impulsos mal dirigidos do próprio destino. De fato, somos nós mesmos que, nascendo com uma dada constituição física e moral, trazemos já em nós, definidos e localizados, os pontos de menor resistência, a nossa força ou a nossa fraqueza, já implicitamente assinalando a nossa vitória ou a nossa condenação. O ambiente prova indistintamente todas as pessoas: a nossa resposta é que é diversa, as causas da dor estão em nós. A natureza é imparcial, é justa. Se fosse piedosa, não seria justa e trairia a maior finalidade da vida, que é o evolver, que nos faz progredir e aperfeiçoar.

Por que nascemos de maneiras tão diversas, com tão diferentes bagagens de forças e de fraquezas, de direitos e deveres? A cada um cabe justificar a sua prova e a sua dor, tão grave e diversa. Esse é um problema que deverá ser resolvido pelos que crêem na criação dos espíritos do nada, todos iguais ao nascimento. Para que a dor seja justa, cumpre sejamos responsáveis pelas causas que a atraem, por havermos provocado. Urge, como precedente, uma causa livre e nossa, para que haja justiça, quando nos fere um efeito doloroso e inexoravelmente nosso. As teorias vagas, que nada esclarece neste terreno, são muito boas para as dores alheias, mas não servem para compreendermos, resolvermos, guiarmos e suportarmos as nossas. Sem aquele precedente livre e nosso, não nos resta mais do que a horrível idéia de um Criador injusto ou inconsciente, ou a idéia atéia do caos. Se para sairmos bem, devemos renunciar de uma vez a compreender, não nos resta mais do que completar o nosso suicídio espiritual.

A natureza, que parece desapiedada, é justa e benigna. No fundo, a negação aparente da dor é uma afirmação; aquelas investidas contra a vida são a favor da vida. Quem observar o próprio destino, verá que as suas forças não golpeiam ao acaso, mas tendem a seguir particulares direções e a conservá-las; preferem alguns pontos, diversos para os vários indivíduos, mas quase sempre bem definidos e constantes para cada um em particular. Como cada destino, a dor, para cada pessoa, tem um caráter dominante, um sentido que persiste do nascimento até a morte, e a cada destino corresponde determinada forma de dor. Quem pode negar, a "priori", que todas essas forças, que tão profundamente atuam em nossa vida, não tenham uma natureza inteligente? Às vezes elas se apresentam tão precisamente dosadas e dirigidas, que fazem pensar num mestre traçando as disciplinas de um curso e as classes de uma escola. Freqüentemente, a quem olhe em profundidade, aparece esta ordem maior, que controla a aparente desordem do particular. A natureza, ou seja, a inteligência das leis da criação, ou pensamento-verdade de Deus, não nos prodigaliza gratuitamente as qualidades e as aptidões, mas nos impõe a sua conquista através do esforço, obrigando-nos a aprender com a experiência, quando não as determina por meio de reações, obrigando a aflorar aquilo que já estava latente em nosso espírito.

(Pietro Ubaldi – Trechos do livro “História de um Homem”)

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