ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!


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sábado, 19 de abril de 2014

CRISTO – ESTE DESCONHECIDO

Comentário(s)

Há quase dois mil anos
Que os homens falam de ti, ó Cristo!
E antes que no cenário histórico aparecesses,
Por dois milênios haviam os videntes
Vislumbrado o teu advento.
Todos falam de ti, ó Cristo
E ninguém te conhece, ó enigma dos enigmas!
Supremo Desconhecido do Universo!
Todos julgam conhecer-te
E todos ignoram a sua própria ignorância...
Muitos sabem o que disseste e fizeste
Ninguém sabe o que és...
Os eruditos analisam as tuas humanas horizontalidades
Mas não valem intuir a tua divina verticalidade.
De tanto falarem de ti,
Não têm tempo para calarem de ti...
O ruído estéril do intelecto
Asfixia o silêncio fecundo do espírito.
A prostituição mental e verbal
Profana a virgindade da alma espiritual,
Dessa alma que só pode conceber o Verbo
Na sacralidade de um vasto silêncio.
E por isto querem os homens substituir o teu Evangelho
Por numerosas legiões de “ismos”,
Eruditamente engendrados,
Deslumbrantemente elaborados,
Ruidosamente proclamados.

Eu, porém, meu eterno Cristo,
Anseio por descobrir a tua alma divina
Dentro do corpo humano do Evangelho.
Procuro romper esse invólucro verbal
E fundir-me em ti na experiência vital do que és.
Quero conhecer o que disseste e fizeste
Por aquilo que tu és...
Dentro do átomo do teu Evangelho
Dormita a energia nuclear do divino Logos,
Esse grande Desconhecido de que todos falam
E que todos ignoram...
Não! Não quero saber de ti
Novos “ismos” periféricos
Quero viver dinamicamente
A tua realidade central!...
E da imensa cadeia de elos
Das minhas personas,
Das minhas máscaras transitórias,
Se tece a epopéia eterna
Da minha existência humana,
Lançando uma ponte
Em demanda da essência divina.
Das pedrinhas brancas e pretas
Do meu sucessivo nascer e morrer se formara o mosaico
Do meu eterno VIVER
Do VIVER sem nascer nem morrer.
Realmente, há “muitas moradas em casa do Pai celeste”...
Muitos planos de vivência há
No Universo de Deus...
E eu me sinto feliz viajor
Nessa jornada cósmica,
Jubiloso peregrino do Infinito,
Através de muitos finitos,
Demandando a luz da vida eterna
Através de inúmeras mortes efêmeras...

(Escalando o Himalaia – Huberto Rohden)

domingo, 13 de abril de 2014

Comentário(s)

A fé não é uma renúncia às faculdades de pensar, ela é antes um estado de graça, que vê e conhece por outras vias e conserva em si a sua alegria infinita; é uma doação em que nada se perde, porque àquele amor e àquela confiança responde o Universo, retribuindo com novas doações; não é cegueira senão para os cegos, porque naquela cegueira se abre a visão e se revelam os céus e aparece fulgurante o pensamento de Deus.

Concebo a consciência como unidade radiante, o eu evolvido como noúre (correntes de pensamento) que tende perenemente à difusão, à dilatação de si mesma, que é centro de emanações contínuas. Como, pois, se rompe o círculo fechado da razão e se penetra no céu da intuição e da visão? Como se conquista, com os limitados meios de uma dimensão conceptual inferior, o domínio da dimensão superior? Com a fé. A técnica vibratória nos dá a chave do mistério.

A razão é objetiva. Quer, antes de crer, assegurar-se e, só debaixo de seu controle, confiar. Mas, o método da prudência e da segurança não é o método do vôo. Se não rompermos, por evolução, o círculo em que se fechou a razão, esta jamais sairá dele e dentro dele, impedida de evadir-se, retorna sempre sobre si mesma. E é impossível rompê-lo por evolução, a não ser mediante a introdução na consciência de fatores novos, capazes de lhe dilatarem a potencialidade. Fé é como se designa o ato psicológico com que se introduzem esses fatores novos. 

Para que serve permanecer no campo da positividade e da segurança, se este é tão limitado e não oferece possibilidade de expansão? A verdade universal já está totalmente pronta e presente, escancarada diante de nossos olhos. Criá-la não é o que nos compete fazer, mas sim desenvolver a vista para vê-la. Retoma-se, pois, todo o problema, mediante uma transformação de consciência.   

