ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!


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domingo, 28 de dezembro de 2014

QUEM CULTUA AUTORIDADE SE NEGA A COMPREENDER

Comentário(s)

(Trancrição da palestra de Jiddu Krishnamurti realizada em São Paulo,  no dia 24 de Abril de 1935)

Amigos, foram-me colocadas muitas questões em relação ao futuro pessoal de indivíduos e as suas esperanças, se seriam bem sucedidos em determinados negócios, se deveriam deixar este país e estabelecerem-se na América do Norte, quem é a pessoa certa para se casarem, etc. Não posso responder a tais perguntas já que não sou adivinho. Sei que estas são questões verdadeiras e perturbadoras, mas cada um tem que as resolver por si próprio.

Escolhi de entre as inúmeras questões que me foram colocadas, aquelas que são mais representativas; mas sinto que seria inútil e uma perda de tempo para vocês e para mim se o que vou dizer, e o que tenho dito, fosse aceite por vocês como uma qualquer teoria filosófica com a qual a mente se pode divertir. Tenho algo vital para dizer que é aplicável à vida, algo que, quando compreendido, os ajudará a resolver os muitos problemas da vossa vida quotidiana.

Não vou responder a estas perguntas a partir de um ponto de vista específico, porque sinto que todos os problemas devem ser tratados, não separadamente, mas como um todo. Se pudermos fazer isto, os nossos pensamentos e acções tornar-se-ão sãos e equilibrados.

Por favor não rejeitem algumas destas perguntas por serem burguesas ou feitas pela classe desocupada. São perguntas humanas e devem ser consideradas como tais, não como pertencendo a qualquer classe determinada.

Pergunta: Como considera a mediunidade e a comunicação com os espíritos dos mortos?

Krishnamurti: Podem rir-se disso ou levá-lo a sério. Em primeiro lugar, não vamos discutir se os espíritos existem ou não, mas vamos considerar o desejo que nos incita a comunicar com eles, porque essa é a parte mais importante da questão.

Com a maioria das pessoas que se dedicam a este género de coisas, na sua comunicação com os mortos há o desejo de serem guiados, de que se lhes diga o que fazer, uma vez que estão em constante incerteza relativamente às suas acções, e têm a esperança de que pela comunicação com aqueles que estão mortos, encontrarão orientação, poupando-se assim a si mesmos do trabalho de pensar. Portanto o desejo é de serem orientadas, dirigidas, para que possam não cometer erros e sofrer. É a mesma atitude que alguns têm relativamente aos mestres, aqueles seres que são considerados mais avançados, e portanto capazes de orientar o homem através dos seus mensageiros, etc.

O culto da autoridade é a negação da compreensão. O desejo de não sofrer gera exploração. Portanto esta busca de autoridade destrói a plenitude de acção, e a orientação origina irresponsabilidade, porque há um forte desejo de navegar através da vida sem conflito, sem sofrimento. É por esta razão se têm crenças, ideais, sistemas, na esperança de que a luta e o sofrimento possam ser evitados. Mas estas crenças, ideais, que se tornaram fugas, são a própria causa do conflito, gerando ilusões maiores, sofrimento maior. Enquanto a mente procurar conforto através da orientação, através da autoridade, a causa do sofrimento, da ignorância, não pode ser nunca dissolvida.

Pergunta: Para alcançar a verdade, devemos abster-nos do casamento e da procriação?

Krishnamurti: Ora bem, a verdade não é um fim, um objectivo que possa ser alcançado através de certas acções. É essa compreensão nascida do contínuo ajustamento à vida que exige grande inteligência; e porque a maior parte das pessoas não é capaz deste ajustamento sem auto-defesa ao movimento da vida, criam certas teorias e ideais que esperam possam guiá-los. O homem está assim preso na estrutura das tradições, dos preconceitos e das moralidades compulsivas, ditadas pelo medo e pelo desejo de auto-preservação. Isto aconteceu porque ele é incapaz de discernir continuamente o significado da vida em constante movimento, e portanto desenvolveu certos “ter de” e “não dever”. Uma vida completa e rica, com o que quero dizer uma vida extremamente inteligente, não uma existência auto-protectora, defensiva, exige que a mente esteja livre de tabus, de medos e superstições, sem os “dever” ou os “não dever”, e isto só pode existir quando a mente compreender integralmente o significado da causa do medo.

