SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom estudo!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ASTÚCIA E SINCERIDADE

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Confrontemos as duas estratégias: a da astúcia e a da sinceridade. A primeira vista, parece que a primeira dê frutos maiores. Eles são mais visíveis porque imediatos e, para quem ignora o futuro, o imediato tem grande valor como prova de êxito. Mas trata-se de frutos aleatórios. A sinceridade, ao contrário, se constrói mais lento, constrói mais sólido, aí mesmo onde o engano constrói rápido mas sobre areia. Parece um atalho, e no entanto é uma estrada mais longa. Por isso muitos são a ela atraídos, mas depois ficam desiludidos. 

As aparências enganam. A estratégia da sinceridade, justamente porque mais simples e retilínea, é mais própria a vencer; a da astúcia facilmente se perde pelas estradas tortas da mentira. Para manter a primeira mentira, é preciso logo escorá-la com uma segunda, depois a segunda com uma terceira, e assim por diante. No fim, não se constrói um edifício, mas apenas uma desordenada floresta de escoras e, se falta uma delas, tudo rui. Se um resultado imediato é obtido com o primeiro engano, logo é preciso justificá-lo com outro, depois este com outro, até que se fica preso em sua rede. Constrói-se assim um sistema todo errado, dentro do qual se fica preso. A mentira é a areia mole do pensamento, na qual, nem mesmo quem a diz, sabe onde apóia o pé e por isso mesmo acaba afundando. Quando se pretende construir nesse terreno, quanto mais alguém se move para sair, mais nele afunda. Acontece como no tempo de guerra, em que todos semeiam minas, que depois explodem para todos, aonde quer que se vá. A vida do astuto enganador acaba então transformando-se em campo minado, no qual ele mesmo, em primeiro lugar terá de caminhar, com o perigo de que uma das minas que ele mesmo colocou, possa explodir a cada momento.

Então, entre as duas estratégias, a do mundo e a do homem evangélico, demonstra-se a primeira, na prova dos fatos, decididamente inferior. O primeiro método é confuso, complicado, tolhido em seus movimentos pela própria multiplicidade de suas faces, que podem esconder, mas também podem trair. Quem o utiliza, sente intimamente que não está certo; sente que esta, por trás de todas as aparências, está intimamente estragado e não sustentado por nenhuma força interior. Tudo isto o torna ansioso, desconfiado, necessitado de assegurar-se, agarrando-se ao que lhe parece concreto em seu mundo, onde tudo lhe escapa no engano. Tomado pelo afã de uma preocupação contínua, ele então se agita e corre, sem jamais chegar a tempo. Assim a astúcia do mundo constrói um grande castelo que, como vimos na prática, acaba muitas vezes caindo-lhe nas costas e sepultando-o nos escombros.

Diferente é o método do homem evangélico. Simplicidade e sinceridade representam material de primeira qualidade, bem sólido para construir. Não há mistérios a esconder, mentiras a recobrir, máscaras para arrastar atrás de si, não se fica sobrecarregado pelo trabalho de ter que aparecer sem ser, pelo esforço de ter que representar a comédia do fingimento. Quantos cálculos a menos a fazer, quanto menos erros possíveis para corrigir depois, quanto trabalho a menos para realizar! O homem evangélico tem uma só face e sempre a mesma. Ele sabe o que está certo, conhece o seu direito, e faz o que deve. Esta sua posição retilínea constitui seu maior poder de penetração e resistência. Não tem pressa de chegar porque sabe que, se Deus não paga no sábado, certamente pagara e na melhor época. Ele conhece a Lei e confia nela. E isto lhe da calma pelo que, sem a ânsia de correr, chega a tempo. A calma e a segurança são as qualidades que fazem reconhecer as coisas do bem e de Deus. A pressa ansiosa e a incerteza são as qualidades que fazem reconhecer as coisas do mal. O evoluído sabe que constrói estavelmente na rocha um edifício feito para ficar em pé. 

Pietro Ubaldi