Não se trata de fé louca, do credo quia absurdum ("Creio porque é absurdo"), desesperada capitulação da razão que pretende ser sempre a única a falar, até fora de seu campo. Que esta se extinga para sempre, dobre-se em suas expressões caricatas e permaneça fechada em seu âmbito.

Podemos compreender que o problema do conhecimento na sua essência e integridade consiste num problema de unificação entre o eu humano e a Divindade, representa um problema de ascese mística, de revelação, porque em nossa consciência aquela Divindade é limitada somente por nossa capacidade de conceber, e se entrega à nossa alma em relação à sua potência de harmonização. Ora, aquele que, em vez de seguir estas vias e pôr-se em estado positivo de confiança que estabelece ressonância, se põe no estado vibratório negativo de dúvida e de desconfiança, que se afasta na dissonância, a si mesmo fechará automaticamente as portas do conhecimento.  

Se nos pusermos em posição de resistência, em estado vibratório fechado, qual se nos recusássemos a subir, então nós mesmos nos deteremos e nos privaremos da recepção amplificadora que desce das correntes vivificantes difusas no todo. A razão é um círculo de forças fechadas, é um egoísmo conceptual que a si mesmo não sabe ultrapassar, não se dá por simpatia e não conhece as vias vibratórias da atração que levam à fusão com o não-eu e, portanto à sua dilatação até ele. Necessário se faz subjugar este equilíbrio e reconstruí-lo em mais alta e completa forma, embora seja mais instável e, não obstante, mais dinâmica. E a fé é o primeiro salto para a frente. A fé é, pois, ato criativo por excelência que acompanha a realidade em formação, que voluntariamente pode e sabe antecipar os futuros estados da evolução. 

No duvidoso tormento, tenho interrogado o mais profundo de mim mesmo, dizendo-me: "como posso eu confiar-me a um imponderável que em mim ainda não existe e ao qual devo eu mesmo criar?" E o profundo me tem respondido: crê, porque só a tua fé, base de impulsos ascensionais, tornará objetivas e tangíveis aquelas realidades mais altas que hoje te escapam".

QUANDO EU SABIA DEMAIS...

Comentário(s)

Quando eu nada ou pouco sabia do mundo do espírito,
Trabalhava intensamente.
Minha vida era uma vida militante,
Dinamicamente realizadora,
Graças à minha feliz ignorância.
Depois, quando cheguei a saber da verdade,
Quando soube que todas as coisas do mundo são apenas miragens no deserto,
Espelhos e enigmas,
Sonhos e sombras,
Ecos e reflexos irreais
Da ignota Realidade -
Desisti das minhas atividades,
Cruzei os braços,
E fiz-me passivo espectador
Do Teu grandioso drama cósmico,
Senhor do Universo...
Sentia-me qual pequenina formiga
No teu gigantesco Himalaia...
Que diferença havia entre agir e não-agir?
Entre atividade e passividade?
Poderia, acaso, esta vil formiguinha
Modificar os teus imensos Himalaias?...
Para que trabalhar e lutar,
Se tudo corre segundo os teus eternos decretos?
Se leis imutáveis regem os teus mundos?...

Desde então, preferi ser passageiro inerte
Da tua máquina cósmica
Em vez de ser motorista ativo dessa máquina.
Desde então, desisti da minha velha mania
De querer converter alguém...
Converter, por que e para quê?
Se, no fim, todo homem tem de seguir o caminho que segue?
Desisti também de querer aliviar os sofrimentos
Dos sofredores.
Aliviar, por que e para quê?
Se cada devedor tem de saldar o débito do seu Karma?
Que insensatez seria se eu impedisse o devedor
De solver o seu débito!
Não será melhor que cada um pague, de vez, à eterna Justiça,
O que deve?

