SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

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sábado, 17 de janeiro de 2015

OBJETIVOS DA VIDA OU RAZÃO-DE-SER DA EXISTÊNCIA

Comentário(s)

Extraído de:
Por Que Sofremos?, de Huberto Rohden

Quase todos os nossos sofrimentos, senão todos, vêm dos objetivos da vida, e da razão-de-ser da nossa existência.
Infelizmente, a imensa maioria só se interessa pelos objetivos da vida, e por isto leva uma vida de sofrimento.
Os objetivos da vida são todas as coisas do nosso ego periférico, como família, propriedade, profissão, relações sociais, amizades, etc. São circunstâncias fora do nosso centro, sobre as quais não temos domínio direto, e que, por isto, podem falhar – e lá está o nosso sofrimento.
Não podemos viver sem esses objetivos, sem estas circunstâncias. Somente um asceta do deserto, ou um yogui numa caverna do Himalaia poderia viver sem esses objetivos externos, e mesmo assim não estaria totalmente isento de sofrimentos, porque o seu próprio corpo também é um objeto, ou uma circunstância.
É permitido recusar a maior parte dessas circunstâncias.
Razoável é usar, na medida do necessário, esses objetos da vida.
Mas o grosso da humanidade não recusa, nem usa, mas abusa.
Que é abusar?
Quem vive 24 horas por dia, 365 dias por ano, durante 20, 50, 80 anos, exclusivamente para os objetivos da vida, está em vésperas permanentes de sofrimentos. Quando alguns desses ídolos da sua vida lhe faltarem – adeus, alegria!
E ninguém pode garantir que isto não aconteça, mesmo sem culpa nossa.
As circunstâncias da natureza ou da sociedade nos podem roubar inesperadamente esses objetos idolatrados, inclusive os objetos pessoais da nossa família e amizade.
Por onde se vê que todo o homem profano está sempre incubando sofrimentos, que podem eclodir a qualquer momento.
Por isto, dizia Diógenes, o filósofo cínico de Sínope, que a verdadeira felicidade consistia em nada ter que o mundo nos possa tirar, nem nada desejar que o mundo nos possa dar.
Mas, o grosso da humanidade não pode viver como Diógenes, cuja única casa era um velho barril do mercado de Atenas, em que ele dormia.
O que, porém, todos podem e deveriam fazer é descobrir algo além desses objetivos da vida e estabelecerem certo equilíbrio entre essas duas coisas.
Que coisa é esta?
A razão-de-ser da nossa existência. Que é isto?
A única coisa necessária da nossa existência somos nós mesmos, é a nossa auto-realização. Nenhum homem é realizado no seu ser – todos são realizáveis.
Pode ser que muitos sejam ego-realizados, objeto-realizados, coisificados, 90%, talvez 100% – mas não estão auto-realizados.
Se o homem estabelecesse um equilíbrio razoável entre o seu ser e os seus teres, entre o que ele é e o que ele tem ou deseja ter, reduziria grandemente a chance dos seus sofrimentos. “Uma só coisa é necessária”, dizia, há quase 2.000 mil anos, o maior dos Mestres da humanidade à sua discípula Maria de Betânia. Não proibiu à sua irmã Marta que fizesse o que estava fazendo, mas considerava estas coisas como facultativas, e não como realmente necessárias.
Necessário é realizar o seu próprio sujeito – facultativo é realizar os objetos.
Através da história, uma pequenina elite, sobretudo do mundo oriental, se interessa somente pela razão de ser, negligenciando os objetivos da vida – mas a imensa maioria da humanidade ocidental vive exclusivamente para os objetivos da vida, esquecendo-se totalmente da razão-de-ser da sua existência.
Dois extremos!
Toda a sabedoria do homem sensato consiste em saber harmonizar corretamente esses dois pólos da vida humana.
Todo o homem que trata seriamente de realizar a razão-de-ser da sua existência, pode possuir serenamente os objetivos necessários a uma vida decentemente humana, e nunca estará em vésperas de calamidades catastróficas. Aconteça o que acontecer, o principal está garantido e segundo as palavras do Mestre: “Nunca lhe será tirado”. Quem realizou a sua substância central pode sofrer o impacto das circunstâncias periféricas desfavoráveis – mas não será infeliz por dentro, embora sofra por fora.
Nunca deveríamos fazer depender a nossa felicidade de algo que não dependa de nós.
Uma substância central pode sofrer calmamente todos os assaltos das circunstâncias periféricas – e continuar a ser profundamente feliz.

Huberto Rohden (1893-1981)¹


¹Filósofo, teólogo, educador, conferencista e escritor brasileiro. Formado em Ciências (Innsbruck, Áustria), Filosofia (Valkenburg, Holanda) e Teologia (Nápoles, Itália) Professor da Universidade de Princeton (EUA), American University de Washington D.C. (EUA) e Universidade Mackenzie (São Paulo-SP) Propositor da Filosofia UnivérsicaFundador da Instituição Cultural e Beneficente Alvorada (São Paulo, 1952)