Para a maioria das pessoas há conflito, sofrimento e um ajustamento incessante no casamento; e para muitas o desejo de alcançar a verdade é apenas uma fuga a esta luta.

Pergunta: O senhor nega a religião, Deus e a imortalidade. Como é que a humanidade pode tornar-se mais perfeita, e portanto mais feliz, sem acreditar nestas coisas fundamentais?

Krishnamurti: Porque para vocês é apenas uma crença em Deus, na imortalidade, porque simplesmente acreditam nestas coisas, é que há tanta miséria, sofrimento e exploração. Só podem descobrir se existe a verdade, a imortalidade, na plenitude da própria acção, não através de uma qualquer crença, não através da asserção autoritária de outro. A realidade oculta-se na plenitude da própria acção.

Ora para a maioria das pessoas, a religião, Deus e a imortalidade são simples meios de fuga. A religião apenas ajudou o homem a fugir do conflito, do sofrimento da vida, e por isso da sua compreensão. Quando estão em conflito com a vida, com os seus problemas de sexo, exploração, ciúme, crueldade, etc., como fundamentalmente não desejam compreendê-los – porque compreender exige acção, acção inteligente – e como não estão dispostos a fazer um esforço, inconscientemente tentam fugir para aqueles ideais, valores, crenças que lhes foram passados. Assim a imortalidade, Deus e a religião tornaram-se simplesmente refúgios para uma mente que está em conflito.

Para mim, tanto o crente como o descrente em Deus e na imortalidade estão errados, porque a mente não pode abranger a realidade até que esteja completamente livre de ilusões. Só então podem afirmar, não acreditar ou negar, a realidade de Deus e da imortalidade. Quando a mente está totalmente livre dos impedimentos e das limitações criadas através da auto-protecção, quando está aberta, integralmente nua, vulnerável na compreensão da causa da ilusão auto-gerada, só então todas as crenças desaparecem, cedendo espaço à realidade.

Pergunta: É contra a instituição da família?

Krishnamurti: Sou, se a família for o centro de exploração, se estiver baseada na exploração. (Aplauso) Por favor, o que adianta simplesmente concordarem comigo? Têm que agir para alterar isto. Este desejo de perpetuação cria a família que se torna o centro de exploração. Portanto a pergunta é na realidade, pode-se alguma vez viver sem explorar? Não se a vida familiar está certa ou errada, não se ter filhos está certo ou errado, mas se a família, as posses, o poder, não são o resultado do desejo de segurança, de auto-perpetuação. Enquanto existir este desejo, a família torna-se o centro de exploração. Podemos alguma vez viver sem exploração? Eu digo que podemos. Tem que existir exploração enquanto houver esta luta pela auto-protecção; enquanto a mente procurar segurança, conforto, através da família, da religião, da autoridade ou da tradição, tem que existir exploração. E a exploração só cessa quando a mente discernir a falsidade da segurança e já não estiver enredada pelo seu próprio poder de criar ilusões. Se experimentarem com o que digo, compreenderão então que não estou a destruir o desejo, mas que podem viver neste mundo de uma maneira rica e sensata, uma vida sem limitações, sem sofrimento. Só podem descobrir isto experimentando, não negando, não através da resignação nem simplesmente imitando. Onde funciona a inteligência – e a inteligência cessa de funcionar quando há medo e o desejo de segurança – não pode haver exploração.

A maior parte das pessoas está à espera que ocorra uma mudança que milagrosamente alterará este sistema de exploração. Estão à espera que as revoluções realizem as suas esperanças, as suas ânsias não satisfeitas; mas nessa espera estão a morrer lentamente. Porque eu penso que as meras revoluções não mudam os desejos fundamentais do homem. Mas se o indivíduo começar a agir com inteligência, sem compulsão, independentemente das condições presentes ou do que as revoluções prometem no futuro, então há uma riqueza, uma plenitude, cujo êxtase não pode ser destruído.


O que é a Acção Correcta?
São Paulo, 24 de Abril de 1935

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

MENSAGEM DE NATAL

Comentário(s)


No silêncio da Noite Santa, escuta-me. Põe de lado todo o saber e tuas recordações; põe-te de parte e esquece tudo. Abandona-te à minha voz; inerte, vazio, no nada; no mais completo silêncio do espaço e do tempo. Neste vazio, ouve minha voz que te diz - ergue-te e fala: Sou eu.

