ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

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quinta-feira, 16 de março de 2017

O Pensamento e a vontade da história

Comentário(s)

Por Pietro Ubaldi 

(Existe quase que uma proporção entre o poder caudaloso da onda nova que deve, nos planos da História, derrubar, e a fraqueza do organismo que deve ser destruído. Há uma sábia dosagem de forças nos dois impulsos opostos, para que a nova, que deve vencer, tenha sua tarefa facilitada, quando esta faz parte dos planos da história). 

Quando, na vida dos povos, se apresenta a necessidade dessa renovação, a sociedade entra num estado febril, e o pensamento e a vontade diretivas da História realizam a operação cirúrgica. Entram em ação numerosas forças, muitas vezes em conflito. Os instrumentos são os mesmos homens que, inimigos entre si, se castigam mutuamente. Se a lógica da História exige uma revolução, ela lhe abre as portas e a convida a entrar no corpo do velho regime. Da mesma forma que os micróbios patogênicos do corpo humano, assim a revolução experimenta a resistência e o valor dele, de tal modo que, se ele está ainda forte, resiste e vive; e se está fraco, perece e é destruído. A vida não quer os fracos, e submete ao assalto tanto os indivíduos como os povos, para que só os mais fortes sobrevivam. Nos alicerces da política, estão as leis fundamentais da vida. É assim que esta, da mesma forma que oferece a fraqueza orgânica de um indivíduo como um convite aos assaltos dos micróbios patogênicos, assim também oferece a fraqueza de um organismo social político, como convite aos assaltos das revoluções. 

É um fato, que, nas revoluções achamos muitas vezes na defesa do antigo regime um rei-fantoche. Existe quase que uma proporção entre o poder caudaloso da onda nova que deve, nos planos da História, derrubar, e a fraqueza do organismo que deve ser destruído. Há uma sábia dosagem de forças nos dois impulsos opostos, para que a nova, que deve vencer, tenha sua tarefa facilitada, quando esta faz parte dos planos da história. Se a revolução francesa tivesse tido diante de si um Luís XIV, não o teria derrubado. Se a revolução comunista tivesse achado pela frente um Pedro (o Grande) ou uma Catarina da Rússia, não teria vencido. Mas, ao contrário, acharam-se automaticamente em posição de superioridade, fácil diante do inepto Luís XVI e do manso Czar Nicolau. A vida ajuda todos os homens e movimentos que têm uma função biológica e deixa sem defesa os que não a têm. E pode ser também função biológica a de liquidar uma classe social dominante, um regime, quando não mais correspondem à utilidade da vida e sua eliminação seja necessária aos objetivos da evolução. Nos equilíbrios biológicos, até o assalto patogênico tem uma função. Qualquer pessoa pode verificar, mesmo em sua vida individual privada, que algumas coisas querem acontecer, e outras não, como se houvera nelas uma vontade, que resiste à nossa e é independente dela; ou seja, obedece a outras diretrizes, que não são as nossas, que nós desejaríamos impor.
Nascem as revoluções de um punhado de aventureiros, situados fora da lei, que assaltam o colosso da ordem já constituída. Quem ajuda e determina uma tão inexplicável vitória numa luta tão desigual? Poder-se-ia objetar que é a fraqueza do chefe ou do regime que determina uma revolução. Mas houve muitos reis e governos fracos, sem que por isso tenham surgido revoluções. Para havê-las, é necessário não somente essa fraqueza da velha ordem, como também a força nascente da nova. Para que haja renovação é indispensável esse encontro de posições opostas. Podem existir governos fraquíssimos, que por ninguém são assaltados, porque a História, nessa ocasião, nada tem que renovar. Podem aparecer idéias novas, que, no entanto, se chocam contra um governo forte que as sufoca. E nestes dois casos, a revolução não nasce. Mas, quando a hora renovadora de uma revolução soou e a História quer e está pronta para fazer um passo adiante, para subir mais um degrau da evolução, surge a revolução. Quem proporciona a fraqueza decrépita do velho regime, a inaptidão do chefe, de um lado; e do outro, o juvenil poder das idéias, as forças renovadoras e a capacidade revolucionária dos assaltantes? Quem nessas horas trágicas em que se renova a vida dos povos, dá um impulso, de um lado; e do outro, paralisa as resistências que poderiam detê-lo? E, no entanto, o velho regime tem em mãos todas as rédeas do comando. Como, naquelas mãos, elas não funcionam mais? Que nova força sutil é essa que em verdade, a imprensa paga não pode criar, que mina tudo interiormente, pela qual a velha máquina não funciona mais, o exército não obedece, o dinheiro não serve, tudo se rebela e a opinião pública se orienta por si mesma?
Quem governa os povos deveria conhecer esses imponderáveis, que sem dúvida são leis inteligentes, forças vivas. Falam por meio do subconsciente das massas e as constrangem a agir. Os chefes deveriam compreender, quando elas se põem em ação e, ao invés de impor sua personalidade, deveriam antes procurar compreender o momento histórico, para obedecer à vontade da História, em lugar de querer impor-se a ela. Isso porque ela é a mais forte e quem não se conforma com ela, seguindo sua correnteza, soçobra.

Pietro Ubaldi - Livro: Profecias, Cap.: O Pensamento e a vontade da história.



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