SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

UM DIA PARA NÃO SER ESQUECIDO: 30/01/1948

Comentário(s)

Por Iris Helena, no Blog Memória Rohden:




HUBERTO ROHDEN – NO LIVRO: MAHATMA GANDHI

             Na tarde de 30 de janeiro de 1948, pouco depois das 5 horas, dirigia-se Gandhi novamente ao lugar da oração, apoiado em duas de suas devotas, porque a extrema debilidade não lhe permitiu andar sozinho. Nathuram Godse, com a mão direita no bolso, segurava um revólver. Gandhi saudou-o à maneira hindu, juntando as palmas das mãos à altura do peito e inclinando a cabeça em gesto de fraternidade, como quem diz: “As nossas almas estão unidas assim como as palmas destas mãos”. Godse correspondeu rapidamente à saudação simbólica, porque, como, mais tarde, confessou perante o tribunal, sentia a maior simpatia pessoal por Gandhi, mas o seu patriotismo o obrigara a matar o inimigo número um da Índia. Depois da saudação, sacou do revólver e desfechou diversos tiros contra Gandhi. Este tombou imediatamente, murmurando “Ah!… meu Deus!”. . . Um amigo inclinou-se sobre o agonizante e percebeu o pedido formulado com voz débil que não castigassem o autor da sua morte.

E expirou.

O condenado foi preso e condenado à forca. Perguntado por que matara Gandhi, respondeu calmamente que agira por dever de patriotismo. À pergunta se não competia aos poderes públicos impedir que Gandhi prejudicasse a Índia, Godse sorriu-se cinicamente e replicou: “Que pode o governo da Índia fazer contra esse homem, quando empreende suas campanhas de oração ?”. . .
O corpo de Gandhi, depois de visitado por imensa multidão de amigos e devotos, foi cremado, e suas cinzas lançadas ás águas dum rio sagrado.

* * *

          Se um muçulmano tivesse assassinado o grande chefe, teria sido inevitável uma guerra sangrenta entre a Índia e o Pakistan; mas, como o criminoso foi um patrício de Gandhi, aconteceu algo de inesperado: o sangue do apóstolo da paz sigilou a amizade entre os dois povos, que, irmanados na mesma dor, prantearam a “grande alma” que acabava de abandonar aquele corpo franzino.

Os grandes heróis do espírito vivem mais intensamente depois da morte do que antes dela.

* * *

Comentário de Pierre MEILE:

          Em todos os ensinamentos de Gandhi, há uma parte bem grande que é universalmente válida e da qual poderíamos especialmente tirar algum proveito em nosso mundo atual. Ele relembra a todos os homens, com novo vigor, o dever de sinceridade, de lealdade, de fraternidade. Conduz-nos a uma eficaz preparação da paz. Põe-nos de sobreaviso contra os perigos da máquina. Afinal e, sobretudo, seus ensinamentos são dirigidos contra uma doença que ameaça particularmente nossa civilização desde alguns anos: o desprezo do homem. Gandhi é daqueles que nos oferecem a única proteção possível contra os ódios raciais, o único caminho que conduz para fora desse universo de campos de concentração; digo bem o único, porque se a gente não pensa senão em pôr “o outro” por trás de arame farpado, jamais se sairá disso. Campeão de todas as vítimas da opressão racista ou sectária, ele poderia servir como inspirador e garantia de um estatuto internacional que definiria a dignidade humana em quaisquer circunstâncias e sob todas as latitudes (importante etapa já foi cumprida através da Declaração Internacional dos Direitos Humanos). Para impedir os atentados cada vez mais numerosos aos direitos elementares da humanidade, para deter o totalitarismo e a ameaça atômica, é preciso que se faça conhecer largamente a vida e as ideias de Gandhi, o homem: de nosso tempo que mais acreditou no homem.

Paris, 15 de julho de 1949

(Este texto de Pierre Meile é do comentário final do livro: “Minha vida e minhas experiências com a verdade” de Mahatma Gandhi – publicado pelas Edições O Cruzeiro – em 1971).
Há uma edição atual do livro publicada pela Editora Palas Athena com nova tradução

Fonte:
Memória Rohden