Exulta pela minha presença: grande bem ela é para ti; grande prêmio que duramente mereceste. É aquele sinal que tanto invocaste deste mundo maior em que vivo e em que tu creste. Não perguntes meu nome; não procures individuar-me. Não poderias; ninguém o poderia. Não tentes uma inútil hipótese. Sabes que sou sempre o mesmo.

Minha voz, que para teus ouvidos é terna, como é amiga para todos os pequeninos que sofrem na sombra, sabe também ser vibrante e tonante, como jamais a sentiste. Não te preocupes; escreve. Minha palavra dirige-se às profundezas da consciência e toca, no mais íntimo, a alma de quem a escuta. Será somente ouvida por quem se tornou capaz de ouvi-la. Para os outros, perder-se-á no vozear imenso da vida. Não importa, porém: ela deve ser dita.

Falo hoje a todos os justos da Terra e os chamo de todas as partes do mundo, a fim de unificarem suas aspirações e preces numa oblata que se eleve ao Céu. Que nenhuma barreira de religião, de nacionalidade ou de raça os divida, porque não está longe o dia em que somente uma será a divisão entre os homens: justos e injustos.

A divisão está no íntimo da consciência e não no vosso aspecto exterior, visível. Todos os que sinceramente querem compreender o compreendem. Cada um, intimamente, se conhece, sem que o próprio vizinho possa percebê-lo.

Minha palavra é universal, mas também é um apelo íntimo, pessoal, a cada um. Muitos a reconhecerão.

Uma grande transformação se aproxima para a vida do mundo. Minha voz é singular; porém, outras se elevarão, muito em breve, sempre mais fortes, fixando-se em todas as partes do mundo, para que o conselho a ninguém falte.

Não temas; escreve e olha. Contempla a trajetória dos acontecimentos humanos: ela se estende pelo futuro. Quem não está preso nas vossas férreas jaulas de espaço e tempo, vê, naturalmente, o futuro. Isso que te exponho à vista, é também coerente segundo vossa lógica humana e, portanto, vos é compreensível.

Os povos, tanto quanto os indivíduos, têm uma responsabilidade nas transformações históricas, que seguem um curso lógico; existe um encadeamento de causas históricas que, se são livres nas premissas, são necessárias nas conseqüências.

A lei da justiça, aspecto do equilíbrio universal, sob cujo governo tudo se realiza, inclusive em vosso mundo, quer que o equilíbrio seja restaurado e que as culpas e os erros sejam corrigidos pela dor. O que chamais de mal, de injustiça, é a natural e justa reação que neutraliza os efeitos de vossos atos. Tudo é desejado, tudo é merecido, embora não estejais preparados para recordar o "como" e o "quando". De dor está cheio o vosso mundo, porque é um mundo selvagem: lugar de sofrimento e de provas. Mas, não temais a dor, que é a única coisa verdadeiramente grande que possuís. É o instrumento que tendes para a conquista de vossa redenção e de vossa libertação. Bem-aventurados os que sofrem, Cristo vos disse.

O progresso científico, principal fruto de vossa época, ainda avançará no campo material. Está, entretanto, acumulando energias, riquezas, instrumentos para uma nova e grande explosão. Imaginai a que ponto chegará o progresso mecânico, ampliando-se ainda mais, se tanto já conseguiu em poucos anos! Não mais existirão, na verdade, distâncias: os diferentes povos de tal modo se comunicarão que haverá uma sociedade única.

A mente humana, porém, troca de direção de quando em quando, vive ciclos, períodos, e, nessas várias fases, deve defrontar diferentes problemas. O futuro contém não só continuações, mas transformações: conseqüências de um processo natural de saturação. O vosso progresso científico tende a tornar-se e tornar-se-á tão hipertrófico — porque não contrabalançado por um paralelo progresso moral —, que o equilíbrio não poderá ser mantido nos acontecimentos históricos. Tem crescido e, sem precedentes na história, crescerá cada vez mais o domínio humano sobre as forças da natureza. Um imenso poder terá o homem, mas ele para isso não está preparado moralmente, porque a vossa psicologia infelizmente é, em substância, a mesma da tenebrosa Idade Média. É um poder demasiadamente grande e novo para vossas mãos inexperientes.

