SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

"Que mundo maravilhoso". Bom dia!

Comentário(s)

Louis Armstrong - What a Wonderful World - Legendado from Acervo Virtual 😏👓 on Vimeo.

O que é uma mente medíocre?

Comentário(s)

PERGUNTA: A tradição, os ideais e um certo senso de moralidade social mantinham as pessoas medíocres como eu ocupadas de maneira virtuosa; mas essas coisas já perderam para a maioria de nós toda a significação. Como podemos libertar-nos de nossa mediocridade?
KRISHNAMURTI: Senhores, que é uma mente medíocre? Não a definais - uma definição pode achar-se facilmente num dicionário -, mas observai vossa mente e tratai de descobrir por que é ela vulgar, medíocre. Diz o interrogante que a tradição, os ideais e um certo senso de moralidade social mantinham ocupadas, de maneira virtuosa, as pessoas medíocres como ele. Ora, isso não era uma "maneira virtuosa", mas uma maneira tradicional. Fazer o que a sociedade manda não é virtude; é meramente atuar como gramofone, e isso nada tem em comum com a virtude. Virtude implica liberação da avidez, da inveja, da ambição de poder, e que a pessoa fique só. Somente então pode-se falar em virtude. Atuar mecanicamente, porque durante séculos fostes educados para pensar de uma certa maneira e ajustar-vos a um certo padrão, isso não é virtude.
Que é então mediocridade? Não o sabeis? Não sabeis o que é uma mente medíocre? Ora, isso é muito simples. A mente ocupada é uma mente medíocre. Com o que quer que esteja ocupada - Deus, bebidas, sexo, poder - ela é uma mente medíocre. Compreendeis, senhores? A mente que pratica virtude de manhã à noite é uma mente ocupada, e portanto, medíocre já que está interessada em si própria. Podeis dizer: "Não estou interessado em mim mesmo; estou interessado na Índia"; mas isso é apenas transferir a própria identidade pra a uma coisa e ficar ocupado com essa coisa. Toda ocupação - com um livro, um pensamento, com qualquer uma dúzia de coisas - denota mediocridade, porque a mente ocupada não é uma mente livre. 

[...]

Não estais vendo, senhores, que andais ocupados com os assuntos de outras pessoas porque vós sois as outras pessoas, não sois vós mesmos. Não vos conheceis. Estais ocupados com coisas que vos disseram serem importantes, mas, se tiverdes um sentimento real a respeito de uma dada coisa, vereis que já não haverá ocupação. O homem dotado de profunda sensibilidade não é uma pessoa medíocre; porém, quando procura expressar essa sensibilidade em palavras e faz muito "barulho" em torno dela, quando com essas palavras busca a fama, a notoriedade, dinheiro ou o que quer que seja, então ele se torna medíocre. Assim, a investigação da mediocridade é uma investigação de vossa própria mente, e com ela descobrireis que a mente ocupada permanece sempre medíocre.

Krishnamurti - Madrasta - 23 de dezembro de 1956 
Do livro: O homem livre - Ed. Cultrix

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Amor e harmonia

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Uma grande atração governa o universo por inteiro: Amor. Ele canta na arquitetura das linhas, na sinfonia das forças, nas correspondências dos conceitos, sempre presente. Chama-se atração e coesão no nível do matéria; impulso e transmissão no nível energia; impulso de vida e ascensão no nível do espírito. É harmonia na ordem cinética, em que reside a respiração do universo. Ousamos desvelar o mistério e olhar sem véus a Lei, que é o pensamento de Deus. Em todos os campos vimos os momentos desse conceito que governa tudo. Que os bons não tenham medo de conhecer a verdade. 

"Sua Voz", por Pietro Ubaldi. No Livro: A Grande Síntese. Cap. Despedida

domingo, 15 de janeiro de 2017

Inquietude Metafísica

Comentário(s)

Se existe o centro para o qual gravita a pedra solta no espaço;
Se existe o sol que a planta adivinha em plena escuridão.
Se existem zonas banhadas de luz e calor que, de veementes saudades, enchem as aves migratórias;
— por que não existiria, algures, esse grande astro por que minh’alma suspira?
— por que não cantaria, para além desses mares visíveis, o invisível país da minha grande nostalgia?
— Por que não?...
Seria o homem, rei e coroa da criação, a única desarmonia no meio dessa universal sinfonia da Natureza?
Um caos de desordem em pleno cosmos de ordem?
Não atingiria ele jamais a meta das suas saudades?
Seria ele mais infeliz que a pedra, a planta, o animal?
Seria ele um eterno Tântalo ludibriado pela miragem duma felicidade quimérica?
Seriam as mais nobres aspirações de minh'alma eternamente burladas por um gênio perverso e cruel?
E teria esse tirano o nome de Deus?
Quem poderia crer coisa tão incrível?
Que inteligência abraçaria tamanho absurdo?
Creio, Senhor, na imortalidade, porque creio no teu amor!
Creio na vida eterna, porque creio na ordem dos teus mundos!
Creio no mundo futuro, porque creio na harmonia do teu Universo!
Para além de todos os enigmas e paradoxos da vida presente, existem uma solução e uma verdade eterna.
Após a noite deste mundo que nos desorienta, despontará a alvorada dum dia que iluminará os nossos caminhos.

***
Continua, pois, Centro eterno, a atrair o meu coração, que inquieto está até que ache quietação em ti...
Continua, ó Sol divino, a encher-me de veemente heliotropismo o espírito, para que, no meio das trevas procure a tua grande claridade...
Continua, ó tépida Primavera, a chamar das regiões polares a avezinha nostálgica de minh'alma, que só na zona tropical do teu amor encontra paz e vida eterna...
Só em ti, meu Centro, meu Sol, minha Primavera, sucederá à dolorosa inquietude do meu espírito a inefável quietude de todo o meu ser...