Que fique quite com a Constituição Cósmica,
Do que protelar essa quitação
Para tempos vindouros?
Deveras! Eu sabia demais...
E esse “saber demais” me impedia de agir.
Só age quem sabe pouco,
Quem sabe muito deixa de agir...
Agir é sinal de ignorância
E estreita ingenuidade...
Assim pensava eu...
Assim vivia eu...
Só mais tarde, muito mais tarde,
Descobri – que sabia de menos...
E por isso o meu saber me impedia de agir.
Numa estranha incubação espiritual,
De muitos dias e de muitas noites,
Finalmente, amadureceu em mim a suprema Verdade.
Isolei-me, diuturnamente,
Do ambiente físico
E do ambiente mental...
Desterrei de mim pessoas e coisas,
Bani do meu cérebro profanado
Pensamentos, memórias, fantasias,
Converti em silencioso santuário do Infinito
A ruidosa praça pública do meu cérebro,
E dentro deste grande silêncio da matéria e da mente
Focalizei intensamente o meu divino Eu...
Tão grande foi o calor dessa focalização
Que se derreteram em mim todas as matérias-primas...
E, quando tudo estava liquefeito –
O meu tácito pensar,
O meu ativo dinamismo ocidental
E o meu passivo misticismo oriental –
Então, todos os elementos,
Em liquefeita ignição,
Se fundiram numa nova unidade,
Que não era Aquém nem do Além
Não era mera justaposição,
Mas algo novo,
Inédito e inaudito,
Uma unidade orgânica,
Virgem, como a alvorada cósmica de um novo mundo,
Ainda aljofrado do orvalho noturno
De um divino “fiat” creador...
E dessa fusão do meu velho materialismo dinâmico
E do meu novo espiritualismo místico,
Nasceu a estupenda maravilha
Do homem integral,
Da nova creatura em Cristo...
Da fusão da minha horizontal ativa
E da minha vertical passiva,
Surgiu o emblema da universalidade,
O símbolo da redenção...
E eu me senti remido
Do meu esfalfante dinamismo,
E do meu inoperante misticismo.
Entrei na atmosfera de um mundo ignoto,
Na zona do dinamismo passivo,
Da passividade dinâmica...
A minha nova mística sacralizou a minha velha dinâmica,
E a minha dinâmica vigorizou a minha nova mística...
Hoje sou mais dinâmico do que nunca,
Mas o meu agir é diferente daquele,
Não é ruidoso como o martelar de uma fábrica
Dominada por fumegantes chaminés –
Mas é silencioso como a luz solar,
Como o agir do gigantesco astro,
Assaz, poderoso para lançar pelo espaço
Estupendos sistemas planetários,
E assaz carinhoso para beijar as pétala duma flor
Sem as lesar...
O meu agir é misticamente dinâmico,
E dinamicamente místico.
Um agir pelo não-agir
Um agir pelo Ser
Brota duma dimensão ignota –
Da zero dimensão do Infinito –

Anteontem, a ignorância me fizera ativo,
Ontem, a mística me fizera passivo –
Hoje, a experiência cósmica me faz
Ativamente passivo,
E passivamente ativo...

(A Voz do Silêncio - Huberto Rohden)

Os desafios dos relacionamentos - Parte 2

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner

 Por onde olhamos, vemos almas esfaceladas e corações amargurados devido o mundo do relacionamento familiar, conjugal e social. Por onde andamos vemos rostos tristes e acabrunhados por causa dos conflitos originados das relações. Por que há tantos atritos e sofrimentos nas relações?

Toda a causa está em nós. A evolução da alma, do espírito, da consciência, inicia-se em estado de ignorância, da não-sabedoria, da não-experiência, o que nos leva a agir tateando no escuro, sem enxergar onde pisamos e sem a noção correta para "onde" vamos; o que conseqüentemente nos leva a tropeçar, cair e nos machucar. Não adianta colocarmos culpa no objeto que estava à nossa frente, na parede, no chão de concreto, na coluna de aço onde batemos a cabeça. É imprescindível que acendamos a luz para corrigir nossas falhas; para que saibamos exatamente "onde" estamos pisando e para "onde" vamos.

Iluminar o ambiente escuro da casa se faz gradativamente, mas também proporcional à procura e o esforço de cada um. À medida que nossa consciência vai despertando sua luz, ela vai se direcionando com maior clareza, sabendo "onde" colocar os pés para lhe dar maior segurança.

A saída do estado de ignorância para a sabedoria requer interesse, dedicação, esforço, disciplina, trabalho, concentração, perseverança, paciência. Vários degraus precisam ser superados, um a um, até atingirmos o patamar superior onde há uma grande sala de recepção para a "ceia" divina, onde colhemos todo o fruto do esforço e trabalho, que nos traz paz, alegria e felicidade. 