O homem será dominado por uma tão alargada sensação de orgulho e de força, que se trairá. A desproporção entre o vosso poder e a altura ética de vossa vida far-se-á cada dia mais acentuada, porque cada dia que passa é irresistivelmente para vós, que vos lançastes nessa direção, um dia de progresso material.

As idéias são lançadas no tempo com massa que lhes é própria, como os bólidos no espaço. Eu percebo um aumentar de tensão, lento porém constante, que preludia o inevitável explodir do raio. Essa explosão é a última conseqüência, mesmo de acordo com a vossa lógica, de todo o movimento. Desproporção e desequilíbrio não podem durar; a Lei quer que se resolvam num novo equilíbrio. Assim como a última molécula de gelo faz desmoronar o iceberg gigantesco, assim também de uma centelha qualquer surgirá o incêndio. Antigamente os cataclismos históricos, por viverem isolados os povos, podiam manter-se circunscritos; agora não. Muitos que estão nascendo, vê-lo-ão.

A destruição, porém, é necessária. Haverá destruição somente do que é forma, incrustação, cristalização de tudo o que deve desaparecer, para que permaneça apenas a idéia que sintetiza o valor das coisas. Um grande batismo de dor é necessário, a fim de que a humanidade recupere o equilíbrio livremente violado: grande mal, condição de um bem maior.

Depois disso a humanidade, purificada, mais leve, mais selecionada por haver perdido seus piores elementos, reunir-se-á em torno dos desconhecidos que hoje sofrem e semeiam em silêncio, retomando, renovada, o caminho da ascensão. Uma nova era começará; o espírito terá o domínio e não mais a matéria, que será reduzida ao cativeiro. Então, aprendereis a ver-nos e a escutar-nos; desceremos em multidão e conhecereis a Verdade.

Basta por agora; vai e repousa. Voltarei; porém recorda que minha palavra é feita de bondade e somente um objetivo de bondade pode atrair-me. Onde existir apenas a curiosidade, desejo de emoção, leviandade ou ainda céptica pesquisa científica, aí não estarei. Somente a bondade, o amor, a dor, me atraem.

Eu presido ao progresso espiritual do vosso planeta e para o progresso espiritual um ato de bondade tem mais valor que uma descoberta científica. Não invoqueis a prova do prodígio, quando podeis possuir a da razão e da fé. É vossa baixeza que vos leva a admirar como sinal de verdade e poder, a exceção que viola a ordem divina. Se isso pode assombrar-vos e convencer-vos, a vós, anarquistas e rebeldes, para nós, no Alto, ela constitui a mais estridente e ofensiva dissonância; é a mais repugnante violação da ordem suprema em que repousamos e em cuja harmonia vibramos, felizes. Não procureis semelhante prova; reconhecei- a, antes, na qualidade da minha palavra.

A todos digo: Paz! 

Por Pietro Ubaldi


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Natal de 1931 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Divaldo Franco e A Grande Síntese

Comentário(s)

Por Eronildo



Em certa ocasião, por intermédio de uma amiga, perguntei a opinião de Divaldo Franco sobre a obra "A Grande Síntese".  A resposta obtida veio do seguinte diálogo: 

Daniela: Divaldo, tenho um amigo que gostaria de saber sua opinião sobre o Livro A Grande Síntese, de Pietro Ubaldi.

Divaldo Franco: No momento, aqui não dá... Você sabe me dizer se a obra que ele tem é prefaciada pelo Emmanuel? 

Daniela: Não, não sei...

Divaldo Franco: Peça para que ele leia o prefácio de Emmanuel sobre a obra". 

A mensagem de Emmanuel na íntegra, é esta: 

"Quando todos os valores da civilização do Ocidente desfalecem numa decadência dolorosa, é justo que saudemos uma luz como esta, que se desprende da grande voz silenciosa de A Grande Síntese. 

Na mesma Itália, que vulgarizou o sacerdócio romano, eliminando as mais belas florações do sentimento cristão no mundo, em virtude do mecanismo convencional da igreja católica, aparelhos existem da grande verdade, restaurando o messianismo, no caminho sublime das revelações grandiosas da fé. 

