ACERVO VIRTUAL HUBERTO ROHDEN & PIETRO UBALDI

Para os interessados em Filosofia, Ciência, Religião, Espiritismo e afins, o Acervo Virtual Huberto Rohden & Pietro Ubaldi é um blog sem fins lucrativos que disponibiliza uma excelente coletânea de livros, filmes, palestras em áudios e vídeos para o enriquecimento intelectual e moral dos aprendizes sinceros. Todos disponíveis para downloads gratuitos. Cursos, por exemplo, dos professores Huberto Rohden e Pietro Ubaldi estão transcritos para uma melhor absorção de suas exposições filosóficas pois, para todo estudante de boa vontade, são fontes vivas para o esclarecimento e aprofundamento integral. Oásis seguro para uma compreensão universal e imparcial! Não deixe de conhecer, ler, escutar, curtir, e compartilhar conosco suas observações. Bom Estudo!


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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Força do Espírito versus Espírito da Força

Comentário(s)

Havia largos anos que Thomas Edison trabalhava para crear a lâmpada elétrica de filamentos, que hoje nos parece algo tão natural e simples. Depois de haver realizado,  neste  sentido,  setecentos  experimentos  diversos  sem  nenhum resultado  satisfatório,  disseram-lhe  alguns  dos  seus  colaboradores profissionais: “E tempo perdido, sr. Edison! Fizemos setecentos experimentos de todas as espécies, e não adiantamos um passo – não sabemos nada!”...

– O  quê? – exclamou  o  grande  inventor – Não adiantamos  um  passo?  não sabemos  nada?  Conhecemos setecentas  coisas  que  não dão  certo – e  isto vocês  chamam “nada”?  Estamos  mais  próximos  da  verdade  por setecentos passos do que dois anos atrás – e isto vocês consideram tempo perdido?

Edison  continuou  a  pesquisar  com imperturbável  perseverança  e  os  fatos provam que o grande gênio tinha razão.

O  mesmo  acontece  no  terreno  espiritual.  O  homem profano  está  sempre disposto a fixar os olhos nos seus   fracassos, na falta de resultados imediatos; impressiona-se  sempre  com  os  negativos  da  vida,  esquecendo-se  dos positivos.  Os  seus  pensamentos  e  as  suas  conversas giram  em  torno  dos males que sofreu ou receia sofrer, e fecha os olhos para os bens reais de que sua  vida  está repleta.  Ignora  que o “mal” não  consiste  em alguma realidade, mas que é simplesmente a ausência do real, que é o “bem”.

Que é treva senão ausência de luz?  

Que é moléstia senão ausência de saúde?

Que é morte senão ausência de vida?

Que é pecado senão ausência de santidade?  

O  profano,  vítima de  ignorância,  procura  debelar os  negativos  da  vida,  os males, atacando-os diretamente, de frente – o que é tão absurdo como querer  afugentar as trevas de uma sala espancando-as com paus ou ferros, tentando matá-Ias com espadas ou lanças. Sendo que a treva não é senão a ausência da  luz,  o  único  meio  de  acabar com  a escuridão  é  substituí-Ia  pelo oposto, suplantar a ausência pela presença da luz – e lá se foram as trevas! porquanto o negativo é incompatível com o positivo. 

Da mesma forma, ninguém pode expulsar a moléstia de outro modo que não seja  pela  substituição  da saúde,  como  ninguém  pode abolir  o  pecado  senão pela introdução da santidade.  

Semelhante  atrai semelhante – é  esta  a  homeopatia  do  espírito,  é  esta  a  lei  eterna e universal que rege o macrocosmo lá fora e o microcosmo cá dentro. Quem vive  habitualmente  num  clima  mórbido  de negatividade – temor,  ódio, rancor,  ressentimento,  pessimismo, tristeza,  desânimo,  espírito  de  crítica  e descaridade – prepara o terreno para novas negatividades e derrotas em série. Toda atitude negativa é uma gestante que leva no seio um embrião feito à sua imagem e semelhança, e, cedo ou tarde, dará à luz uma nova prole de caráter negativo – perpetuando assim a interminável cadeia de males.  

O  único  meio  de melhorar  o  mundo  e  a  vida  humana  é  assumir  e  manter invariável atitude positiva – altruísmo, amor, benevolência, alegria, confiança, espírito de caridade e conciliação, atmosfera de harmonia e bem-querença – porque  o positivo  atual  cria  os  positivos  potenciais,  e  estes,  quando  devidamente maturados, geram novas positividades, criando epopéias de bemestar e felicidade.  