Huberto Rohden - De Alma Para Alma

A dinâmica do inconsciente (Carl Gustav Jung)

Comentário(s)

Os arquétipos, quando surgem, têm um caráter pronunciadamente numinoso, que poderíamos definir como “espiritual”, para não dizer “mágico”. Consequentemente, este fenômeno é da maior importância para a psicologia da religião. O seu efeito, porém, não é claro. Pode ser curativo ou destruidor, mas jamais indiferente, pressupondo-se, naturalmente, um certo grau de clareza” 

____________________ 
Jung, Carl Gustav. A Natureza da Psique - a Dinâmica do Inconsciente - Vol. 8/2 - Col. Obra Completa - 8ª Ed. – 2011. Editora VOZES.

O amor sem motivo

Comentário(s)

O que é o amor sem motivo? pode haver amor sem nenhum incentivo, sem o desejo por algo? Pode haver amor sem que haja a sensação de ser ferido quando ele não é retribuído? Se eu lhe ofereço a minha amizade e você a rejeita, eu não fico ferido? Essa sensação de ser ferido é resultado, generosidade ou compreensão? Certamente, enquanto eu me sentir ferido, enquanto houver, medo, enquanto eu lhe ajudar esperando que você possa me ajudar, não existirá amor. Se você entende isso, então tem a resposta. 

(Jiddu Krishnamurti - O Livro da Vida)

sábado, 14 de janeiro de 2017

A nova psicanálise

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Imagem: IBBIS.

Os arquétipos equivalem ao que chamamos os imutáveis princípios da Lei. A reação surge aquele mundo que para o homem ignorante é o inconsciente, isto é, situado acima do seu conhecimento ou consciência, que representa a sua forma mental que contém toda a sua sabedoria, adquirida pela sua experiência passada no trabalho de construção do eu. O resultado da violação da Lei é uma perturbação como reação, que altera o equilíbrio psíquico do indivíduo. O efeito é da mesma natureza da causa. A Lei devolve ao ser, desobediente à ordem, o mesmo choque e desordem que este lançou contra ela, e que agora ricocheteia para trás e para cima do ofensor.

Eis que nas doenças nervosas e psicopáticas se trata de um choque, como reação, de uma restituição do mal, da mesma violação e desequilíbrio que o indivíduo gerou dentro da Lei e que assim ele gerou dentro de si mesmo. Esse impulso negativo, lançado em sentido anti-Lei, que é também anti-vida, e que o ser no âmbito da sua liberdade movimentou em sentido errado, agora repercute nele e o fere no espírito.

Já frisamos que um complexo é uma queimadura do espírito. Este fica magoado por tal choque de reação que, sendo de natureza negativa, produz uma doença no organismo mental, um trauma psíquico, uma ferida na alma, que dói naquele ponto, com todas as suas consequências cerebrais, nervosas e até físicas.

Pietro Ubaldi. Livro: Princípios de Uma Nova Ética. Cap. 08 - A NOVA PSICANÁLISE

Ouvir sem pensamento

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Não sei se alguma vez ouviram um pássaro. Ouvir alguma coisa exige que a nossa mente esteja silenciosa — não um silêncio místico, silêncio simplesmente. Estou a dizer-vos algo e, para me ouvirem, têm de estar silenciosos, e não com todo o tipo de ideias a zunirem na vossa mente. Quando olham para uma flor, olham para ela, sem estarem a dar-lhe um nome, sem a estarem a classificar, sem dizerem que ela pertence a determinada espécie — quando o fazem, deixam de a ver. Assim, o que vos digo é que ouvir é uma das coisas mais difíceis — ouvir o comunista, o socialista, o deputado, o capitalista, qualquer pessoa, a vossa mulher, os vossos filhos, o vosso vizinho, o condutor do autocarro, o pássaro — apenas ouvir. É só quando ouvem sem nenhuma ideia, sem pensamento, que estão em contato direto; e ao estarem em contacto percebem se aquilo que o outro está a dizer é verdadeiro ou falso; torna-se desnecessário discutir.

(J. Krishnamurti, Livro: A Vida)

Quem olha para dentro, acorda (Carl Jung)

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"Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, acorda."
Carl Jung

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Colocar os Véus de Lado

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De que forma ouvem? Ouvem com as vossas projecções, atra­vés da vossa projecção, através das vossas ambições, desejos, medos, ansiedades, ouvindo apenas aquilo que desejam ouvir, apenas aquilo que vos satisfará, que será gratificante, que pro­porcionará conforto, que irá aliviar, no momento, o vosso sofri­mento? Se ouvirem através do véu dos vossos desejos, então estão obviamente a ouvir a vossa própria voz, estão a ouvir os vossos próprios desejos. E haverá alguma outra forma de ouvir? Não será importante descobrirmos como ouvir não apenas o que está a ser dito, mas tudo — os ruídos da rua, o chilrear dos pássaros, o barulho do eléctrico, o mar revolto, a voz do vosso marido, a vossa mulher, os vossos amigos, o choro de um bebé? O ouvir só é importante quando não estamos a projetar os nossos próprios desejos naquilo que estamos a ouvir. Será possível colocarmos de lado todos estes véus através dos quais ouvimos, e sermos capazes de ouvir realmente?

(J. Krishnamurti, Livro: A Vida)