A palavra de Cristo projeta nesta hora as suas irradiações enérgicas e suaves, movimentando todo um exercito poderoso de mensageiros seus, dentro da oficina da evolução universal. O momento é psicológico. As nossas afirmativas abstraem do tempo e do espaço, em contraposição às vossas inquietudes; mas, o século que passa deve assinalar-se por maravilhosas renovações da vida terrestre. 

As contribuições exigidas serão bem pesadas. Todavia, uma alvorada radiosa sucederá às .angústias deste crepúsculo. 

Aqui fala a "Sua Voz" divina e doce, austera e compassiva. No aparelhamento destas teses, que, muitas vezes transcendem o idealismo contemporâneo, há o reflexo soberano da sua magnanimidade, da sua misericórdia e da sua sabedoria. Todos os departamentos da atividade humana são lembrados na sua exposição de inconcebível maravilha! 

É que, sendo de origem humana a razão, a intuição e de origem divina, preludiando todas as realizações da humanidade. A grande lição desta obra é que o Senhor não despreza o vosso racionalismo científico, não obstante a roupagem enganadora do seu negativismo Impenitente. 

Na sua misericordiosa sabedoria, Ele aproveita todos os vossos esforços, ainda os mais inferiores e misérrimos. Toma-vos de encontro ao seu coração augusto e compassivo, unge-vos com o Seu amor sem limites, renovando os Seus ensinamentos do Mar da Galiléia. 

Vede, pois, que todos os vossos progressos e todos os vossos surtos evolutivos estão previstos no Evangelho. Todas as vossas ciências e valores, no quadro das civilizações passadas e no mecanismo das que hão de vir, estão consubstanciados na sua palavra divina e redentora. 

A Grande Síntese é o Evangelho da Ciência, renovando todas as capacidades da religião e da filosofia, reunindo-as à revelação espiritual e restaurando o messianismo do Cristo, todos os institutos da evolução terrestre. 

Curvemo-nos diante da misericórdia do Mestre e agradeçamos de coração genuflexo a sua bondade. Acerquemo-nos deste altar da esperança e da sabedoria, onde a ciência e a fé se irmanam para Deus. 

E, enquanto o mundo velho se prepara para as grandes provações coletivas, meditemos no campo infinito das revelações da Providência Divina, colocando acima de todas as preocupações transitórias, as glórias sublimes e imperecíveis do Espírito Imortal. 

Emmanuel 


Para mim ficou claro o ponto de vista de Divaldo Franco. É o mesmo de Emmanuel.

Que cada um julgue por si mesmo o valor da obra e a "fonte inspiradora" de Pedro. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

A NINFA OCULTA NO BLOCO DE MÁRMORE

Comentário(s)

Sócrates é, geralmente, conhecido como um grande filósofo, mestre do divo Platão- mas poucos sabem que ele era também um exímio escultor. 

Um dia recebeu Sócrates um pedido do prefeito de Atenas para esculpir a estátua de uma ninfa a ser colocada num bosque ao pé de uma fonte. 

O filósofo aceitou a encomenda. Sem tardança, mandou vir o bloco de mármore branco, de Paros, e pôs mãos à obra. 

Depois de mentalizar intensamente a efígie da ninfa, empunhou o martelo e foi desbastando o bloco de mármore. Grandes lascas voaram para direita e para a esquerda da oficina. 

Depois deste trabalho rústico, o escultor pôs de parte o martelo e outros instrumentos pesados, e começou a trabalhar com ferramentas mais delicadas , como o cinzel, e, por fim, serviu se dum finíssimo esmeril para dar acabamento à estátua. 

Finalmente, estava na oficina do escultor uma efígie de imaculada alvura, uma figura de jovem esbelta, como os antigos imaginavam as divindades dos bosques e das águas. Tão leve era o aspecto que parecia flutuar livremente no ar; parecia antes uma entidade astral do que uma estátua material. 

Por quê? 

Porque ele não aceitava ter esculpido a ninfa; ela já estava oculta naquele bloco de mármore, desde o início, e muito antes de ser visível. Eu, dizia Sócrates, já via a ninfa no dia em que fui buscar o bloco de mármore; apenas retirei dele o que a ocultava aos olhos dos que não a podiam ver antes disso; nada acrescentei, apenas retirei o que a encobria. 

Sócrates dizia uma grande verdade. Ele era um grande intuitivo. Viu o que os outros não viam. No ser humano via ele muito mais do que o corpo material- via a alma imaterial. Mas como nem todos podem ver o invisível, é necessário que alguém desbaste o bloco bruto e amorfo, para que apareça a ninfa que nele está oculta. 

