SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom estudo!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Intelecto — Intuitivo

Comentário(s)

Se alguém me pergunta, o que é Deus? disse Santo Agostinho, confesso que  não sei; mas, se ninguém me pergunta, eu sei.

Com esta frase enuncia o grande gênio africano um fato que todo homem espiritual conhece  de  sobejo  e  que,  não raro, o faz sofrer acerbamente. O nosso verdadeiro saber  não  é intelectivo,  mas intuitivo,  e  por  isto  não  é  definível, como as coisas do intelecto. O que é definível é incerto, mas o que é  certo é indefinível – não há dúvida de que o homem meramente intelectual e não espiritual tachará de absurda esta afirmação, que, no entanto, é uma grande verdade. Posso ter duma realidade espiritual uma experiência interna meridianamente clara e  soberanamente certa, e ao mesmo tempo  se totalmente incapaz de a explicar ou definir analiticamente a outros, nem mesmo ao meu próprio Eu intelectual. Paulo de Tarso tentou, durante três decênios, analisar a grande experiência espiritual que tivera, quiçá na fração de  um segundo, às portas de Damasco; disse que fora arrebatado ao “terceiro céu”, onde ouvira árreta rémata (ditos indizíveis) – mas acaba por confessar, como mais tarde seu grande discípulo Santo Agostinho, que saber da realidade do mundo espiritual é uma coisa, mas defini-la  é impossível. Analisar quer dizer “dissolver” – mas como se poderia dissolver o que é indissolúvel, por ser um Todo simples, e não composto? Definir quer dizer pôr fines, fins, circunscrever de certos limites – mas como se poderia limitar o que é por natureza ilimitado? Definir o infinito é fazê-lo finito, isto é, negá-lo, destruí-lo.

Inteligir (*) é um ato do meu pequeno Eu humano que tenta abranger na sua estreiteza individual a largueza do grande Tu universal.  

Intuir não é um ato do Eu individual, mas sim um ato do Tu universal, de Deus, ato esse do qual o meu Eu é o objeto passivo, e não o sujeito ativo, como no caso do inteligir.  

No inteligir, o menos pretende abranger o mais, o individual tenta capturar em si o universal – tentame  esse logicamente  absurdo e matematicamente impossível. No intuir acontece o contrário, e por isto é possível e razoável. Em última  análise, toda a experiência  mística  é  a  mais  alta  racionalidade a  mais perfeita lógica. 

(*)  Temos as palavras “inteligência, intelecto, inteligente”, mas abandonamos o verbo básico “inteligir” (do latim intelligere, ou melhor intellegere, derivado de inter-legere, ler por entre, ou talvez intus-legere, ler por dentro). Julgamos necessário restituir ao vernáculo o verbo inteligir, como também intuir, do latim intueri, ver por dentro, ou propriamente “ser protegido de dentro”, palavra essa que compreende uma verdadeira síntese de experiência mística. 

(Huberto Rohden. Livro: Profanos e Iniciados)