SOBRE O ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom estudo!

segunda-feira, 3 de março de 2014

O HOMEM

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Que é o homem atual? Ele nos aparece antes de tudo em sua roupa exterior, coberto com o trajo imposto pela moda dos civilizados. Dentro dessa roupa existe aquilo que a medicina considera, com os critérios com que estuda todo organismo animal, uma complicada maquina por meio da qual funciona a vida. Mas esse organismo vive junto a muitos outros semelhantes na coletividade social. Daí uma complexa rede de relações, de direitos e deveres, de leis e normas que disciplinam a atividade daquele ser, tentando enquadrá-lo no mais vasto funcionamento de um organismo maior, ainda em formação, o da humanidade. Esse ser está submetido a outras leis, das quais não pode escapar. Sua existência está ligada a um sistema atávico, pelo qual ela não pode desenvolver-se senão através de uma trilha já traçada: concepção, nascimento, desenvolvimento físico da infância, geração dos descendentes, madureza velhice e morte. Ninguém jamais o poderá tirar deste esquema preestabelecido. Cada qual poderá introduzir aí pequenas variantes, nada mais.

Assim caminha a maré da vida, fechada nesse esquema. É sempre o mesmo e a humanidade tem que caminhar por aí. Não foi ela que fez essa lei. Só lhe cabe aceitar, sem possibilidade de escapar. Mas essa lei não é estática. Mediante lentíssimos deslocamentos ao longo de seu ilimitado repetir-se, ela a pouco e pouco se vai transformando, por aquele fenômeno que se chama evolução. Evolução quer dizer subida, e subida implica a idéia de níveis e alturas diversas, que se atingem nesse processo de ascensão. Então, a concepção de planos de vida diferentes e sobrepostos não é arbitrária, mas a conseqüência direta do conceito de evolução. Não existimos nós num plano de vida superior ao das plantas e animais, que nos precederam nesta subida da vida? E ninguém nos proíbe — ao contrário, está na lógica de todo sistema da evolução — que os degraus desta escada continuem a subir, sobrepondo-se, tal como os vemos escalonados no passado.

É lícito então perguntar-se: que se tornará o homem no futuro? Como as leis da vida se transformaram passando do plano do mineral ao do vegetal, e do plano deste ao do animal e depois ao humano, é bem presumível que elas continuem a mudar-se, ao chegarem a um plano mais alto, superior ao nosso humano atual. Mas em que direção quererão mudar-se, então, essas leis da vida? É lógico que na mesma direção seguida até hoje. E qual é essa direção? Quais são as qualidades que o ser vai conquistando e que se acentuam com a evolução? A observação do passado nos diz que ela tende a uma libertação cada vez mais acentuada da estaticidade da matéria, assenhoreando-se do movimento que se torna sempre mais um auto-movimento, não obrigado, mas de impulso próprio. Isto significa conquista de independência na ação, assumindo as diretivas, sempre mais mandando e sempre menos obedecendo. Mas assumir diretivas implica o desenvolvimento da inteligência, donde apenas podem provir. E a mais alta produção da evolução é representada pelas células do sistema nervoso e cerebral. Então, a evolução caminha para a cerebrização da vida, para uma sua sensibilização nervosa ou aperfeiçoamento conceitual. E que significa isto, senão subir os primeiros degraus da espiritualização? E eis que até o biólogo, mesmo continuando a raciocinar com seu cérebro positivista, tem pleno direito de introduzir nas equações este novo fator, repudiado pelo materialismo e que se chama espiritualização.

O ser que evolui não é um ponto em movimento, mas aparece-nos como uma fita que avança, tendo varias zonas em sua extensão. Na parte mais adiantada existe como que uma cabeça que dirige a marcha, procurando progredir para o futuro que quer conquistar. Esta é a zona do superconsciente que está em formação e cujo trabalho é o de antecipar os futuros desenvolvimentos. Segue-se no centro a parte que representa o presente, o que o ser esta vivendo, e em que se consolidam e fixam as conquistas e as posições avançadas, apanhadas pela parte superior. Esta é a zona do consciente, em que o eu está mais desperto, a zona das experiências e da formação, pelas inúmeras repetições, daqueles impulsos automáticos que se chamam os instintos. É sobretudo nesta zona que o ser se sente viver, porque ela representa a zona central de seu trabalho de construção evolutiva. Na cauda segue a parte que representa o passado, o que o ser viveu quando ainda estacionava nos planos de vida inferiores aos do presente. Essa é a zona do subconsciente, a zona dos instintos atávicos formados no passado e pertencentes sobretudo a animalidade. É nessa parte do ser que afloram as tendências inferiores, situadas nos antípodas daquelas que são próprias ao superconsciente.

Ora, com a evolução, o ser vai morrendo continuamente na cauda, que abandona atrás de si nos planos inferiores de vida, que vai superando, e continuamente vai nascendo na cabeça, que desenvolve e cresce. Desta forma, todo o ser se vai lentamente transformando. O que representa para o homem atual o subconsciente, podia representar na era paleontológica o superconsciente, assim como para o super-homem evoluído dos futuros milênios, o homem atual poderá representar o que para nós, hoje, é o estado dos primeiros monstros paleontológícos. A cauda que o ser perde ao subir é representada pela animalidade, e a cabeça que o ser se vai formando é a espiritualidade. Esta é a justificação racional e científica de nossa tão grande insistência sobre esta e o Evangelho vivido, como regra de conduta de um homem mais civilizado, que já tenha compreendido que não lhe convém mais cometer erros que, hoje, por não ter suficiente desenvolvimento de inteligência, ainda comete com grave prejuízo para si próprio.

Pietro Ubaldi, do livro: A Grande Batalha