ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!


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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Hino à matéria

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Por Teilhard de Chardin Bendita sejas tu, áspera Matéria, gleba estéril, duro rochedo, tu que não cedes a não ser pela violência, e nos forças a trabalhar se quisermos comer.
Bendita sejas tu, poderosa Matéria, mar violento, paixão indomável, tu que nos devoras, caso não te acorrentemos.
Bendita sejas tu, poderosa Matéria, Evolução irresistível, Realidade sempre nascente, tu que a cada momento fazes explodir as nossas molduras, obrigando-nos a perseguir sempre mais longe a Verdade.
Bendita sejas tu, Matéria universal,
Duração sem limites, Éter sem margens – Tríplice abismo das estrelas, dos átomos e das gerações -, tu que transbordas e dissolves nossas estreitas medidas, revelando-nos s dimensões de Deus.
Bendita sejas tu, Matéria impenetrável, tu que, estendida em todo lugar entre nossas almas e o Mundo das essências, nos deixas lânguidos com o desejo de penetrar o véu sem costura dos fenômenos.
Bendita sejas tu, Matéria mortal, tu que, ao te dissociares um dia em nós nos introduzirás, forçosamente, no próprio coração daquilo que existe.
Sem ti, Matéria, sem os teus ataques, sem as tuas arrancadas viveríamos inertes, estagnados, pueris, ignorando a nós mesmos e a Deus. Tu feres e curas, resistes e dobras, arruínas e constróis, acorrentas e libertas, - Seiva de nossas almas, Mãos de Deus, Carne de Cristo, Matéria, eu te bendigo.
- Eu te bendigo, Matéria, e te saúdo, não como te descrevem, reduzida ou desfigurada, os pontífices da ciência e os pregadores da virtude – um monte, dizem eles, de forças brutais ou de apetites baixos -, mas tal como me apareces hoje, em tua totalidade em tua verdade.
Eu te saúdo, inesgotável capacidade de ser e de Transformação, onde germina e cresce a Substância eleita.
Eu te saúdo, potência universal de aproximação e de união, através da qual se liga a multidão das mônadas e na qual convergem todas sobre a rota do Espírito.
Eu te saúdo, fonte harmoniosa das almas, cristal límpido de onde é tirada a nova Jerusalém. Eu te saúdo, Meio Divino, carregado de Potência Criadora, Oceano agitado pelo Espírito, Argila amassada e animada pelo Verbo encarnado.
- Crendo obedecer ao teu irresistível apelo, os homens, muitas vezes por amor a ti, se precipitam no abismo exterior dos gozos egoístas.
Um reflexo os engana, ou um eco.
Agora vejo bem.
Para te alcançar, Matéria, é preciso que, partindo do contato universal com tudo o que se move cá embaixo, sintamos pouco a pouco desvanecer entre nossas mãos as formas particulares de tudo o que seguramos, até que permaneçamos às voltas com a única essência de todas as circunstâncias e de todas as uniões.
Se quisermos ter a ti, é preciso que te sublimemos na dor, depois de te haver voluptuosamente agarrado em nossos braços.
Tu reinas, Matéria, nas alturas serenas onde os Santos imaginam te evitar – Carne tão transparente e tão móvel que não te distinguimos mais de um espírito.
Eleva-me para o alto, Matéria, pelo esforço, pela separação e pela morte – eleva-me lá onde, enfim, será possível abraçar castamente o Universo.
Embaixo, sobre o deserto que voltara à tranqüilidade, alguém chorava: “Meu Pai, meu Pai! Que vento louco o arrebatou!”
E por terra jazia um manto.

HINO AO UNIVERSO, Pierre Teilhard de Chardin, 1881-1955, Ed. Paulus, 1994.


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