O Sermão da Montanha é a Carta Magna da positividade, ou seja, do realismo do mundo espiritual. É a mais gloriosa proclamação da força do espírito sobre o espírito da força. O profano, devido a sua atitude negativista, confia no espírito da força, da violência física – e descrê da força do espírito; o iniciado, porém, sabe que toda violência é atestado de fraqueza, e que a mansidão é força e poder.  Os  filhos  das  trevas,  devido  a  seu  analfabetismo,  esperam  resultados positivos de  meios  negativos –  paus,  pedras,  ferros,  espadas,  lanças, espingardas,  canhões,  metralhadoras,  navios  de guerra,  torpedos,  bombas atômicas,  etc.   – ao passo que os filhos da luz, graças à sua excelsa sabedoria, abstêm-se de toda violência bruta, porque lhe conhecem a fraqueza, e lançam mão da invencível potência dos fatores espirituais, sintetizados no amor. Cristo, Francisco de Assis, Tolstói, Mahatma Gandhi, e tantos outros iniciados, eram mestres  nessa  Universidade  Espiritual. Não  resistir  ao  maligno,  pagar  o  mal com o bem, estar disposto a antes sofrer mil injúrias do que cometer uma só, preferir  morrer  a  matar – tudo  isto,  que  ao  profano parece  tão  ineficiente  e imprático,  embora  perdoável  a  um “idealista”,  é  para  o iniciado  supremo realismo,  filosofia  sumamente  prática,  o  caminho  único  para  a  felicidade individual e a harmonia social da humanidade.  

Com efeito, não existe na literatura mundial documento de maior realismo do que o Sermão da Montanha. O gênio que tais palavras proferiu, como ecos da  sua  própria  experiência,  é  comparável  a  um  médico insigne  que  não  se  contenta com a supressão dos sintomas externos duma moléstia, como fazem  os  charlatães, mas  vai  diretamente  à  raiz do  mal,  diagnosticando-o com  infalível certeza e aplicando-lhe remédio radical.

O homem profano, porém, vítima do seu irrealismo crônico, chama “idealismo” (com o que ele entende um irrealismo utópico) aquilo que é infinitamente mais  realista e real que todos os seus pretensos “realismos”.  

Existe  um  só  processo  infalível  para  acabar  de  vez com  todos  os  nossos  inimigos – é amá-los como amigos. Adicionar um negativo a outro negativo não é aboli-lo, mas duplicá-lo: ou, em termos comuns, fazer mal a quem me fez mal  é criar dois males em vez de um e aumentar a soma dos males existentes no mundo; é fazer o mundo de hoje pior do que era o mundo de ontem. Deixar de pagar  mal  por  mal,  não  aumenta  os males  existentes,  mas  também  não  os diminui, porque continua a existir o mal do meu malfeitor. Mas, pagar bem por mal é cancelar com um positivo um negativo; quem assim procede faz o mundo de hoje consideravelmente melhor do que o mundo de ontem.

Reduzida  a  termos  mais  simples,  poderíamos  representar  a  matemática  do Sermão da Montanha do seguinte modo:    

a) (-1) + (-1) = - 2 (pagar mal por mal, equivale a dois males)  

b) (-1) + (0) = -1 (deixar de pagar mal por mal, equivale a um mal)

c) (-1) + (+ 1) = 0 (pagar bem por mal, equivale a zero mal)

No item “c” está a quintessência do cristianismo e a salvação da humanidade.  

O homem profano procura dar cabo de seus inimigos matando-os, porque, lá no seu primitivo analfabetismo, ignora por completo a grande lei cósmica que ódio gera ódio, violência produz violência, negativo cria negativo, perpetuando e  aumentando  assim  a  interminável  cadeia  dos males,  algemando  cada  vez mais o malfeitor que procura libertar-se do mal multiplicando os males. É como a monstruosa hidra da antiga mitologia: toda vez que Hércules lhe decepava uma  das numerosas  cabeças, nasciam  duas  novas  em  lugar  da antiga.  O malfeitor,  na  sua  deplorável  cegueira,  não compreende  que  o  mal  que  ele inflige aos outros é um mal muito maior para ele mesmo, porquanto, para os que sofrem, o mal é apenas um mal externo, mas para quem produz, o mal é um mal interno. O objeto do malefício é atingido apenas extrinsecamente, ao passo que o sujeito do mal, o malfeitor, é ferido intrinsecamente. Sofrer uma injúria  não  me  faz  pior,  mas  fazer  injúria me  faz  pior,  diminui o  meu  valor interno, degrada a íntima essência da minha personalidade humana.
Se os homens compreendessem esta simples verdade e vivessem de acordo com essa compreensão, seria mudada a face da terra.

O melhor meio para perpetuar indefinidamente os nossos inimigos é sermoslhes inimigos – o meio mais seguro e único de acabar com eles é sermos-lhes  amigos.  

Quem deita óleo no fogo para o apagar aumenta-lhe a força; quem se abstém de lhe deitar óleo não o apaga, mas permite que continue; mas quem lhe deita água extingue-o instantaneamente.

De uma só coisa necessita a humanidade: de homens perfeitamente realistas, tão realistas como o autor do Sermão da Montanha.

(Huberto Rohden - Livro : Profanos e Iniciados - Trecho do Cap. Profano, Ético e Espiritual)


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