Muitas vezes é a dor esse escultor carinhosamente cruel. Parece odiar o bloco bruto, de tanto amor que lhe tem. E, se o bloco humano não se defende contra as marteladas do sofrimento, a ninfa divina da sua alma pode manifestar se. 

Mas, se o homem passa a vida em brancas nuvens, como diz o poeta, nada acontecerá. 


"Quem pela vida passou em brancas nuvens. 
Em plácido dorcel adormeceu 
Quem pela vida passou e não sofreu. 
Não foi homem, foi projeto de homem. 
Que passou pela vida e não viveu!" 

Francisco Octaviano 


O mundo está repleto desses projetos de homens, assim como uma jazida de mármore está repleta de projetos de ninfa. 

O projeto de homem só conhece gozo- e nada sabe da felicidade. E passa a vida toda em brancas nuvens, trocando gozos por felicidade. E, quando alguém procura mostrar lhe o que é felicidade, o projeto de homem gozador diz que a felicidade é utopia e misticismo de sonhadores que não conhecem a vida. 

Para tirar de um bloco bruto uma efígie de beleza, deve o escultor acima de tudo, ter a intuição daquilo que ainda não existe materialmente; deve poder ver para além dos véus da matéria: deve poder conceber de dar luz à sua ninfa, mesmo por entre as dores de uma longa gestação. 

Toda felicidade passa pelo sofrimento prévio. Toda alvorada é a luz que segue às trevas da noite. 


Por Huberto Rohden

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

MANTÉM CONTATO COM A NATUREZA

Comentário(s)

É fato histórico que todos os homens realmente espiritualizados e profundamente felizes eram e são dedicados amigos da natureza... Refere o livro do Gênesis que Deus pôs o homem no meio de um jardim maravilhoso, uma espécie de pomar chamado Éden, para que cultivasse e se alimentasse de seus frutos. Só depois que o homem cometeu o primeiro homicídio é que ele abandonou a Natureza de Deus e preferiu a cidade dos homens. O homem espiritualizado, porém, continua amigo do Éden de Deus...

O homem primitivo, meramente sensorial, é escravo da Natureza.

O homem intelectualizado é escravocata e explorador da Natureza.

O homem espiritual é amigo e aliado da Natureza; compreende a Natureza, e a Natureza o compreende.

A nossa civilização moderna fez com que o homem se divorciasse, total ou parcialmente, da Natureza, fazendo o viver num ambiente artificial, desnatural, antinatural, não menos prejudicial ao corpo do que à alma...

O que leva muitos homens a abandonarem os campos e se aglomerarem nas cidades não é só a necessidade de cultura nem mesmo o desejo de lucros fáceis e rápidos,mas sim, e sobretudo, o horror à solidão. A solidão externa aterra o homem que não possui plenitude interna. Esse homem, interiormente vazio, tenta fugit de si mesmo e encher com barulhos externos a sua vacuidade interna...

...O homem moderno nunca voltará aos tempos do homem pré histórico, ou dos silvícolas de nossas florestas. A verdadeira natureza do homem é espiritual, divina. O verdadeiro regresso à Natureza é, pois, um "ingresso", uma entrada do homem para o seu próprio interior, espiritual, eterno, divino...

Só quando o homem atinge a sua verdadeira natureza espiritual é que ele se torna plenamente natural- e só então começa ele a compreender a alma da Natureza ao redor dele. Os nossos poetas e romancistas, não raro, celebram os encantos da natureza; mas a maior parte deles só conhece o corpo da Natureza, ignorando-lhe a alma.

Só o homem que encontrou dentro de si a natureza da alma é que pode compreender a alma da Natureza fora de si mesmo. Para, de fato, compreender a Natureza de Deus deve o homem compreender o Deus da Natureza.

Hoje em dia, milhares de pessoas das grandes cidades passam os domingos e feriados em seus sítios. Infelizmente, muitos desses "sitiantes" são verdadeiros "sitiados", porque vivem em voluntário "estado de sítio". O fato de não terem encontrado a sua natureza interior não os deixa viver na simbiose com a alma da natureza exterior.

