SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

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sexta-feira, 7 de março de 2014

DESTRUIÇÃO. INSTRUMENTO DE CONSTRUÇÃO

Comentário(s)

Por Pietro Ubaldi

A Lei do ser em nosso universo atual é essa: evolver. Tudo ocorre em função dessa necessidade: o amor, a reprodução, a seleção, a morte, a caducidade de todas as coisas, a natureza relativa de nosso contingente em evolução, a instabilidade de todas as posições humanas, nossa contínua insatisfação etc. É assim que se explica um fato, que pode parecer estranho, isto é, que a vida se nutre de morte, se alimenta de destruição. Isto porque destruição é meio de renovação, e renovação é condição necessária para a evolução, suprema tendência do ser.

Compreendida essa lei geral, situada na lógica do pensamento diretivo de Deus, é fácil compreender a lei particular, segundo a qual ocorre que a História produza, nas revoluções. Com efeito, é por meio das revoluções que a História costuma gerar o que é novo, como se o tirasse da destruição do velho. Na realidade, isto é devido ao fato de que a vida é tão exuberante de germens que, logo que se forma um pouco de espaço vazio, ela está sempre pronta a invadi-lo para enchê-lo. Nesse sentido, a destruição é criativa para a vida, pois lhe permite a expansão. Quem compreendeu a inexaurível fecundidade da vida, que deriva do impulso do Deus imanente, presente em todas as partes, em cada fenômeno ou acontecimento, não pode admirar-se de tudo isso. A História caminha carregada de germes a desenvolver, de uma potência fantástica, e os lança a mancheias, ora aqui, ora ali, com a prodigalidade de que a vida é tão rica, à espera de que a maturação e a compreensão dos homens - único limite de sua fecundidade - permitam a ela, tornando-se instrumentos de realização, o desenvolvimento no terreno deles.

A destruição poderá assustar o indivíduo, mas a vida não pode preocupar-se com isso, porque, no conjunto, a destruição não é estéril. Nenhum ato da vida, jamais, é estéril, nem mesmo a destruição. No âmago da morte está a vida. Por isso, a destruição é um ato de administração normal, é só uma forma, um meio de renovação. A vida é eterna, é princípio divino, portanto nada tem que temer. Bastaria haver compreendido esta grande verdade, para ser obrigado a admitir a indestrutibilidade de nosso ser e a impossibilidade, para a morte, de matar qualquer ser vivente. Cristo mesmo nos disse que quem procurar conservar sua vida a perderá, e quem a der, a ganhará. Não é conservando-nos apegados à forma que podemos viver, mas só mergulhando-nos na grande corrente ascensional do ser, em que está Deus, a inexaurível fonte de tudo. Cristo mesmo, que realizou a maior das revoluções, seguiu essa lei, pela qual a destruição é uma premissa necessária para a reconstrução. Assim, Ele teve que oferece-se em holocausto sobre a cruz. Eis porque o sacrifício tem um poder criador, a renúncia pode construir num plano mais alto, a dor nos amadurece e a morte é lei de vida. Bastaria ter compreendido este princípio universal para compreender a necessidade absoluta da paixão e da morte de Cristo, para a evolução do mundo.

Tudo isso para chegar a esta conclusão: que a tendência atual à destruição, que existe em todos os campos, e o estado de revolução e de guerra em que se acha o mundo, representam justamente o índice mais evidente da reação complementar necessária para a reconstrução de amanhã; ou seja, representam a fase preparatória, após a descida, para a subida da onda histórica, aquela que quer que chegue e se realize a nova civilização do terceiro milênio.

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