O estado de ignorância indica a presença também de defeitos arraigados em nós: o egoísmo, o orgulho, a vaidade, a inveja, a ambição, etc. Este é um estado doentio, que nos separa do outro. O outro é sempre um obstáculo e inimigo para atingirmos os nossos fins. As relações geralmente são "saudáveis" até onde o interesse de um é admitido porque outro também vê seu interesse sendo realizado. Quando um dos interesses se torna lesado, onde havia amizade ou "amor", passa existir ódio, vingança e mágoas.

O estado de ignorância é um estado germinal da conscientização de si mesmo, dando origem ao amor-próprio, e com a conseqüência da percepção da separatividade de tudo o que existe. Ele não consegue perceber que há uma "malha" oculta e invisível que nos liga um ao outro e a Deus. Tudo que fazemos ao outro estamos fazendo a nós mesmos, porque estamos interligados pelos "fios" divinos da criação, do Uno e da Fonte de onde fluímos juntos. Assim como dois galhos e duas folhas de uma árvore tem suas individualidades, elas se ligam e se alimentam pelo mesmo tronco, e por este mesmo tronco se liga aos outros galhos e às outras folhas.

Combater o outro é combater a si mesmo. Transformar o outro é transformar a si mesmo. Quando uma folha se contamina por uma praga, ela transfere pela multiplicação para toda árvore. Ajudar aquela folha individual é cuidar e ajudar a saúde do todo, do coletivo.

Quando um ladrão nos rouba, ele tem a sensação de ganho, e se sente mais forte e inteligente na difícil caminhada da vida que é feito de individualismos e interesses próprios. O roubado se sente humilhado e prejudicado, porque também acredita que aquele objeto que estava em suas mãos é de sua propriedade. Esta é uma fragilidade em nossa percepção de uma realidade mais profunda!

sábado, 5 de abril de 2014

O FILHO DO HOMEM

Comentário(s)

Apareceu um homem, entre esses milhões de habitantes terrestres...
E esse homem veio tornar-se o centro da história da humanidade.
Não fez descobertas nem invenções, não derrotou exércitos nem escreveu livros – esse homem singular.

Não fez nada daquilo que a outros homens garante imortalidade entre os mortais – o que nele havia de maior era ele mesmo...

Pelo ano do seu nascimento datam todos os povos cultos a sua cronologia.
Possuía esse homem exímios dotes de inteligência – e infinita delicadeza de coração.
A sua vida se resume numa epopéia de divino poder – e num poema de humano amor.

Havia na vida desse homem uma pátria e uma família – mas também um exílio e uma solidão.

Havia inocentes com o sorriso nos lábios – e doentes com lágrimas nos olhos.
Havia apóstolos e apóstatas...
Brincava nos caminhos desse homem a mais bela das primaveras – e espreitava-lhe os passos a mais negra das mortes.

Esse homem vivia no mundo – mas não era do mundo...

Quando chegou, “não havia lugar para ele na estalagem” - e quando partiu, só havia lugar numa cruz, entre o céu e a terra.

Esse homem não mendigava amor – mas todas as almas boas o amavam...

Era amigo do silêncio e da solidão – mas não conseguia fugir ao tumulto da sociedade, porque “todos o procuravam”...
Irresistível era o fascínio da sua personalidade – inaudita a potência das suas palavras...

Todos sentiam o envolvente mistério da sua presença – mas ninguém sabia definir esse estranho magnetismo...

Era uma luminosa escuridão – esse homem...

Não bajulava a nenhum poderoso – e não espezinhava nenhum miserável...

Diáfano como um cristal era o seu caráter – e, no entanto, é ele o maior mistério de todos os séculos...
Poeta algum conseguiu atingir-lhe as excelsitudes – filósofo algum valeu exaurir-lhe as profundezas...

Esse homem não repudiava Madalenas nem apedrejava adúlteras – mas lançava às penitentes palavras de perdão e de vida...

Não abandonava ovelhas desgarradas nem filhos pródigos – mas cingia nos braços a estes e levava aos ombros aquelas...

Esse homem não discutia – falava simplesmente...

Não esmiuçava palavras nem contava sílabas e letras, como os rabis do seu tempo – mas rasgava imensas perspectivas de verdade e beatitude...

Por isso diziam os homens, felizes e estupefatos:


“Nunca ninguém falou como esse homem fala!”...

Para ele, não era o esquife o ponto final da existência – mas o berço para a vida verdadeira...

Por isto, vivem por ele e para ele os melhores dentre os filhos dos homens – porque adoram nesse homem o homem ideal, o homem-Deus... 


(De Alma Para Alma - Huberto Rohden)


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