Fugiram da poluição material da cidade, mas carregam consigo e transferem para o campo e para o mato a sua poluição mental e espiritual... O verdadeiro sitiante vai dormir cedo e acorda cedo, com o sol ou antes dele. Planta árvores frutíferas para si e sua família e para os passarinhos.

Não mata passarinhos nem os aprisiona em gaiolas. Convive com a alma de todos os seres vivos.

Huberto Rohden
O caminho da felicidade, páginas 99 a 101 - Segunda Edição-2005, Editora Martin Claret

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

FERNÃO CAPELO GAIVOTA - O FILME

Comentário(s)

Por Eronildo


Um filme simplesmente fantástico. Aprendizagem, superação e liberdade, é a temática do enredo.

O filme conta a história de Fernão Capelo , uma gaivota fora de série que ama voar, e que não aceita sua condição de mero espectador da vida. Sua luta vai do degredo imposto pelo grupo até a sublimação no amor pelo voo. Vale muito a pena conferir. 

O mais legal de ter encontrado esta relíquia, é que nessa versão, disponibilizada há a legenda na hora da Música "Be" 
00:7:15 e que não tem nessa versão nova do filme (na versão antiga de 1973 tem).

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

SOFREDORES PROFANOS E INICIADOS

Comentário(s)


O problema não é sofrer ou não sofrer- o problema está em saber sofrer ou não saber sofrer.

Nenhum homem profano sabe sofrer decentemente- mas todo o iniciado pode sofrer serenamente, e até jubilosamente.

Que se entende por profano e iniciado?

Profano é todo aquele que está pró(diante) do fanum(santuário); é todo o exotérico que contempla o santuário do homem pelo lado de fora, e nunca entrou no seu interior... Iniciado é aquele que realizou o seu inire, o seu ir para dentro, a sua entrada no santuário de si mesmo; esse é um esotérico, um iniciado.

O profano é ignorante- o iniciado um sapiente de sua realidade...

Dificilmente, poderá o sofredor modificar as circunstâncias externas de sua vida que estão além do seu alcance, e por isto não pode abolir ou suavizar a sua dor.

O que o sofredor pode modificar é somente a substância interna de si mesmo, a atitude do seu Eu central, a sua consciência- e com esta nova perspectiva de dentro, o fenômeno externo do sofrimento adquire um aspecto totalmente diferente. Se o sofrimento não pode ser amável, pode ser pelo menos tolerável.

Todo o sofrimento, repetimos, é tolerável, quando o homem pode tolerar a si mesmo.

A amargura máxima do sofrimento não está no fenômeno externo dele, mas na atitude interna do sofredor. E essa correta atitude interna supõe autoconhecimento. Quando o sofredor sabe que não é o seu Eu divino,mas apenas o seu ego humano que sofre, então pode ele sofrer serenamente, e mesmo sabiamente-talvez até jubilosamente, por saber que ele está construindo a "única coisa necessária que nunca lhe será tirada."

A maior acerbidade do sofrimento ,como dizíamos, está na sua absurdidade, no seu aspecto paradoxal, no seu caráter antivital e antiexistencial-mas esse aspecto não vem do sofrimento em si, mas unicamente  da falsa perspectiva do sofredor. O sofrimento do sofredor profano é necessariamente absurdo, paradoxal, antivital, antiexistencial, e é capaz  de levar o sofredor à revolta, à frustração, ao suicídio, ou ao inferno em plena vida.

É pois de suprema  sabedoria que o homem mude de perspectiva e atitude- e isto, não quando vítima de uma tragédia, mas em tempos de paz e bonança. Dificilmente, o sofredor alcançará  essa serenidade durante o sofrimento, se antes dele, não a tiver alcançado... O homem deve vacinar, imunizar todo o seu ser com o soro da verdade sobre si mesmo, para que, na hora da tragédia, não sucumba ao impacto das bactérias mortíferas da revolta e do desespero.

... Quem enxerga o porquê da sua existência terrestre apenas nos gozos, já está  em vésperas de frustração. Quem confunde os objetivos da vida- fortuna, prazeres, divertimentos- com a razão-de-ser da sua existência- autoconhecimento e autorealização- é um profano, um exotérico, e não pode encontrar conforto na hora do sofrimento.

É suprema sabedoria iniciar-se na verdade do ser humano desde o princípio. Todos os objetivos da vida têm de ser integrados totalmente na razão-de-ser da existência.

 Huberto Rohden

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Do Livro: Porque sofremos, páginas 32 a 34, Editora Martin Claret, 2006

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

AUTOCONHECIMENTO. FORMAR-SE, REFORMAR-SE E TRANSFORMAR-SE

Comentário(s)

Por Eronildo

As verdades universais não vêm para
 formar o homem nem para reformá-lo, mas para transformá-lo. Não vem para moldá-lo, mas para transmutá-lo.

Formar-se é adquirir conhecimentos. É ter informações de ordem quantitativa. Reformar-se é mudança de comportamento. É mudar um comportamento vicioso por um outro  virtuoso de verniz social, ambos ainda no campo  do ter, das aparências. Ter informações, vícios ou virtudes. Os ensinos universais vêm para transformar o ser humano.

Transformar-se é modificar-se de um estado de espírito para outro. É mudar de estado enganoso das aparências para estado verdadeiro na essência. É mudar dos atos cerimoniosos para uma firme atitude espiritual interna. Para isso é preciso dar o salto qualitativo da virtude teatral,  sacrificiosa e estética para uma conduta natural,  jubilosa e ética.

E isso é possível, dizem os mestres, com o autoconhecimento. Estou na busca. Como Paulo de Tarso, "não tenho a pretensão de ter atingido o alvo, mas vou à conquista pra ver se o atinjo".

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

MEDITAÇÃO. MORRER PARA VIVER

Comentário(s)

Por Aloísio Wagner

O homem é um ser que perdeu a consciência de si, de sua verdadeira natureza. Esse estado o colocou na ignorância e o conduziu a erros, e estes, conseqüentemente, ao sofrimento. Os que se libertaram do estado de ignorância sempre surgiram na história humana para nos oferecer recursos, ensinamentos e técnicas de desenvolvimento espiritual. Verdadeiras ferramentas despertativas da essência divina dentro do homem.

Cerrar os olhos por alguns minutos ou horas (dependendo do indivíduo), é perscrutar e conhecer seu mundo interior. É observar o fluxo dos pensamentos e conhecer seus conteúdos, tornando-o consciente do que se passa dentro de si. E só quando vemos mais claramente o que se passa dentro de nós, é que podemos fazer algum movimento em sentido corretivo. Só quando percebemos as nossas falhas morais é que podemos dar o primeiro passo para a superação e a transcendência desta falha.

Cerrar os olhos é “fechar-se” por tempo indeterminado aos chamados do mundo, com suas idéias, seus gostos, seus desejos, sua moral, seus julgamentos, seus valores... É desejar entender e compreender a mente, os sentimentos, a alma, a vida! É questionar internamente o sentido das coisas, e não só seguir os passos mecânicos de uma humanidade inconsciente e sofredora. É se perguntar internamente: “Quem sou eu?” “O que estou fazendo aqui?” “De onde vim e para onde vou?” “O que devo fazer?” 

Cerrar os olhos é saber silenciar também nossos desejos, medos, anseios, ambições, carências... É serenar nossos pensamentos e objetivos pessoais e materiais. É apaziguar nossas paixões pelo mundo e projetar nossas atenções para o reino do espírito, que vibra dentro de nós oferecendo sua luz, sua força, sua sabedoria, seu amor! Esta luz é a própria presença do Absoluto, do Supremo, do Infinito, que aguarda nossa iniciativa e nosso esforço de encontrá-Lo. Abramo-nos, concentremo-nos e aspiremos perseverantemente esta Fonte Divina, que é o Pai, afirmando mentalmente e com o coração ardente:

“Senhor, que eu O conheça, que eu O sinta, e que eu o viva conforme Tuas leis e Tua vontade!” 

“Pai, eu te amo!”

Se a busca da Verdade exige-nos uma vontade determinante e um esforço disciplinado mental, também esta busca tem sua outra face,em que  o coração se abre numa atitude de receptividade e entrega infinita ao Alto, ao Centro Dinâmico-Doador, que é Deus! Mas a recepção de Tua Verdade e de Tua Graça, em níveis mais elevados, exige que tenhamos um coração puro, vazio de nós, de nossos interesses próprios, e uma entrega por completo a Ele! E esta entrega é uma morte, morte do ego, morte de uma percepção limitada, para nascer em outras esferas, onde nela permeia e prevalece o princípio da unidade e do amor! 

Meditemos!


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